GABRILA65162183544miv_Superinteressante Created with Sketch.

A civilização perdida da Amazônia

Caverna da Pedra Pintada 11 200 anos atrás. Enquanto mulheres e crianças saem para colher castanhas-do-pará, os homens estão no meio da mata úmida caçando anta. A cena foi reconstituída a partir de uma descoberta que está colocando a arqueologia de pernas para o ar. Ela indica que o homem chegou ao continente americano há muito mais tempo do que se supunha, se adaptou bem a um ambiente considerado hostil e criou uma cultura superior à de outros pré-históricos de sau época. A SUPER foi até lá ver de perto o berço da cultura pré-histórica do Amazonas. Agora é a sua vez.

Os vestígios do brasileiro pré-histórico

Na opinião dos cientistas, selva, sombra e água fresca nunca foram condições ideais para o homem se desenvolver, especialmente se a floresta fosse fechada e o volume de líquido pudesse cobrir quilômetros de vegetação, dificultando a caça, como acontece na Amazônia. De fato, a arqueologia sempre desenterrou vestígios humanos em regiões secas e de temperatura amena. A partir de agora, a teoria pode mudar. Isso porque a americana Anna Roosevelt, professora da Universidade de Illinois e curadora do Museu Field de Chicago, achou indícios de uma cultura que teria evoluído em plena bacia amazônica no período paleolítico.

De 1990 a 1992, Anna fez oito viagens a um sítio arqueológico em Monte Alegre, município a 1 169 quilômetros de Belém, no Pará. Ela já havia estudado as cerâmicas do Museu Paraense Emílio Goeldi, na capital paraense, e estava convencida da passagem do homem pré-histórico por aquelas bandas. Com uma equipe de estrangeiros e brasileiros, chegou à Caverna da Pedra Pintada. Lá dentro, encontrou muito mais do que esperava.

Os vestígios (veja o infográfico ao lado) provam que o homem viveu ali há pelo menos 11 200 anos, ocupando a caverna em quatro períodos ao longo de 1 200 anos. Essa datação, feita por cinco laboratórios diferentes, ameaça a tese de que a ocupação do continente americano ocorreu há somente 12 000 anos, através do Estreito de Bering (veja a página 53). Mas a maior reviravolta diz respeito à própria evolução. “Esta descoberta mostra que o desenvolvimento humano em florestas tropicais não apenas era possível como natural”, disse Anna à SUPER. Para a arqueóloga, esses “paleoíndios” fizeram mais do que sobreviver. Eles manifestaram seu conhecimento em pinturas rupestres “grandiosas”, como ela diz.

Meu reino por um pouco de terra firme…

Descendo o Amazonas de barco, dá para ir de Santarém a Monte Alegre (veja o mapa na página 47) em cinco horas. A velocidade média é de 25 quilômetros por hora. É um passeio fascinante e assustador. Especialmente na época da cheia (de dezembro a março), quando a água cobre parte da floresta. Parece que nunca mais vai se pisar em terra firme. Difícil imaginar que uma civilização pudesse ter aparecido num lugar assim. Mas o fato é que apareceu.

A descoberta de Anna Roosevelt vai mudar a lenta rotina da cidade de Monte Alegre. O prefeito Mário Ishiguro quer colocar guardas florestais nos acessos às serras, numa extensão de 100 quilômetros quadrados, para proteger as pinturas contra predadores. “Vamos criar um parque nacional de um jeito ou de outro. Aquilo ali é um patrimônio da humanidade”, diz Nelsí Sadeck, engenheiro da secretaria dos transportes e assessor do prefeito “para assuntos complicados”.

Pistas do século XIX

Foi Sadeck quem encontrou a arqueóloga no meio da rua, procurando por alguém que a levasse até as serras. Desde então, virou pau para toda obra da cientista. Anna soube das pinturas lendo o livro Viagens pelos Rios Amazonas e Negro, de 1853, escrito pelo naturalista inglês Alfred Russel Wallace, co-autor da teoria da evolução ao lado de Charles Darwin. Wallace havia chegado a Monte Alegre em agosto de 1849. No livro ele conta que visitou primeiro o lugar que hoje se chama Pedra do Pilão, “passando por cima dos rochedos, com risco constante de cair no abismo”. Ali perto Wallace achou pinturas preservadas nurn grande paredão rochoso, o Painel da Pedra do Pilão. Fez, então, a primeira descrição científica daquela arte pré-histórica. “Os riscos eram vermelhos. As inscrições pareciam recentes, pois não estavam descoradas. Nenhum dos homens tinha idéia de sua antiguidade”. Nem ele, pois ainda não existia a tecnologia necessária para fazer a datação. Agora, Anna Roosevelt afirma que algumas delas têm 11 200 anos.

Ainda hoje é uma aventura ir ao Mirante, um amontoado de rochas bem no cume da Serra do Ereré, onde fica a pintura conhecida como A Lua e o Sol Raiado (veja foto acima). Comunicando-se diretamente com os satélites GPS (que em minutos mapeiam qualquer ponto do planeta), Sadeck mediu a altura exata do pico, 305 metros acima do nível o mar, e a distância da cidade, 12 quilômetros. Isso em linha reta, porque entre os dois pontos, a floresta encharcada pelo rio é intransponível. A saída é pegar um desvio de 45 quilômetros por estrada precária.

Chegando às serras, é preciso escalar as encostas até as cavernas e paredões onde estão os desenhos. As escaladas não são grandes, coisa de uns 50 metros. Mas leva cinco horas para fazer o roteiro completo. Dá vontade de sugerir que as escolas incluam a disciplina de alpinismo no curso de jornalismo. Além, disso, os monte-alegrenses avisam que a área é infestada de cascavéis. Mesmo assim, vale mais do que a pena. Nenhuma fotografia transmite a força que as pinturas têm ao vivo. Uma das mais impressionantes é a dupla de espirais na Caverna da Pedra Pintada, tida como uma representação das trompas femininas. Especialmente porque ao lado se vê o contorno do órgão reprodutor masculino. Tão interessante quanto a imagem de uma mulher dando à luz (veja as fotos acima). Outros desenhos mostram detalhes sobre plantas e animais. Ou seja, os pintores tinham um bom conhecimento de botânica e biologia ainda que em termos simples.

7000 anos com a mão no barro

Desenhos e pontas de flecha são apenas um dos indícios da incrível cultura construída pelos povos de Monte Alegre. Acima deles, no buraco escavado, há restos também importantes. São fragmentos de ceramica, restos de cuias e vasos, com até 7 600 anos de idade. Podem representar os primeiros sinais de um desenvolvimento tecnológico como poucos já vistos na história da humanidade. O motivo dessa suspeita é que a Amazônia tem sido urna mina de ouro para os estudiosos da cerâmica.

Por todos os lados se vêem as peças de uma arte que, tudo indica, foi cultivada e aprimorada milênio após milênio, às margens dos grandes rios da região. Às vezes nem é preciso escavar: este ano, em frente a Manaus, o Arnazonas desbarrancou um pedaço grande das margens e pôs à mostra magníficas urnas funerárias de barro. Ainda não foi possível estudá-las e datá-las. Como muitas outras relíquias do passado, as urnas forarn incorporadas à preciosa coleção da região.

“Já são mais de mil locais com restos de cerâmicas”, avalia a arqueóloga Vera Guapindaia, do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém. Uma das maiores conhecedoras do as sunto, Vera explica que o mapa cultural da Amazônia pré-histórica ainda está por ser desenhado. “Os sítios mais conhecidos são os da Ilha de Marajó e os da cidade de Santarém”, diz ela. São objetos de todos os tipos, esculpidos na argila e depois decorados com habilidade excepcional. Mas Vera adverte que não dá para dizer que os sítios de Marajó e Santarém sejam os mais importantes. “Amanhã alguém pode encontrar coisas mais sensacionais num lugar que nem se esperava”.

Pelo que se sabe, a cerâmica amazônica mais sofisticada começou a ser produzida por volta de 3 000 anos atrás. São dessa época os exemplares mais antigos de Santarém e Marajó (veja as fotos nesta página). Suspeita-se que foram feitos por profissionais que moravam em sociedades avançadas. Isso porque, numa comunidade primitiva, todo mundo faz um pouco de tudo no dia-a-dia. Só numa estrutura social bem organizada as tarefas podem ser divididas. Aí, cada um se dedica em tempo integral a um trabalho específico, no plantio, na pesca, na guerra – e até nas oficinas de cerâmica.

Metrópole do mundo antigo

Ninguém sabe como eram ou o que aconteceu com essas sociedades. O fato é que a cerâmica continuou sendo importante na Amazônia, pois os índios da região são grandes mestres da arte ainda hoje. Outro fato indubitável é que a tecnologia do barro foi dominada muito antes de 3 000 anos. Em Monte Alegre, Anna Roosevelt mostrou que ela existia há 7 500 anos. Num outro lugar, chamado Taperinha, perto de Santarém, Anna datou peças ainda mais antigas, com 8 000 anos de idade. Vera conta que os pesquisadores do Goeldi conseguiram fazer pelo menos mais duas datações importantes. Em Salgado, ainda nas vizinhanças de Santarém, algumas peças têm 4 900 e outras têm 3 400 anos.

Anna acredita que as relíquias amazônicas estão ligadas entre si, em maior ou menor ou menor grau. Está convencida que as pontas de flechas de Monte Alegre representam um marco, o início de um gigantesco processo de desenvolvimento cultural na região que, mais tarde, passou para a tecnologia da cerâmica e não parou mais. Até que a chegada dos portugueses interrompeu o processo. Anna especula que Monte

Alegre, há 11 000 anos, poderia ter nada menos que 300 000 habitantes, quase

cinco vezes mais do que a população atual. Se foi assim, a região teria sido uma das grandes metrópoles do mundo em sua época.

Fartura trouxe progresso

Mas a pesquisadora ainda não tem dados suficientes para comprovar suas idéias. Por enquanto, ela se baseia naquilo que viu nas cavernas: um alto grau de conhecimento, sugerido pelas pinturas, e uma grande diversidade de frutas e animais utilizados na alimentação, conforme se comprova pelas escavações. O povo de 11 200 anos, segundo o palpite da arqueóloga, tinha melhores condições materiais que os atuais indígenas brasileiros. Explorando com eficiência a floresta, os paleoíndios obtinham mais recursos do que precisavam para a simples sobrevivência. Tinham condições de progredir. Anna chega a suspeitar até que eles provocaram alterações na própria floresta. Não é impossível. O homem realmente pode favorecer certas espécies em detrimento de outras, aumentar a produtividade do solo ou modificar parcialmente o curso dos rios. Se Anna estiver certa, a Amazônia não foi apenas um fértil berço de civilização. Foi também, pelo menos em parte, criada pelo homem.

A polêmica povoação da América

As descobertas feitas em Monte Alegre podem derrubar de vez um dos mais capengas dogmas científicos, o de que povos asiáticos começaram a povoar o continente americano numa viagem da Sibéria para o Alasca há somente 12 000 anos ou pouco antes disso. Alguns antropólogos e arqueólogos acham que a travessia ocorreu há mais tempo, durante uma das várias glaciações ocorridas nos últimos 100 000 anos (veja o infográfico ao lado). Mas a maioria fecha com a teoria de que a passagem aconteceu mesmo na última glaciação, por volta de 12 000 atrás. Foi a última oportunidade de os andarilhos alcançarem o Canadá a pé. Depois, o derretimento do gelo fez a água do mar subir cerca de 100 metros, dificultado o acesso.

As evidências mais bem comprovadas da primeira civilização desenvolvida na América remontam a 11 400 anos. Foram encontradas em Clovis, Novo México, sudoeste dos Estados Unidos. Aí, descendentes de migrantes asiáticos teriam desenvolvido uma teconologia de pontas de flecha, feitas de pedra, denominadas pontas de Clovis.

Cadê o elefante?

Anna argumenta que os paleoíndios amazônicos nada têm a ver com a turma de Clovis. Eles assavam seus peixes praticamente na mesma época em que apareceram as flechas norte-americanas. E fisgavam o almoço com pontas originais, diferentes de qualquer outra. Assim, Clovis não foi o único foco de cultura, nem o mais antigo. Anna acredita que houve várias levas de asiáticos, e que cada uma tomou seu rumo (veja o infográfico). Os povos amazônicos podem ter descido a costa do Pacífico, chegando a Monte Alegre depois de cruzar a Colômbia.

Enquanto isso, ainda na opinião de Anna. outro bando seguiu atrás de caça na direção leste dos Estados Unidos e foram dar em Clovis. “Para mim, Clovis é a tromba do elefante e Monte Alegre, o rabo. Falta descobrir o que está no meio”, diz ela, ainda sem saber se há outros povos, intermediários entre os norte-americanos e os amazonenses.

A comunidade acadêmica se impressionou com as revelações da arqueóloga, mas ainda está cautelosa quanto à interpretação de toda essa história. Para o respeitado arqueólogo C. Vance Haynes, da Universidade de Arizona, os vestígios de Monte Alegre provam que “havia gente perambulando pela Amazônia antes do que se imaginava, mas não há como garantir que eles não descendiam de Clovis”. A arqui-rival de Anna, a arqueóloga Betty Meggers, do Instituto Smithsonian de Washington, nos Estados Unidos, é mais taxativa: “Tudo o que ela está encontrando é resultado de múltiplas reocupações de terra por povos que viviam de caça e coleta, como se vêem até hoje na Amazônia, e não o produto de sociedades indígenas complexas”, disse à SUPER.

A procura continua

Com ou sem polêmica, Anna não vai parar por aí. Seu próximo passo será voltar à Amazônia o quanto antes, provavelmente ainda este ano, para tentar achar material orgânico perto do sitio arqueológico de Monte Alegre. Sabendo que restos humanos podem ser encontrados em lugares muito secos ou totalmente submersos na água (embora esta última possibilidade seja muito rara), ela quer vasculhar os pantanos da região em busca de ossos dos paleoíndios. “Isso seria maravilhoso”, diz a arqueóloga brasileira Christiane Machado, a principal assistente brasileira na equipe de Anna Roosevelt. “De qualquer forma, o que se descobriu até agora é extremamente importante. Não só para a história do Brasil, como para a história da humanidade: estamos entendendo que o homem não é tão limitado como se pensa.”

PARA SABER MAIS

Amazônia, a ilusão de um paraíso, de Betty J.Meggers, Itatiaia/Edusp, São Paulo, 1987

Fósseis do Brasil, de Murilo Rodolfo de Lima, Edusp, São Paulo, 1989

O museu paraense Emilio Goeldi, vários autores, Banco Safra, São Paulo, 1986

NA INTERNET:

Field Museum, http://www.bvis.uic.edu/museum

No rastro dos paleoíndios

As escavações na Caverna da Pedra Pintada deram pistas sobre a presença de homens pré-históricos na Amazônia

Faca amolada

Foram encontrados 24 instrumentos de pedra entre as 30 000 lascas desenterradas. As análises mostraram que o material é feito de dois tipos de pedra, 60% de quartzo e 40% de calcedônia, o que sugere mudanças de tecnologia ao longo do tempo. Os fragmentos devem ter pertencido a facas, lâminas de machados e pontas de flecha e de lança.

Ao pé do fogo

Pedaços de madeira carbonizados ajudaram a identificar o que era usado nas fogueiras que aqueceram os antigos monte-alegrenses. Entre outras árvores, havia jutaí e achuá. Junto do carvão estavam sementes de frutas como a pitomba e a castanha-do-pará, o que permitiu recompor a dieta dos paleoíndios.

Cardápio variado

Apesar de comer muita fruta, o povo da caverna era carnívoro. A prova são restos de ossos de animais carbonizados, indicando que o paleoamazonense também se alimentava de peixes (pirarucu, traíra, dourado, bagre), aves, morcegos, ostras, tartarugas, cobras, rãs e sapos, roedores e grandes mamíferos, como a anta.

Utilidades domésticas

Parte das lascas de cerâmica de até 7 500 anos encontradas na caverna são pratos e cuias de uma cultura chamada Paituna. Outra parte foi classificada como Aroxi, dois nomes dados por Anna Roosevelt. Seus autores eram povos que viveram nas imediações do sítio arqueológico 2 OOO anos depois dos primeiros monte-alegrenses (veja linha do tempo na págna 5O).

Arte mural

As pinturas rupestres do local têm vários estilos, o que leva os pesquisadores a duas interpretações. Pode ser que a caverna tenha sido ocupada por povos diferentes. Ou, então, que a técnica tenha ido se modificando ao longo do tempo. Sabe-se que o pigmento vemmelho usado nos desenhos é óxido de ferto, extraído da hematita.

Onde tudo começou

Monte Alegre está na margem esquerda do Amazonas e o sítio arqueolõgico estudado fica a 10 quilômetros do rio. envolvendo seis locais de pinturas. Serra da Lua 1, Gruta Itatupaoca 2, Alto da Pedra do Mirante 3, Pedra do Pilão 4, Painel da Pedra do Pilão 5 e Caverna da Pedra Pintada 6, onde foi feita a escavacao.

Desenterrando o passado

As escavações atingiram até 2,25 metros de profundidade e atravessaram quatro camãdas de sedimentos ou seja do material que foi seacumulando no chão anos a fio. Animais profunda 1 e mais antiga é pura areia. Acima dela estão as duas cemadas mais importantes 2 e 3 com . espessura variando ent;e 15 e 45 centimetros de onde se retiraram 30 000 fragmentos de pedra e restos de alimentos. Ambas têm idade média de 11200 anos na b?se e 10 000 anos no topo. As ceramicas partidas toram acludvssa camada superflcial 4 que data de 7 580 anos embaixo a 6 620 anos em cima.

A vanguarda da pre-historia

0 que mais fascina nas pinturas rupestres de Monte Alegre é o estilo do desenho. Enquanto o europeu pré-histórico se expressava na linha naturalista, fiel à realidade, o homem amazõnico fazia tudo estilizado. Alguns rabiscos evocam a natureza, como A Lua e o Sol Raiado 1, outros misturam bichos e gente 2. Uns sintetizam as trompas femininas em espirais 3, outros descrevem um parto em linha reta 4.

Tecnologia de pontas

Na Caverna da Pedra Pintada havia fragmentos de pontas de lança parecidas com estas que estão desde a década de 60 no Museu Paraense Emílio Goeldi e pertencem à cultura tapajônica (do Rio Tapajós), ainda sem datacão

Objetos Sagrados

Os chamados vasos de gargalo, com motivos zoomorfos, podiam ter função mística e cerimonial. Estes deis foram encontrados perto de Santarém, no Pará

Em grande estilo

Parece uma obra moderna, mas isto é um raspador esculpido em quartzo leitoso, achado entre os rios Tapajós e Trombetas

Fazendo lenda

Não se sabe se os amuletos conhecidos como muiraquitãs são heranca asiática ou estão ligados à lenda das guerreiras Amazonas. Eles são feitos dos minerais jadeíta e nefrita, em forma de batráquios

Peça rara

Missionários que foram à Amazônia destruíram esculturas de pedra que estilizavam animais. Esta tartaruga, felizmente, sobreviveu

Detalhes tão pequenos

Uma característica da cultura de Santarém, também chamada tapajônica, era usar pedras para fazer rodelas de fusos, para fiar. Por menores que fossem, eram adornadas

Imagem e semelhança

Perto da boca do rio Tapajós, onde está Santarém, também foram achadas estatuetas antropomorfas. Esta aqui representa uma mulher adornada com cocar, braceletes e tornozeleiros.

Era luxo só

Alguns vasos têm um rebuscado trabalho de modelagem nas alcas, sinal do estágio adiantado da cultura a que pertenceram. A sociedade podia se dar o luxo de ter alguém para modelar o barro demoradamente

A técnica pré-histórica

Povos evoluídos tinham linha de montagem de potes

Primeiro se faziam vários rolos de barro. Por parecerem cordas, a técnica se chama cordelada.

Esses rolos, de comprimentos diferentes, eram sobrepostos para formar o corpo do vaso.

Finalmente se fazia o acabamento, preenchendo os espaços entre os rolos.

A longa viagem a pé

Asiáticos podem ter cruzado o Pacífico nas glaciações dos últimos 100 000 anos

Andando no fundo do mar

Durante as eras glaciais, boa parte da água do mar virava gelo, deixando o fundo exposto nos lugares rasos. Dava para passar a pé. Como a última glaciação terminou há 12 000 anos, o homem seguramente chegou aaui antes disso.

Civilização das flechas

Até a década de 60, acreditava-se que os mais antigos americanos moravam na região central dos Estados Unidos, conhecidos por um tipo de ponta de flecha denominado Clovis. Eles teriam desenvolvido essa técnica depois de seus antepassados virem da Ásia há pouco mais de 12 000 anos.

Outros artesãos

Além das pontas de flechas achadas em Clóvis, existem mais quatro tipos: rabo-de-peixe, ocidental americano, El Jobo e, agora, Monte Alegre. Infelizmente não dá para relacionar as pontas entre si. Os exemplares conhecidos são poucos e esparsos.