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Se sentindo mais cansado durante a quarentena? A ciência explica por quê.

Parece contraditório, mas ficar somente dentro de casa pode ser mais exaustivo do que parece. Descubra algumas dicas para evitar a exaustão.

Por Bruno Carbinatto - 17 abr 2020, 18h38

Desde que a quarentena começou, diversas pessoas vem usando as redes sociais para narrar mudanças inusitadas da vida em isolamento. Uma delas é a ocorrência maior de sonhos vívidos, que já explicamos aqui na SUPER. Outro fenômeno que muitas pessoas estão relatando é um maior cansaço durante o período – mesmo que façam menos coisas e até tenham mais tempo para dormir, o que parece bem contraditório. Por que isso ocorre?

Para responder, precisamos entender de onde vem a exaustão. A origem mais óbvia é a atividade física – como quando você corre uma maratona (tudo bem, talvez uma pelada já baste) e seu corpo precisa descansar para repor as energias. Mas também existe cansaço mental. Sim, usar a cabeça em excesso é suficiente para te dar uma canseira de apagar na cama, mesmo. Diversos artigos científicos já mostraram que há bastante relação entre o estresse e o esgotamento em humanos e outros animais. 

Isso explica porque, mesmo trancados dentro de casa sem fazer muito esforço físico, podemos sentir o corpo dar aquela travada. Como nossa rotina muda radicalmente, o estresse é inevitável – calcula-se que o organismo humano pode demorar até três meses para se acostumar plenamente com mudanças abruptas de estilo de vida. 

Essa ansiedade toda atrapalha o sono. Nas redes sociais, muitas pessoas estão relatando noites desreguladas durante a quarentena – e há quem já acorde cansado, mesmo dormindo mais do que dormia antes do início da pandemia. O nome disso é “inércia do sono” – aquele estado em que permanecemos de olhos abertos e conscientes, mas extremamente lentos. Todo mundo sofre uma ligeira inércia quando acorda aos berros do despertador, pricnipalmente se ele interrompe um ciclo de sono mais profundo. Mas ficamos “grogues” só por uns 15 ou 20 minutos, e não o dia todo. 

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Para piorar, não temos mais contato com a luz solar como tínhamos quando estávamos na rua o tempo todo – as pessoas isoladas ficam com frequência em cômodos fechados, iluminados majoritariamente por luzes artificias, como lâmpadas, computadores e celulares. E o Sol tem um papel muito importante na regulação do nosso relógio biológico. Ele regula o hormônio melatonina, que por sua vez é responsável pela sensação de sono. Um menor contato com o Sol pode desencadear uma bola de neve de desregulações. 

Há algumas coisas que podemos fazer para aliviar os sintomas. A primeira é tentar manter uma rotina regrada: estabelecer horas para acordar, trabalhar, comer, estudar, ter momentos de lazer, etc. Isso impede que haja grandes períodos de ócio, cenários perfeitos para a ansiedade atacar. Sabe aquela história de que mente vazia é oficina do diabo? Não é só crendice popular, ela também tem base científica. 

Outra medida é tentar se manter fisicamente ativo – mesmo que dentro de casa. É bem documentado que a atividade física traz benefícios não só para o corpo mas também para a mente, sendo um ótimo meio de aliviar o estresse. 

Dá também para variar um pouco nas horas livres da rotina. Como estamos quase sempre no mesmo ambiente, fazer sempre as mesmas coisas não é uma ideia muito boa para sua saúde mental. Você pode aproveitar o tempo para, por exemplo, estudar novos assuntos, ler textos da SUPER, jogar novos jogos ou até assistir uma chuva de cometas brilhantes da sua janela.

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E vale lembrar que, apesar do isolamento social ser o protocolo, é importante manter contato à distância com outros seres humanos para não pirar de vez. Isso ajuda a aliviar o estresse e também pode diminuir a ansiedade – afinal, estamos todos juntos nessa. Ainda que separados. 

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