Operação Tiger: conheça o “ensaio” do Dia D que terminou em tragédia
Seis semanas antes da operação, os Aliados simularam a invasão da Normandia. O que deveria ser apenas um treinamento acabou matando centenas de soldados.
Nos cinemas brasileiros desde o dia 3 de setembro, o filme Pressão acompanha os preparativos para o Dia D, uma das maiores operações militares da história. No final da Segunda Guerra Mundial, milhares de soldados dos Aliados desembarcaram na Normandia, no norte da França, para retomar o território ocupado pelos nazistas num único grande ataque. O sucesso da operação era fundamental para enfraquecer o regime de Hitler – não havia margem para erros.
O longa já abre com uma cena potente: o general Dwight Eisenhower (Brendan Fraser), comandante supremo das Forças Aliadas, caminha entre os destroços de uma praia. O mar estava coberto de sangue e, na areia, havia corpos de soldados enfileirados.
No entanto, o local não era a Normandia, e a operação não era o Dia D. Tratava-se da praia de Slapton Sands, na Inglaterra, onde ocorreu um treinamento que simulava o desembarque do Dia D, seis semanas antes da operação oficial. O chamado Exercício Tiger era para ser um treinamento simples; terminou com centenas de mortos.
“O exercício foi o incidente de treinamento que mais custou vidas em toda a Segunda Guerra Mundial”, diz o memorial do acontecimento.
Depois disso, a conclusão era clara: os erros da Operação Tiger não poderiam se repetir na Normandia. Caso contrário, o Dia D seria uma tragédia ainda mais devastadora para os Aliados.
O que foi a Operação Tiger
O Dia D foi planejado para ocorrer por volta de junho de 1944. Os preparativos para o ataque começaram logo em janeiro daquele ano e, em abril, iniciaram-se exercícios de simulação em grande escala para preparar as tropas para o desembarque. A praia de Slapton Sands, na Inglaterra, foi escolhida porque tem condições naturais semelhantes às da Normandia. Os moradores da região foram evacuados para o exercício.
O desembarque era uma etapa crucial para o plano – e mais difícil do que parece. Quando os soldados são liberados na beira da praia, eles devem andar no mar enquanto carregam munições pesadas, o que exige muito treinamento.
A ideia dos Aliados, defendida pelo próprio Eisenhower, era que o ensaio fosse o mais realista possível. Haveria bombardeios navais e tiros em terra contra as tropas para acostumar os soldados (muitos ainda inexperientes) às condições reais da invasão, como os sons e até os cheiros.
O bombardeio seria realizado antes da chegada das tropas, para simular as consequências reais, mas sem, de fato, ferir as tropas. O treino também era útil para praticar a coordenação entre os diferentes navios, organizando aqueles que possuíam funções de desembarque e ataque, por exemplo.
Assim, a Operação Tiger foi marcada para ocorrer entre os dias 22 e 30 de abril, com um trajeto que também simularia os principais desafios que viriam no Dia D, como uma longa viagem de barco (que pode causar enjoo nos soldados) e navios equipados com munição. No total, participaram mais de 200 navios e embarcações de diferentes tipos.
O primeiro desembarque do Tiger foi no dia 27 de abril – e já começou com problemas. Minutos antes do horário previsto para o desembarque (7h30), a missão foi adiada em uma hora pelo almirante Rear Moon, devido a problemas e atrasos. Mas nem todas as embarcações receberam o comunicado. Por isso, muitas acabaram desembarcando na praia – justamente quando os bombardeios aconteciam, o que causou a morte de cerca de 450 homens, segundo estima o Dartmouth Museum.
No dia seguinte, uma nova tentativa de desembarque ocorreria. E os problemas persistiram. Primeiro, houve a colisão entre dois navios da tropa. Depois, as tropas britânicas detectaram que embarcações alemãs estavam seguindo rumo à praia para interceptar a operação.
Essa informação não foi passada para as tropas americanas, que não recuaram e foram atingidas por torpedos alemães que, além de naufragar diversos navios, causaram incêndios, visto que os tanques de guerra transportados pelas embarcações estavam abastecidos com gasolina.
Muitos soldados também morreram tentando fugir, tanto por hipotermia, devido à baixa temperatura da água, quanto afogados.
A quantidade de homens mortos nesse segundo dia é incerta, mas pelo menos 700 soldados perderam suas vidas. Diante do fracasso, o almirante Rear Moon se suicidou meses depois, em agosto.
Para que a Alemanha nazista não obtivesse informações mais precisas sobre o Dia D, todos os sobreviventes do Exercício Tiger foram proibidos de falar sobre o assunto, e alguns deles não se pronunciaram até 50 anos depois.
Confira a entrevista da Superinteressante com o diretor e elenco do filme Pressão:







