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A ciência explica Star Wars

Por pelo menos 6 vezes, cientistas levaram a sério a galáxia muito, muito distante - e chegaram a conclusões impressionantes

Por Fábio Marton Atualizado em 31 out 2016, 18h59 - Publicado em 17 dez 2015, 11h45

 

 

Três meses atrás, num post sobre os erros de filmes de ficção científica, este que vos escreve decidiu deixar Star Wars para um post próprio. Isso foi porque a saga nunca deu bola de verdade para a ciência.

Star Wars é um dos exemplos máximos de ficção científica “mole”. A “dura”, como Interestelar e Perdido em Marte, tenta criar um cenário realista, baseado no que sabemos sobre como as coisas funcionam. Na ficção científica “mole”, o realismo vai para o banco de trás e a narrativa é o motorista.

E não tem nada de errado com isso. Seria fácil acender o cachimbo da pretensão e passar horas apontando tudo o que não é realista em Star Wars (não existe som no espaço, naves não se comportam como caças da Segunda Guerra, lasers são invisíveis no espaço, blablabla). É mais interessante fazer aquele trabalho que os filmes nunca fizeram e achar explicações plausíveis para o que, essencialmente, é um samba do crioulo doido saltado da cabeça de George Lucas. Algo que os fãs e os autores dos quadrinhos e livros do universo expandido têm feito por décadas.

Mas há fãs e fãs. Alguns pesos-pesados da ciência decidiram dar seus palpites também. Veja a seguir as explicações que cientistas de verdade encontraram para o que rolou muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante.
 

1. Nasa encontras planetas parecidos com os de Star Wars na Via Láctea

 

 

Essa é fresquinha, de anteontem. Um artigo da Nasa encontrou paralelos entre alguns planetas conhecidos e os do universo Star Wars.

Aqui mesmo, no Sistema Solar, temos irmãos do planeta Bespin, aquela da cidade flutuante onde Luke recebe a fatídica revelação sobre seu pai. Poderíamos criar uma cidade assim para minerar Hélio-3 e hidrogênio de Urano e Netuno. Eles são frios demais e não têm uma atmosfera respirável. Mas alguns gigantes quentes, planetas gasosos perto das estrelas, talvez sejam assim.

Tem mais: os planetas Kepler-10b e Kepler-78b se parecem com Mustafar, o inferno de lava em que Anakin e Obi-Wan travaram sua batalha decisiva. OGLE-2005-BLG-390, uma superterra gelada, foi apelidado de Hoth pelos cientistas. Kepler-16b orbita duas estrelas, como Tatooine.  

Até mesmo o pesadelo tecnológico de Coruscant, um planeta inteiro tomado por uma cidade, tem seu paralelo na superterra Kepler-452b, que orbita uma estela 1,5 bilhão de anos mais velha que o Sol. Segundo a Nasa, uma supercivilização teria tempo de sobra para fazer esse tipo de estrago por lá.

 

2. Economista calcula os custos da construção e da destruição das Estrelas da Morte

 

É uma armadilha! Esse é o título do artigo de Zachary Feinstein, da Washington University em St. Louis. Nele, o economista simula o impacto da construção e destruição das duas Estrelas da Morte, e a queda do Império, sobre a economia galáctica.

Feinstein calculou o custo total das armas em 419 quintilhões de dólares e o produto interno bruto da galáxia em 4,6 sextilhões. Isto é, sua construção sugou quase 10% de toda a economia galáctica. Esse valor, desculpe o trocadilho, astronômico, poderia ser obtido através de precatórios emitidos pelo Império. Outro valor incrivelmente alto teria que ser depositado para segurar as máquinas de destruição.

A destruição das Estrelas da Morte quebraria a economia. Alguns bancos faliriam de ter que retornar o seguro. Com a queda do império, a coisa vai para o ralo de vez, porque não teria mais ninguém para pagar os precatórios. Os rebeldes assumiriam com uma economia em colapso, e seriam obrigados a dar um calote equivalente a 20% do PIB galáctico. A nova democracia seria uma Grécia espacial.

 

3. Médicos explicam a doença respiratória de Darth Vader

 

Os dinamarqueses Ronan Berg e Ronni Plovsing, do Hospital Universidade Rigshospitalet, analisaram cena a cena a respiração de Darth Vader. A ideia foi ajudar seus estudantes a diagnosticarem doenças respiratórias, porque o Lorde Sith parece ter todas elas ao mesmo tempo.

O dano pulmonar, segundo os médicos, é resultado de sua batalha contra Obi-Wan sobre a lava. O ar superaquecido danificou para sempre seus alvéolos, fazendo com que seus pulmões se mantivessem em eterno estado de inflamação. Nos filmes, isso foi resolvido com o traje cibernético que parece ter uma câmara bariátrica para ajudá-lo a respirar. Na vida real, um transplante teria resolvido o problema.

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Por que o Senhor do Lado Negro não fez essa opção, num mundo onde clones são tão fáceis de fabricar quanto o filão da padaria? Talvez porque tecnologias simples acabaram perdidas no tempo. Veja só o caso das pistolas, a seguir.

 

4. Físico analisa os blasters e descobre que são porcaria

 

Num artigo para a Wired, o físico Rhett Alain, da University of Southern Louisiana, buscou entender como funcionam os blasters – pistolas como aquela com que Han atirou primeiro em Greedo (nem George Lucas vai me convencer do contrário).

A primeira conclusão é que blasters não podem ser lasers. Lasers, afinal, são invisíveis no espaço ou no ar limpo. Também viajam à velocidade da luz – nem os séculos de treinamento de Yoda seriam capazes de ensinar alguém a desviá-los com um sabre de luz.

Aliás, os blasters são ridiculamente lentos. Rhett usou as cenas para calcular uma média de 34,9 m/s, ou 125,64 km/h, para seus disparos. Isso é cerca de 10 vezes menos que um projétil daquela avançadíssima tecnologia perdida, a espingarda de chumbinho.

“Um jedi desviando tiros de blaster com um sabre de luz é igual um rebatedor de beisebol acertando uma bola”, escreveu o físico. “Talvez isso explique por que os stormtroopers são tão ruins de mira.”

Mas o que, afinal, são os blasters? “Meu chute sempre foi que fosse alguma coisa super quente. Talvez gás tão quente que é plasma”, diz Rhett. “Ou talvez um tipo de bala quente muito pequena.”

 

5. Psicólogos analisam a mente dos personagens

 

Os neozelandeses Ryan Hall e Susan Friedman, da Universidade de Auckland, publicaram um estudo sério em julho passado, analisando a mentalidade dos personagens de Star Wars. Entre suas conclusões, Jabba o Hutt é um caso clássico de psicopatia, Lando Calrissian apresenta sintomas de vício em jogos de azar e Obi-Wan Kenobi tem a depressão da terceira idade. Jar-Jar Binks, para a surpresa de ninguém, tem transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.  

E, o mais interessante: o imperador Palpatine é perfeitamente saudável. Ele decidiu fazer o mal racionalmente. “Preferimos achar que todos os problemas são causados por doenças mentais”, comenta Hall. “Mas pessoas com problemas mentais mais comumente são as vítimas de violência, não aqueles perpetrando-a.”

A mente de Darth Vader foi explicada em 2012, por um estudo do psiquiatra francês Eric Bui. Segundo ele, o Lorde Sith tem transtorno de personalidade limítrofe. O que explica sua carência, instabilidade emocional, impulsividade e problemas de autoimagem. (Quer dizer, antes dele ficar com uma cara assim).

 

6. Astrofísico reinventa o sabre de luz

 

O sabre de luz é algo que faz quem é fã de Star Wars e ciência ao mesmo tempo queimar a mufa e não chegar a lugar nenhum. Se ele é, como o nome parece indicar, um laser, não faz sentido que termine em algum lugar – lasers, com qualquer emissão de luz, se esticam até encontrarem um obstáculo. Então a explicação mais aceita (inclusive na Wookipedia, a Palavra do Senhor em matéria de Star Wars) é que é um tipo de plasma, um gás superquente. Um campo magnético consegue conter o plasma numa forma fixa – como a lâmina do sabre. O problema é que, plasma ou laser, um sabre de luz não poderia bloquear outro – eles se atravessariam livremente, resultando em um sith e um jedi fatiados.

Entra em cena o astrofísico Michio Kaku, membro da Santíssima Trirracial Trindade dos Cientistas Pop, com Neil deGrasse Tyson e Bill Nye. Ele tomou para si a tarefa de construir um sabre de luz.

Veja o vídeo, em inglês:

 

 

O sabre de Kaku funcionaria assim: a base emitiria cerca de três m3 de ar por segundo, aquecidos a 12 mil graus – suficiente para transformar o ar em plasma. A parte interessante é que isso seria feito através de uma haste telescópica de cerâmica – o plasma sairia por furos nessa haste, e o campo magnético, com o formato dela própria, o manteria no lugar. Quando os sabres cruzam, a haste é a parte sólida que evita que se atravessem.

O único defeito é que o som estaria mais para duas tigelas se chocando que o vuoom-vuoom que aprendemos a amar.

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