OFERTA 10.10! Revista impressa com o MENOR PREÇO DO ANO! 🤑 Assine agora!

Como foi a primeira eleição presidencial do Brasil, em 1891?

Marechal Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente do país, foi eleito de forma indireta.

Por Amanda Nascimento 20 set 2026, 16h00
Como foi a primeira eleição presidencial do Brasil, em 1891? Priorizar nos meus resultados Google

No dia 15 de novembro de 1889, há quase 137 anos, acontecia a Proclamação da República. Na ocasião, Marechal Deodoro da Fonseca liderou as tropas do Exército que depuseram o imperador Dom Pedro II e o seu gabinete de ministros. Desde então, com a promulgação da Constituição de 1891, o Brasil é uma “república federativa presidencialista”.  

Isso significa algumas coisas. Primeiro, é uma república porque o poder emana do povo (a palavra vem do latim “coisa pública”), ou seja, serve ao interesse dos cidadãos. É federativa pela organização, que é dividida entre estados, cidades e distritos com certa autonomia –  mas que seguem as regras da Constituição Federal. E, por fim, presidencialista, porque está na figura do presidente a função de comandar o Poder Executivo.

Em fevereiro de 1891, foi a vez do novo Brasil escolher, pela primeira vez, um presidente. Para a ocasião, a nova constituição estabelecia o seguinte: poderiam votar todos os homens maiores de 21 anos, independentemente de renda, desde que não fossem mendigos, analfabetos, militares de patente baixa e religiosos que faziam voto de obediência. Mulheres sequer são citadas. 

Mas, acima de tudo, as eleições estavam previstas para serem diretas. Não foi isso, porém, o que aconteceu. Assim como voltaria a acontecer em outros momentos da história brasileira, ficou decidido que o primeiro presidente da República deveria ser eleito pelo Congresso Constituinte. Ou seja, foi uma eleição indireta. 

Continua após a publicidade

Como funciona a eleição americana?

Como candidatos, tivemos cinco nomes. 

Continua após a publicidade
  • Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, proclamador da República 
  • Prudente José de Morais e Barros, senador e advogado. Fazia oposição à Fonseca.
  • Marechal Floriano Vieira Peixoto, que participou da proclamação da República e também disputou a vice-presidência. 
  • Joaquim Saldanha Marinho, advogado e sociólogo republicano.
  • José Higino Duarte Pereira, advogado, historiador e escritor.

Na eleição, os candidatos disputavam a presidência e a vice-presidência de forma separada, sendo que o mesmo candidato poderia disputar os dois cargos. Naturalmente, saíram na frente aqueles que já tinham algum tipo de influência no cenário político do país: Marechal Deodoro, Prudente de Moraes e Marechal Peixoto. A disputa acirrada ficaria entre os dois primeiros. 

Aqui cabe voltar alguns passos e explicar os acontecimentos após 1889.

Continua após a publicidade

Com a Proclamação da República do Brasil, um Governo Provisório liderado por Deodoro da Fonseca assumiu o comando do país. Entre muitas mudanças que aconteceram nesse período (como a separação de Igreja e Estado), a criação da “Comissão dos cinco” talvez seja a mais notória.

Seu objetivo consistia em escrever o projeto da primeira Constituição Republicana do Brasil, que viria a ser promulgada em 1891. Para isso, cinco juristas foram escolhidos a dedo por Fonseca. Mas dentro do próprio Governo Provisório havia disputas sobre qual deveria ser o conteúdo ideológico do documento. 

Continua após a publicidade

Duas correntes republicanas se chocavam: a corrente liberal-democrática, que queria uma República federativa e presidencial, com separação de poderes, nos moldes estadunidenses; e a corrente positivista, apoiada principalmente pelos militares. 

Nessa disputa, viria a vencer os liberais, que tinham nomes como Campos Sales, Ruy Barbosa e Prudente de Morais. O texto final da Constituição de 1891 teve forte inspiração nos modelos constitucionais dos Estados Unidos, da Argentina e da Suíça – e também botou fim ao Poder Moderador e criou a tripartição de poderes. 

Continua após a publicidade

Voltando às eleições de 1891. O Governo Provisório de Marechal Fonseca acarretou uma grande crise econômica no país e a opinião pública não era exatamente favorável ao militar. Em clima de crise, senadores e deputados que formavam a Assembleia Constituinte começaram a votar. 

E a sessão foi toda bem tensa. Por um momento, Prudente de Morais tinha a maioria a seu favor, mas os militares ameaçaram os parlamentares e os forçaram a votar em Fonseca. Terminada a apuração dos votos, o parlamentar Antônio Eusébio anunciou: “Está eleito Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil o sr. Manuel Deodoro da Fonseca”. O vice eleito foi Floriano Peixoto.

O governo de Fonseca ficou marcado pela instabilidade política, crise econômica e autoritarismo. Em 3 de novembro de 1891, em resposta às pressões políticas e à oposição, o presidente decretou o fechamento do Congresso Nacional e instaurou o estado de sítio. 

A medida, porém, causou reação popular e política e levou Fonseca a renunciar ao cargo. Foram apenas 9 meses entre sua posse e a sua renúncia. No seu lugar ficou o vice Floriano Peixoto, que terminou seu mandato e ficou conhecido como “consolidador da República” e “Marechal de ferro”, principalmente pela repressão de revoltas que aconteceram em seu governo. 

Anos depois, em 1894, Prudente de Moraes conseguiu ser eleito presidente – e, dessa vez, de forma direta. Ele foi o primeiro presidente civil e eleito de forma direta do Brasil.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas

ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ESQUENTA 10.10

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).