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Após 80 anos, navio brasileiro torpedeado por submarino alemão é encontrado

Essa embarcação civil, convocada pela Marinha durante a 2ª Guerra, acabou destruída por um submarino nazista.

Por Manuela Mourão 2 fev 2025, 19h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h17
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Getúlio Vargas acompanhou a 2ª Guerra Mundial por muito tempo à distância, sem se envolver diretamente, adotando uma postura abertamente neutra. O presidente, que tinha sua própria ditadura para administrar, mantinha laços político-econômicos tanto com os Estados Unidos quanto com a Alemanha.

O historiador brasileiro Boris Fausto, em seu livro História do Brasil, lembra que, em um dado momento, a Alemanha nazista foi o maior comprador de algodão e café do Brasil. A influência chegava tão forte à América Latina que o Tio Sam precisou tomar uma atitude. Os EUA, com uma boa dose de ciúmes e algumas vantagens a oferecer, pressionaram o Brasil a se unir aos Aliados. 

Enquanto isso, submarinos nazistas passaram a atacar navios brasileiros, muitos deles civis. Esses ataques foram o gatilho que a opinião pública precisava para apoiar a entrada do Brasil na guerra. Vargas, aos poucos, alinhou-se mais com os Estados Unidos e, em 1942, rompeu oficialmente as relações diplomáticas com os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). 

Além de declarar apoio aos Aliados, Vargas enviou cerca de 25 mil soldados para combater na Europa. Em 1944, embora já estivessem (muito bem) encaminhados para a derrota, os alemães ainda patrulhavam o Atlântico Sul e lançavam torpedos contra embarcações mercantes brasileiras. Um dos navios atingidos foi o Vital de Oliveira

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Este mês, 80 anos após o fim 2ª Guerra Mundial, a Marinha do Brasil confirmou que a carcaça do navio foi encontrada no litoral do Rio de Janeiro. A identificação ocorreu por meio de sondagens com sonar, que confirmaram sua posição.

Imagem do Vital de Oliveira é localizado pela Marinha no litoral do Rio de Janeiro
(Marinha do Brasil/Reprodução)
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A Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM) vai começar um projeto de pesquisa arqueológica e mapeamento tridimensional. Também estão previstas filmagens em 360º do naufrágio. O Vital de Oliveira é um patrimônio protegido por lei, o que significa que a remoção de seus destroços, sua exploração e pesquisa são regulamentados.

A carcaça foi encontrada por acaso. Um pescador pediu a mergulhadores que recuperassem sua rede presa no fundo do mar. A dupla que afundou em direção à rede enrolada descobriu que os fios não tinham se prendido em uma rocha, mas sim em escombros da embarcação perdida, 55 metros abaixo da superfície.

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Embora as coordenadas do naufrágio tenham sido identificadas, a Marinha informou, em nota ao jornal O Globo, que “atualmente não realiza pesquisas de localização de sítios arqueológicos de naufrágios” e, por isso, não há planos para a recuperação dos destroços.

A Marinha também declarou ao jornal que “em conjunto com instituições acadêmicas e de pesquisa, continua a trabalhar para proteger o patrimônio cultural subaquático do país, garantindo que essas ‘cápsulas do tempo’ (os naufrágios) sejam estudadas e, quando possível, preservadas para futuras gerações”.

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No entanto, de acordo com os mergulhadores que encontraram o navio, é necessária uma ação imediata para preservar os restos da embarcação, caso contrário, é muito provável que os fragmentos sejam perdidos.

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Sobre o navio

Originalmente, o Vital de Oliveira se chamava Itaúba e tinha a mesma função das embarcações mencionadas por Dorival Caymmi na canção “Peguei um ita no Norte”. “Itas” eram navios de cabotagem da Companhia Nacional de Navegação Costeira que levavam carga e passageiros em viagens ao longo do litoral brasileiro.

Eles funcionavam como trens, percorrendo o litoral de cidade em cidade. Todos eram batizados com nomes indígenas tupis começados com a partícula ita: Itaberá, Itagiba, Itaguassu etc. 

Tudo mudou quando o Itaúba foi alistado à Marinha (não foi voluntário, claro: o ita dessa história estava afogado em dívidas e precisava de uma saída). Foi quando recebeu o nome com que ficaria conhecido, em homenagem ao Capitão de fragata Manuel Antônio Vital de Oliveira.

Quando se juntou à frota, era visivelmente menos preparado para as missões militares. Por isso, foi considerado um navio auxiliar, responsável por fazer a entrega de suprimentos para outras embarcações, ilhas e bases militares. 

Na sua última missão, o Vital de Oliveira deveria contar com a proteção do caça-submarino Javari, que estava encarregado de escoltar o navio até o Rio de Janeiro. No entanto, após cruzarem o Farol de São Tomé, os dois perderam contato visual, e o Vital seguiu sem a escolta. Quando o U-861 (submarino alemão) atacou, o Vital estava sozinho. Estima-se que 270 pessoas estavam a bordo, entre elas crianças e adolescentes. 99 morreram. 

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