Livros Superimportantes
Riqueza x religião
O desconforto da riqueza, a cultura holandesa na época do outro, Simon Schama, Companhia das Letras, São Paulo, 1992
No final do século XVII, a Holanda tornou-se a maior potência marítima e comercial do mundo. Do seu império faziam parte a Indonésia, o Suriname, algumas ilhas nas Antilhas e uma parte do Nordeste brasileiro. Mas, afinal, quem eram e como viviam os holandeses daquele tempo? Em busca dessa resposta, o autor, historiador inglês radicado nos Estados Unidos, não deixou escapar nada da obsessão pela higiene domestica aos prazeres e perigos oferecidos pelos bordéis. Percorrendo esses caminhos, Schama chegou ao dilema que atormenta aqueles homens: conviver com tanto dinheiro no bolso, ter acesso a tantos apelos considerados mundanos e ao mesmo tempo respeitar os fundamentos religiosos do protestantismo.
O príncipe da ecologia
O sabia e a floresta, Moacir Werneck de Castro, Editora Rocco Ltda., Rio de Janeiro, 1992
O jornalista Moacir Werneck de Castro reconstituiu a fascinante trajetória do naturalista e biólogo alemão Fritz Müller (1822-1897), considerado um precursor da Ecologia, que chegou a Santa Catarina em meados do século passado. Ali, ele permaneceu por 45 anos, até a morte. Em Blumenau, cidade que ajudou a fundar juntamente com outros imigrantes alemães, Müller iniciou suas aventuras cientificas e durante doze anos esteve a serviço do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Entusiasmado com A origem das espécies, de Charles Darwin, ele escreveu o livro chamado Pró-Darwin, publicado em Leipzig, Alemanha, em 1964. A partir daí, nasceu sua grande amizade com o cineasta inglês, de quem se tornou colaborador e que o chama apropriadamente de príncipe dos observadores da natureza.
Laranja maravilha
Gota de sol, José Hamilton Ribeiro e Amilton Vieira, Editora Globo, São Paulo, 1992
É uma viagenzinha danada ir de Santos a Wilmington, no Estado de Delaware, entrando 64 quilômetros de rio Delaware acima, num vagaroso navio de suco, escreve o jornalista José Hamilton Ribeiro. Mas, apesar da danadice de onze dias no mar sem que aparecessem náufragos ou sereias para quebrar a mesmice e mais outros dois para chegar a Tampa, na Flórida, ele e o fotógrafo Amilton Vieira foram em frente para explicar em palavras e belas fotos por que a laranja, além de ser a fruta mais produzida e desejada do mundo, é também um grande negócio. Nessa viagem, os jornalistas aproveitaram para relatar outras viagens, percorrendo os caminhos da História, da Geografia, da Botânica, da Bioquímica, da Genética. Dedicando aos que plantam, aos que sonham em plantar e àqueles que, simplesmente, apreciam a fruta.
Senhores e servos
Proteção e obediência, Sandra Lauderdale Graham, Companhia das Letras, São Paulo, 1992
Patrões de um lado, empregados domésticos do outro. A partir desse binômio, a autora, socióloga e historiadora americana, reconstrói o universo das criadas, livres e escravas, no Rio de Janeiro, no período de 1860 a 1910. Os personagens que se movem dentro das casas suntuosas da corte carioca e também nas ruas, becos e praças da cidade, revelam ao leitor dois mundos diferentes, com senhores e regras próprias. Ao mesmo tempo, mostram as transformações ocorridas na vida urbana e domestica, com o declínio do Império, a República e as reformas pelas quais passou a Cidade Maravilhosa.
Marcas misteriosas
O enigma dos círculos, Ralph Noyes, Editora Mercuryo, São Paulo, 1992
Eles surgiram da noite para o dia, nos campos de trigo do sudoeste da Inglaterra, em 1980 e, hoje, são calculados em mais de mil. No ano passado, dois sexagenários ingleses se declararam autores dos círculos, mas assustados com a repercussão mundial, acabaram por assumir a responsabilidade só dos primeiros. Para tentar esclarecer um pouco do mistério, o escritor Ralph Noyes também secretário do Centro para estudo dos círculos misteriosos criado em 1990 reuniu essa série de artigos com os resultados de onze anos de estudos sobre essas marcas redondas, que ninguém ainda consegue explicar.
Evolução pelo mestre
A galinha e seus dentes, Stephen Jay Gould, Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1992
Quem quiser entender o sucesso e as atribulações da teoria da evolução não pode perder essa coletânea organizada em 1982, quando se comemoraram os 100 anos da morte de seu criador, o inglês Charles Darwin. Quando mais não fosse, por causa do autor, paleontólogo americano, capaz de transformar a complexidade das análises técnicas em pura poesia. De quebra, ele discute curiosíssimos mistérios da vida, como o fato de certas galinhas terem dentes, ao contrario de qualquer outra ave nos últimos 50 milhões de anos. Por que nenhum animal de grande porte pode se locomover por meio de rodas? Apenas Gould sabe extrair sabedoria de perguntas aparentemente sem re.







