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Antepassados brasileiros eram negróides

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
31 mar 2000, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h28
  • O antropólogo brasileiro Walter Neves, 42 anos, levantou uma tese perturbadora a respeito dos primeiros habitantes do continente. Ele mostrou que, antes de homens pré-históricos asiáticos chegarem à América, há 12 000 anos, houve uma outra leva de imigrantes, até então insuspeitada.

    O mais impressionante é que os primeiros colonizadores teriam feições parecidas com as de africanos e australianos. Seriam representantes do povo mais antigo a pisar na América, aonde chegaram passando da Sibéria para o Alasca pelo Estreito de Bering, no norte do Oceano Pacífico. Não se sabe como desapareceram do continente.

    Neves chegou a essas conclusões depois de analisar o crânio de uma mulher pré-histórica, batizada de Luzia. Trata-se do mais antigo osso humano identificado com segurança nas Américas. Tem entre 11 000 e 11 500 anos. Neves descobriu diversos crânios de homens pré-históricos na América do Sul que não revelam os traços asiáticos atribuídos aos indígenas das Américas. “Luzia não é notável por ser o crânio mais antigo”, ressalta André Prous, da Universidade Federal de Minas Gerais. “O importante é que ela representa uma população da qual não se suspeitava até pouco tempo.” Walter Neves defende sua teoria há doze anos, mas só agora, em 1998, ela foi admitida pela comunidade científica internacional. “Hoje todos a consideram, porque cientistas americanos descobriram a mesma coisa”, alega.

    “Mas eu tive a coragem de dizer isso no final dos anos 80.”

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    Um encontra, o outro decifra

    O mineiro Walter Neves, antropólogo da Universidade de São Paulo, cultiva uma parceria de sucesso com o francês André Prous, 55 anos, arqueólogo da Universidade Federal de Minas Gerais. Neves especializou-se na análise anatômica de crânios humanos. Prous radicou-se no Brasil, nos anos 70, e vasculha o país em busca de vestígios de populações pré-históricas – além de tocar muito bem o alaúde. Prous é quem fornece a matéria-prima que Neves decifra. Eles reconhecem que são muito diferentes, mas a cooperação é frutífera. “Brigamos a maior parte do tempo, mas nunca perdemos a estima”, diz Neves. “Graças à crítica mútua, o trabalho conjunto resulta melhor do que feito isoladamente”, completa Prous.

    O dinamarquês da Lagoa Santa

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    Walter Neves e André Prous são continuadores do trabalho de Peter Wilhelm Lund (1801-1880), biólogo dinamarquês considerado o pai da Paleontologia brasileira, radicado em Minas em 1834. Lund encontrou os crânios pré-históricos que ficaram famosos como os “homens de Lagoa Santa”, ainda hoje entre os mais antigos das Américas. Ao longo de uma vida dedicada à Arqueologia, o pesquisador desenterrou fósseis de 56 gêneros e 114 espécies de animais, muitas das quais já extintas, como preguiças gigantes ou tigres-de-dente-de-sabre. Este último animal, aliás, foi identificado pela primeira vez, no Brasil, pelo dinamarquês. “Lund é um herói nacional na Dinamarca. Deveria ter o mesmo reconhecimento no Brasil”, ressalta Walter Neves.

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