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A vez em que Wagner Moura dirigiu Bad Bunny em Narcos: México

Os destaques latinos da temporada de prêmios já trabalharam juntos

Por Bela Lobato 6 fev 2026, 16h00
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Mais do que nunca, no início de 2026, Wagner Moura e Bad Bunny estão na boca do povo. Eles têm chamado atenção na temporada de prêmios – um indicado ao Oscar e outro vencedor do Grammy. O que pouca gente lembra é que, há não muito tempo, as carreiras do brasileiro e do porto-riquenho se cruzaram num set de filmagem.

Depois do sucesso original de Narcos, em que Moura interpretou o traficante colombiano Pablo Escobar, a Netflix lançou Narcos: México, sequência que explora histórias do tráfico de drogas no México. Em 2021, Bad Bunny foi escalado para interpretar Arturo “Kitty” Páez, um jovem de classe alta que se envolve com o infame grupo dos “Narco Juniors”, ligados ao Cartel de Tijuana.

Essa participação marcou a estreia mais visível do artista porto-riquenho como ator, depois de participações menores em programas de TV e papéis pequenos em filmes. O personagem de Bad Bunny não é protagonista, mas um dos personagens complexos e multifacetados característicos de Narcos.

E aí entra Wagner Moura: não mais o protagonista, ele agora era o diretor. Na terceira temporada, ele ficou por trás das câmeras do terceiro e quarto episódio – que contam com a participação do nosso querido Benito. Entretanto, diferentemente de Bad Bunny, a posição não era novidade para Moura, que havia dirigido o longa Marighella dois anos antes.

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Fotografia do Bad Bunny e o Wagner Moura na série Narcos.
(Netflix/Divulgação)

Hoje esse crossover ganha uma camada extra de curiosidade: em 2026, Wagner Moura é candidato ao Oscar de Melhor Ator por sua performance em O Agente Secreto, longo de Kleber Mendonça Filho que tem sido um dos filmes mais comentados da temporada de prêmios. E Bad Bunny, por sua vez, fez história no Grammy de 2026 ao ganhar o prêmio de Álbum do Ano com DeBÍ TiRAR MáS FOToS – a primeira vez que um disco totalmente em espanhol conquistou o feito.

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De jeitos diferentes, as duas obras ressaltam aspectos da identidade e memória latinoamericana – O Agente Secreto com discussões sobre a ditadura militar no Brasil, e DeBÍ TiRAR MáS FOToS com uma mensagem de valorização da cultura e vivência porto-riquenha. Em suas entrevistas sobre as obras, ambos os artistas as relacionam com o momento político vivido nos EUA, de violência, autoritarismo e combate à imigração.

“Fora ICE [Immigration and Customs Enforcement, o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos]!”, disse Bad Bunny ao receber o Grammy. “Não somos selvagens, não somos animais, não somos aliens. Somos humanos e somos americanos.”

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Moura também se posicionou sobre o ICE, em entrevista recente à Variety, embora de forma indireta, ao comentar o assassinato da ativista Renee Good em Minneapolis. “Foi um daqueles momentos meio ‘que porra é essa?’ que deveria acordar as pessoas.”

“Este é um filme que nasceu do que Kleber e eu sentimos quando o Brasil estava sob esse tipo de governo fascista. Como nos sentíamos em relação ao nosso papel como artistas”, disse Moura, em outro momento da entrevista. “Vocês [norte-americanos] nunca tiveram a experiência de viver sob uma ditadura. Não sabem o que é isso, como é essa sensação ou o quanto isso é ruim. Isso acontece lentamente. E se você não reage às pequenas coisas, é aí que elas assumem o controle.”

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