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O que são estigmas?

Milagre, fraude ou manifestação de perturbação mental? O fato é que algumas pessoas desenvolvem feridas que reproduzem as chagas de Jesus Cristo na cruz.

Tatiana Achcar e Maria Fernanda Almeida

Será que uma pessoa, que procura tanto a identificação com Cristo, é capaz de sentir os mesmos sofrimentos físicos e morais que infligiram a Jesus nos momentos de sua paixão e morte? Para a Igreja Católica, sim. E muitos santos, como São Francisco de Assis, Santa Rita de Cássia e Santo Padre Pio de Pietrelcina, teriam recebido em vida os estigmas de Cristo.

Os estigmas seriam as marcas das cinco chagas de Jesus pregado na cruz, e surgem nas mãos e pés, costas (marcas das chibatadas) e cabeça (marca da coroa de espinhos). Somente nos santos, pessoas que procuraram em vida a verdadeira identificação com Cristo, as chagas se manifestariam.

SEM EXPLICAÇÃO

Durante séculos, cientistas e médicos têm-se debruçado no estudo sobre as pessoas que receberam os sinais, os chamados estigmatizados. Algumas teorias estudadas destacam que as feridas seriam provocadas pelas próprias pessoas que as recebem, quando se encontram em estado de hipnose ou de sonambulismo. Cientificamente, não foi encontrada explicação para tais fenômenos.

Há os que defendem que as chagas aparecem por sugestões da mente. Segundo a parapsicologia, as feridas podem surgir por um fenômeno denominado dermografia – a produção de sinais na pele, como letras, manchas ou desenhos induzidos por estados alterados de consciência. Já para os mais céticos, liderados por Robert Todd Carroll, editor do Dicionário Cético, os ferimentos deveriam ser interpretados como uma fraude e não como reações psicossomáticas. “Nenhum estigmatizado manifesta esses ferimentos do princípio ao fim na presença de outros. Só começam a sangrar quando não estão sendo observados”, diz o pesquisador.

O primeiro estigmatizado e mais famoso teria sido São Francisco de Assis (1182-1226), um dos homens que mais se aproximou do modo de vida de Cristo. Alguns biógrafos, como René Fülop-Miller, em Os Santos que Abalaram o Mundo, defendem a idéia da presença dos estigmas no corpo do santo nos dois últimos anos de sua vida. Mas, para o biográfo Donald Spoto, em Francisco de Assis – O Santo Relutante, nenhuma fonte antiga digna de crédito se refere a chagas sangrentas nas mãos e pés de São Francisco. Segundo ele, as feridas que acometeram o santo não passavam de sintomas da hanseníase – doença antes conhecida por lepra.