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Partículas: fundações invisíveis

Uma forma desconhecida de matéria sofre apenas a ação da gravidade, mas ajuda a manter o cosmo de pé.

Texto Salvador Nogueira

A humanidade se sente orgulhosa por entender, pelo menos em linhas gerais, como funcionam as partículas que formam todas as coisas do Universo, do Sol às lagartixas, passando pela poeira dos desertos de Marte e pelos próprios seres humanos.

Entretanto, não há nada como os grandes mistérios da astronomia para colocar a espécie humana no seu devido lugar. Nos anos 30, um pesquisador suíço chamado Fritz Zwicky, trabalhando no Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos EUA, encontrou evidências de que uma parte da matéria existente num aglomerado de galáxias era invisível. Mas, então, como ele sabia que ela estava lá? Ora, mesmo sendo invisível, ela podia ser detectada pela atração gravitacional que exercia.

Quase 4 décadas se passaram até que um grupo diferente de astrônomos encontrasse algo de errado na nossa contabilidade da matéria existente no Universo. E foi com a equipe liderada por Vera Rubin, da Instituição Carnegie de Washington (EUA), nos anos 60 e 70, que aprendemos a realmente respeitar o conceito de matéria escura.

Ao analisar diversas galáxias espirais similares à nossa Via Láctea, Rubin descobriu que as estrelas giravam ao redor do centro galáctico de um jeito que não era compatível com a massa visível delas. Para explicar essas observações, o único jeito era postular a existência de uma grande quantidade de matéria invisível do lado de fora da galáxia, numa região conhecida como halo galáctico. Estudos posteriores também demonstraram a presença de grandes quantidades de matéria escura no imenso vazio entre as galáxias. Essa substância serviria como uma cola, para evitar que os aglomerados galácticos se diluíssem ao longo do tempo.

Com tudo isso junto, foi possível fazer um cálculo sobre a quantidade de matéria escura que deveria existir. E foi aí que recebemos um belo chute no traseiro. Todas as partículas sobre as quais nós tanto sabemos respondem por, no máximo, 15% de toda a matéria cósmica. Os outros 85% seriam compostos da tal matéria escura.

Mas de que diabos ela é feita? Taí uma coisa que não avançou muito, apesar de os cientistas estarem há décadas tentando decifrar o que ela pode ser.

Hipóteses, há várias. Elas vão desde miniburacos negros, que poderiam ter se formado nos instantes iniciais do Cosmo, até partículas muito pequenas que se movem a grande velocidade e interagem pouquíssimo com a matéria. Aliás, é bem possível que partículas de matéria escura como essas estejam atravessando o seu corpo neste exato momento. O que vai decidir qual é a resposta correta é a experimentação. Até agora, no entanto, nenhum teste já realizado em laboratório conseguiu enxergar essas supostas partículas etéreas de matéria escura, e nenhuma observação astronômica viu esses miniburacos negros em ação.