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Pol Pot – Quebra tudo

EM 4 ANOS DE GOVERNO, POL POT DEVASTOU O CAMBOJA COMO UM FURACÃO: REBATIZOU O PAÍS, DECRETOU O ANO ZERO, EXTERMINOU 21% DA POPULAÇÃO, BANIU CIDADES, CARROS, ESCOLAS, INTELECTUAIS, MINORIAS E QUALQUER SINAL DE CULTURA. E IS FOI SÓ O COMEÇO...

Por 31 Maio 2012, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h28
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MEDO DE QUÊ?
Ao contrário da maioria dos ditadores, Pol Pot evitava tirar fotos. Até a tomada do poder, em 1975, nunca havia aparecido em público. Só usava o nome de guerra, Pol Pot, e demorou a admitir que era Saloth Sar (seu nome de nascença). Nunca autorizou a publicação de uma biografia oficial, nem publicou uma coletânea de pensamentos, como Mao.

O ANTES E O DEPOIS
O tirano foi educado num mosteiro budista. Com vinte e poucos anos, ao fim da 2ª Guerra, ganhou bolsa para estudar radioeletrônica em Paris (o Camboja era parte da colônia francesa da Indochina). Aí entrou para o Cercle Marxiste, uma célula secreta da esquerda francesa, repetiu de ano, perdeu a bolsa e voltou ao Camboja. Passou a ser professor de História e Geografia, enquanto planejava a revolução que o levou a matar todos os professores que pôde. Depois dos 4 anos de terrror, em 1979, foi deposto pela invasão do Vietnã. Liderou por 17 anos uma guerrilha de resistência e, em 1998, morreu do coração, pouco antes de ser julgado em tribunal internacional.

EVACUAR!
Em 1963 Pol Pot virou líder do Partido Comunista cambojano. Organizou também uma resistência armada, o Khmer Vermelho, que em 1975 levou 30 mil soldados a marcharem para tomar a capital, Phnom Penh. Cinco horas depois da invasão, eles já tinham avisado toda a população de 3 milhões de pessoas para deixarem a cidade levando só o que pudessem carregar. Sob a mira de armas, todos foram conduzidos para uma nova vida no campo. Uns 20 mil morreram já no caminho.

CHIQUEIROS DE LUXO
Depois da invasão, os blocos de apartamento de Phnom Penh ficaram desertos. Já pagodes, teatros, cinemas e museus ganharam maior atenção: viraram chiqueiros para porcos.

MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO
Ele defendia uma sociedade 100% agrária, sem rastro de tecnologia. Ordenou a destruição de carros e de toda a maquinaria. Fechou o correio, cortou quase todas as linhas telefônicas, confiscou aparelhos de rádio e bicicletas. Aboliu o dinheiro e as antigas formas de transação comercial: agora o governo controlava qualquer vaivém de mercadoria.

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SUPERPOWER PRO
Em vez de O Grande Salto – de Mao Tsé-Tung, sua fonte de inspiração nessa guinada do país ao campo – Pol Pot batizou seu plano econômico de Super Grande Salto. Começou mudando o nome do país para República Democrática da Kampuchea e declarando que aquele era o Ano Zero, quando a sociedade seria “purificada”.

1 XÍCARA DE ARROZ A CADA 2 DIAS
No campo, o trabalho começava às 4 horas da manhã e ia até as 22 horas, sob a supervisão de soldados armados. Os camponeses eram proibidos de consumir as frutas e o arroz que plantavam. A comida era racionada e a dieta era limitada a uma xícara de arroz por pessoa a cada dois dias. Logo, mais de 1 milhão de pessoas estavam morrendo de fome.

CAÇA-CÉREBROS
Pol Pot tinha ódio de intelectuais e mandou matar todos – ou qualquer um que se parecesse com eles, como quem falava línguas estrangeiras, usava óculos ou relógio de pulso. Além disso, cerca de 90% da classe artística foi exterminada.

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CASAMENTOS FORÇADOS
Os cambojanos não puderam nem manter suas unidades familiares. As crianças eram levadas para grupamentos, onde a educação se resumia ao aprendizado de canções revolucionárias. O governo também definia quem ia se casar com quem e organizava cerimônias coletivas.

GENOCIDA
Vietnamitas, chineses, as minorias foram exterminadas. A mais expressiva minoria do país na época – os cham, com cerca de 250 mil muçulmanos – tinha que provar que assimilou totalmente a cultura khmer. Eram obrigados a mudar seus nomes e a comer carne de porco, uma heresia para os islâmicos. Os que se recusavam eram fuzilados.

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