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Recorde de trabalho: Cem horas de sofrimento

Locutor da rádio paulista Jovem Pan 2 conseguiu quebrar o recorde mundial de permanência no ar, ficando 99 horas e 43 minutos trabalhando sem parar.

Por Redação Superinteressante Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
30 jun 1993, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h50
  • Durante quatro dias, os ouvintes da cidade de São Paulo acompanharam a maratona do locutor da rádio Jovem Pan 2, Hamilton Vessi Theodoro, o Banana, na tentativa de quebrar o recorde mundial de permanência no ar. Ele ficou 99 horas e 43 minutos sem dormir, quebrou o recorde e saiu do estúdio em uma ambulância. Para driblar a exigência de 8 horas de sono diárias, foi preciso muito banho frio, comida a cada duas horas, telefonemas de ouvintes e danças pelo shopping, onde o estúdio foi montado. “Só com muita determinação ele poderia vencer esse estado perigoso para o corpo, que é o de estresse constante”, diz o neurologista Rubens Reimão, chefe do Centro de Distúrbios do Sono, do Hospital Israelita Albert Einstein.

    Uma das conseqüências da falta de sono é a debilitação do sistema nervoso – ela altera o nível de neurotransmissores como a noradrenalina, dopamina, serotonina e acetilcolina. Responsáveis pela comunicação entre os neurônios, esses neurotransmissores são sintetizados justamente enquanto se dorme. A mudança na concentração dessas substâncias prejudica o funcionamento do cérebro, causando falhas de atenção, falta de memória e de coordenação motora. Por isso nos dois últimos dias, Banana não conseguia colocar no ar todos os comerciais, pela dificuldade de apertar os botões, e mordia a língua quando falava. Depois do fim da aventura, ainda ficou zonzo por uma semana, pois a normalização do nível dos neurotransmissores é lenta.

    O estresse também aumenta a quantidade de adrenalina, que em excesso podem causar úlceras nervosas e taquicardia. Banana teve algumas arritmias cardíacas, mas manteve-se em torno de 85 batimentos por minuto, enquanto seu ritmo normal em repouso é de 60 batimentos. Sem o sono necessário, também os músculos se tensionam e as fibras ficam duras. Com isso, o sangue tem dificuldade em penetrar nos músculos e levar oxigênio até ali. Começa então o processo anaeróbio de respiração celular, que produz energia e ácido láctico. O acúmulo do ácido e a tensão das fibras causam dores e câimbras, aliviadas com massagens e exercícios de relaxamento.

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