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Máquinas realizam o sonho de voar

Aviões gigantes, trens supervelozes e carros baratos encurtam todas as distâncias.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h28 - Publicado em 31 out 1999, 22h00

Em dezembro de 1903, os americanos Wilbur (1867-1912) e Orville Wright (1871-1948) tornaram possível um dos sonhos mais ambiciosos do ser humano: voar. Com a ajuda de uma catapulta, eles fizeram algo mais pesado que o ar planar como uma ave. Três anos depois, o brasileiro Alberto Santos-Dumont (1873-1932) voou na França a 6 metros de altura, por 1 minuto, sem empurrão nenhum, diante do olhar fascinado de centenas de parisienses. Fica a pergunta: quem inventou o avião, Santos-Dumont ou os irmãos Wright? O assunto é polêmico. Não há dúvida de que os americanos voaram antes, mas o brasileiro foi o primeiro a se erguer do chão e pousar por seus próprios meios, impulsionado no ar apenas pelo motor.

Na I Guerra Mundial, o avião foi empregado para jogar bombas. Mas foi durante o conflito que se percebeu que esse aparelho podia transportar passageiros, tornando as viagens muito mais rápidas. A tecnologia aeronáutica fez o histórico Ford 4-AT, de 1926, que carregava treze ocupantes, transformar-se no gigantesco Boeing 747 (veja abaixo). Viajar de avião se tornou comum a ponto de provocar congestionamentos nos aeroportos. Os computadores de bordo melhoraram a segurança, diminuindo os riscos de falhas da tripulação. Dos 18 milhões de vôos comerciais realizados em 1998, apenas dez resultaram em tragédia. Santos-Dumont ficaria contente com a notícia. Os irmãos Wright, também.

Os astros dos aeroportos

O supersônico anglo-francês Concorde, lançado em 1976, pode ser o supra-sumo da tecnologia aeronáutica, mas o senhor dos ares tem sido nas últimas três décadas o americano Boeing 747. O Jumbo, como é conhecido, é o maior avião do mundo. Carrega 416 passageiros, mede 70 metros e pesa 397 toneladas. Apesar de tudo isso, o Boeing está fadado a logo se tornar uma relíquia do século XX. Seus sucessores já estão no ar – como os jatos A-330 e A-340, do consórcio europeu Airbus, em que todos os comandos são acionados por computadores de bordo – ou nas pranchetas dos engenheiros. É o caso da aeronave que a própria Boeing está projetando em parceria com a Nasa. Ainda sem data marcada para o lançamento, ela voará a uma velocidade três vezes maior que a do som, de 1 100 quilômetros por hora, tornando as viagens cinco vezes mais rápidas do que atualmente.

Um luxo que se democratizou

Poucas obras humanas marcaram o século XX tanto quanto o automóvel. Inventado em 1885 pelo alemão Karl Benz, o veículo era uma extravagância de ricaços até que, em 1908, o americano Henry Ford (1863-1947) instalou uma fábrica voltada para a produção de carros em série. Nasceram assim as modernas linhas de montagem (na foto, a fabricação do Fiesta na Ford de São Bernardo do Campo, no Estado de São Paulo).

Se fosse um animal, o carro seria uma espécie muito bem-sucedida – passou de algumas centenas de indivíduos em 1900 para cerca de meio bilhão em 1992. Mas essa espécie terá de se adaptar a uma mudança profunda – seu principal alimento, o petróleo, um dia vai acabar. Os automóveis do futuro serão movidos a eletricidade, a ser obtida a partir do hidrogênio.

Os trens

São uma herança do século XIX, mas foi nestes últimos 100 anos que eles se tornaram velozes como balas. Daí o nome com que foi batizado o trem japonês Shinkansen: trem-bala. Para estas máquinas já são comuns velocidades acima de 300 quilômetros por hora. Em testes, elas podem atingir até 500 quilômetros por hora, metade da velocidade de um avião comercial, com a vantagem de carregar muito mais gente.

Dos clipes aos chips

O avanço da tecnologia no século XX não deixou nada sem a sua marca – dasviagens espaciais às coisas mais simples do cotidiano.

1900 – Desde que o norueguês Johann Vaaler patenteou o desenho, em 1900, um número incalculável de clipes já foi produzido. É uma das glórias do design do século XX. Permanece o mesmo há 100 anos.

1900 – Na Alemanha, o conde Ferdinand von Zeppelin (1838-1917) lança em 2 de julho o primeiro de sua linha de dirigíveis de estrutura rígida com hidrogênio, que depois ficaram conhecidos por zepelins.

1902 – Cansado de ver poeira ser varrida e espalhada novamente, o engenheiro inglês Hubert Cecil Booth desenvolve o primeiro aspirador de pó, uma geringonça com motor de 5 cavalos.

1903 – O primeiro avião bem-sucedido é lançado em Kitty Hawk, no Estado americano da Carolina do Norte, por Wilbur e Orville Wright. Movido a um motor de combustão interna de 12 cavalos-vapor, seu melhor vôo nesse dia dura 59 segundos.

1906 – O brasileiro Alberto Santos-Dumont realiza, em Paris, o primeiro vôo de um artefato motorizado a decolar por meios próprios, o 14-Bis. Em 1909, colocou no ar o Demoiselle, um protótipo dos aviões modernos. Até hoje os historiadores discutem se foi ele ou os irmãos Wright quem inventou o avião.

1906 – O belga Leo Baekeland produz uma resina sintética que dá origem, três anos depois, à baquelita, o primeiro plástico.

1908 – O industrial americano Henry Ford inicia a produção de seu Modelo T, o primeiro carro a ser fabricado numa linha de montagem.

1910 – A luz de néon é exibida pela primeira vez, em Paris. Seu inventor é o físico francês Georges Claude (1870-1960), que descobriu que a passagem de uma corrente elétrica através de gases presos em tubos a vácuo produzia luz colorida.

1914 – Gideon Sundback, um sueco radicado nos Estados Unidos, inventa o zíper.

1915 – A Corning Glass Works, de Nova York, desenvolve o pirex, um vidro resistente ao calor. Seus principais componentes são o óxido de boro (12%) e o óxido de silício (80%).

1921 – Dois produtos da empresa americana Johnson & Johnson estavam separados: fitas cirúrgicas adesivas e gaze. Earle Dickson, um funcionário do departamento de compras da companhia, tem a idéia de juntar as duas coisas. Nasce o band-aid.

1924 – A empresa alemã Zenith produz o primeiro rádio doméstico. O aparelho pesa 6,6 quilos.

1926 – A primeira TV foi a cabo! O engenheiro inglês John Logie Baird produz imagens de televisão de objetos em movimento e consegue transmiti-las através de linhas telefônicas entre Londres e Glasgow, na Escócia. As imagens são silhuetas.

1926 Finalmente, as torradas já não queimam no forno. Uma torradeira se encarrega de dourá-las e, no ponto desejado, ejetá-las e desligar-se. O gênio por trás da coisa é o mecânico americano Charles Strite. O pão fatiado industrializado entra no mercado apenas dois anos depois.

1926 – O filme The Jazz Singer, estrelado por Al Jolson, introduz a era do cinema falado.

1926 – O engenheiro americano Robert Goddard lança o primeiro foguete propelido a combustível líquido.

1927 – Gravadores de fita magnética aparecem pela primeira vez no mercado.

1935 – O americano Wallace Hume Carothers (1896-1937) patenteia o náilon, que inventara um ano antes. O trabalho é o coroamento de pesquisas iniciadas na empresa Du Pont em 1927.

1935 – A lâmpada fluorescente é apresentada ao público pela empresa americana General Electric, numa convenção anual da Sociedade de Engenharia de Iluminação em Cincinnati, no Estado de Ohio.

1938 – O químico americano Roy Plunkett, trabalhando na empresa Du Pont, em Nova York, procurava por um gás não-tóxico para uso em compressores de refrigeradores. Descobriu um polímero que se tornou conhecido como revestimento de frigideiras: o teflon.

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1938 – Foi observando o trabalho de gráficos que o húngaro Ladislao José Biró, editor de uma revista em Budapeste, teve a idéia de pegar uma tinta de secagem rápida e colocá-la num tubo – e este, no bolso. Era a esferográfica.

1943 – O oceanógrafo francês Jacques-Yves Cousteau (1910-1997) inventa o aqualung. Trata-se de uma garrafa de aço com ar comprimido e uma válvula de controle que fornece ao mergulhador o ar a uma pressão normal.

1944 – O Observatório Real de Greenwich, na Inglaterra, instala o primeiro relógio de quartzo, cuja precisão é dez vezes superior à do sistema de pêndulos que vinha sendo usado havia mais de um século.

1944 – O russo naturalizado americano Igor Sikorsky (1889-1972) constrói o primeiro helicóptero moderno, o VS 36, que voava a 70 km/h.

1947 – A empresa americana Raytheon registra uma patente que mostra como as microondas poderiam ser usadas para cozinhar alimentos. Um protótipo do forno de microondas é instalado em um restaurante de Boston. Os primeiros modelos comerciais vêm um ano depois.

1947 – Os engenheiros John Bardeen (1908-1991) e Walter Houser Brattain (1902-1987), funcionários dos Laboratórios Bell, nos Estados Unidos, desenvolvem o primeiro transistor.

1948 – A Columbia Records apresenta seus discos de vinil, “inquebráveis”, de 12 polegadas, que podiam trazer até 25 minutos de música de cada lado.

1950 – O empresário americano Ralph Schneider lança o Diner’s Club, o primeiro cartão de crédito. No início, é aceito apenas em restaurantes.

1952 – Os transistores, inventados cinco anos antes, aparecem no mercado equipando aparelhos para deficientes auditivos.

1957 – A antiga União Soviética lança seu primeiro satélite artificial, o Sputnik I. É uma bola de 58 cm de diâmetro e 84 quilos. Um mês depois, é lançado o Sputnik 2, que leva para o espaço Laika, a primeira cadela cosmonauta.

1957 – O físico americano Gordon Gould lança a idéia que dará origem ao laser, mas só entra com o pedido de patente em 1959. Então, outros já tinham começado a trabalhar com lasers (veja texto na próxima página).

1959 – Lycra, uma fibra sintética, é introduzida pela empresa americana Du Pont. Sua elasticidade é fantástica: pode ser esticada entre quatro e sete vezes seu comprimento e recuperar na hora seu tamanho.

1961 – O russo Yuri Gagarin torna-se o primeiro homem no espaço, ao fazer um pioneiro vôo orbital na nave soviética Vostok 1, em 12 de abril. Ele faz uma única órbita, num vôo de 1 hora e 48 minutos.

1962 – O primeiro implante de mama de silicone – um gel fabricado pela empresa Dow Corning – é realizado nos Estados Unidos. Sucesso imediato, sua popularidade caiu nos últimos anos devido a peças defeituosas que causaram danos físicos.

1964 – O físico americano Robert Moog inventa um sintetizador de som que transforma a música popular. O sintetizador Moog, como ficou conhecido, permanece em uso até hoje.

1972 – Na Inglaterra, Clive Sinclair produz a Sinclair Executive, uma calculadora de bolso com 9,5 mm de espessura e 14 cm de comprimento.

1973 – O mostrador de cristal líquido é patenteado pela empresa química suíça Hoffman La Roche. Começou nas calculadoras e hoje está em todos os produtos eletrônicos.

1974 – O código de barras impresso, uma invenção da empresa americana IBM, começa a ser utilizado. A versão original leva o nome de Código Universal de Produtos.

1974 – O Brasil inaugura o programa Proálcool, com o objetivo de substituir aos poucos o uso da gasolina pelo álcool de cana-de-açúcar, pelo menos nos carros de passeio.

1976 – A JVC (Japan Victor Company) introduz o sistema VHS (video home system) para videoteipe. Inicialmente competindo com os formatos Beta e U-Matic, o VHS se torna o padrão para vídeos não-profissionais.

1977 – Os americanos Steve Jobs e Steve Wozniak criam o primeiro computador pessoal (PC, nas iniciais em inglês) a ser vendido já inteiramente montado, o Apple II.

1979 – A primeira rede comercial de telefones celulares é instalada em Tóquio. No mesmo ano, os Laboratórios Bell testam um sistema celular com 2 000 usuários em Chicago, nos Estados Unidos.

1981 – Começa a era das naves espaciais reutilizáveis, com o lançamento da americana Columbia, que se torna a primeira espaçonave a aterrissar em seu regresso.

1982 – Os aparelhos de compact disc (CD) são lançados pela Sony (japonesa) e pela Phillips (holandesa). O primeiro CD é o álbum 52nd Street, do cantor americano Billy Joel.

1991 – Depois de seis anos de testes, o jornal americano The New York Times começa a empregar uma tinta de impressão que não suja os dedos dos leitores.

1992 – Chegam ao mercado as primeiras câmeras fotográficas digitais, que gravam as imagens em disquetes em vez de filmes e são equipadas com chips de computador.

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