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Pluma: Rochas incandescentes sob o Brasil

Achadas por um brasileiro, elas podem ser uma das maiores descobertas geológicas deste século

Debaixo da região Sudeste, a centenas de quilômetros de profundidade, existe um imenso reservatório de rocha derretida. Há 135 milhões de anos, subindo entre as rochas do interior do planeta, ele ajudou a quebrar ao meio um supercontinente chamado Gondwana, dividindo-o em dois pedaços: a África e a América do Sul. Esse tipo de erupção rochosa, muito maior do que as erupções vulcânicas, se chama pluma. Debaixo do Brasil resta apenas uma parte da pluma original, que continua ativa debaixo do Atlântico (veja o infográfico). Isso mostra que uma parte da pluma ficou grudada debaixo da placa de rochas frias e rígidas que sustentam o continente sul-americano. Essa placa, como as outras existentes no mundo, flutua sobre o manto, a camada de rochas quentes e fluidas do interior do planeta. “Mas vimos que o manto não fica parado enquanto as placas se movem”, explicou à SUPER Marcelo Assunção, da Universidade de São Paulo, um dos autores da descoberta. A parte superior do manto também está sendo arrastada junto com as placas.

Continente partido

O jorro de lava que separou a África da América do Sul está ativo sob o Atlântico. Mas parte dele ficou colada ao Brasil

Há 145 milhões de anos: Brasil e África estão juntos. O jato de lava, ou pluma (veja o ponto vermelho), está subindo pelo interior da Terra.

Há 135 milhões de anos: A lava superquente começa a vazar (mancha amarela, com 700 Km de largura) e a partir a crosta rígida do continente.

Há 125 milhões de anos: A separação entre África e Brasil aumenta. Parte da lava se desgarra e fica presa à placa rígida sob o Brasil.

Há 40 milhões de anos: No fundo do Atlântico as rochas ascendentes já frias, criam mantanhas submarinas (pontas vermelhas). A parte desgarrada, colada ao Brasil, acompanha sua separação da África.