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Alguma organização terrorista pode detonar uma bomba atômica?

Texto Lorena Verli e Erika Machado Lettry

Não é impossível, mas a tarefa é bem complicada. Construir uma bomba do zero é uma hipótese descartada – o custo em aparelhos e tecnologia seria inviável. Roubar uma bomba pronta também é fria. “Artefatos nucleares são guardados em instalações fortificadas e vigiadas por tropas de elite”, afirma o jornalista americano William Langewiesche, especialista no assunto e autor do livro O Bazar Atômico. A ameaça mais palpável é se algum grupo terrorista afanar planos de construção e combustível nuclear. Aí, sim, o estrago pode ser de grandes proporções (veja no infográfico). Por enquanto, o caso mais notório de roubo de planos nucleares aconteceu na década de 1970, quando o engenheiro paquistanês Abdul Qadeer Khan contrabandeou projetos nucleares de um consórcio europeu. Depois, como chefe de um laboratório do governo do Paquistão, Khan teve a estrutura necessária para produzir o urânio enriquecido da bomba atômica paquistanesa, testada com sucesso em 1998. Hoje, um risco mais real é o uso das chamadas bombas sujas, feitas com material radioativo, mas sem a potência de uma arma nuclear. A carga é espalhada com a ajuda de explosivos, expondo milhares de pessoas a doenças como o câncer. Mesmo assim, ainda seria preciso roubar combustível. Você vai ver ao lado que isso não é nada fácil.

Ameaça explosiva

Para dar certo, ataque nuclear terrorista precisaria seguir um roteiro muito louco

1. DEFINIR O PLANO

A matéria-prima de qualquer bomba atômica é o material radioativo altamente enriquecido, que só é feito em instalações militares. Seria necessário roubá-lo de um país que desenvolvesse armas atômicas.

AÇÃO DOS TERRORISTAS – Atacar a Rússia. O país concentra o maior estoque mundial de plutônio e urânio altamente enriquecido.

2. ROUBAR COMBYSTÍVEL

Como o combustível fica guardado em abrigos nucleares murados, um ataque geraria uma violenta resposta militar.

AÇÃO DOS TERRORISTAS – Um funcionário desses depósitos teria mais chances de passar pelas portas com a carga. 50 quilos de urânio enriquecido, o suficiente para uma megaexplosão, cabem em uma mochila.

3. MALOCAR O URÂNIO

A idéia é retirar o urânio rapidinho do país produtor sem despertar suspeitas.

AÇÃO DOS TERRORISTAS – Ir de carro até o mar Cáspio, tomar um barco, desembarcar no Irã e cruzar a fronteira com a Turquia. De lá, atravessar o mar Mediterrâneo de barco, evitando a fiscalização em fronteiras secas.

4. ENTRAR NO PAÍS-ALVO

Desde o 11 de Setembro, medidas de segurança em fronteiras aumentaram no mundo todo. Com os EUA super-reforçados, o alvo preferencial poderia ser um aliado um pouco mais vulnerável, como o Reino Unido.

AÇÃO DOS TERRORISTAS – A única chance de entrar seria ir até um porto clandestino.

5. MONTAR A BOMBA

Aqui, os terroristas precisam formar um time do mal: um físico ou engenheiro nuclear, dois metalúrgicos, um perito em explosivos e um especialista em eletrônica para montar o detonador.

AÇÃO DOS TERRORISTAS – Montar uma empresa de fachada, com atividade que naturalmente gere barulho (produção de bombas… de sucção, por exemplo). Uma garagem para 5 carros tem espaço suficiente.

6. EXPLODIR A BOMBA

Se a idéia é ferir o maior número de pessoas possível, os terroristas precisam transportar a bomba até uma grande cidade, como Londres. Um furgão conseguiria levar a ogiva.

AÇÃO DOS TERRORISTAS – Explodir a bomba no ar, a cerca de 600 metros do chão, como em Hiroshima. Assim, uma bomba atinge o seu máximo efeito. Um jatinho daria conta de transportar um artefato de 1 megaton.

7. AGüENTAR O TRANCO

A resposta à explosão seria devastadora. As duradouras reações do 11 de Setembro dão uma indicação do que viria pela frente. Se algum país fosse ligado ao ataque, o revide também poderia assumir a forma de uma bomba atômica.

AÇÃO DOS TERRORISTAS – Fugir para uma caverna no Paquistão. Isso, claro, se eles não decidirem se explodir junto com a bomba.