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Revolução Industrial

1700 - 1900<br>A onda de inovações tecnológicas que ajudou a definir quais países escreveriam a história do mundo dali em diante

Texto Rui Dantas e Eduardo Lima

No início do século 18, a Revolução Industrial começou a recongurar todo o planeta. Aqueles países que primeiro embarcaram nessa onda de inovações tecnológicas virariam também as primeiras potências da Era Moderna. Por volta de 1900, nações como Inglaterra, França, Itália e Alemanha já faziam pose de donas do mundo, exercendo forte influência política e econômica sobre todas as outras (leia mais no quadro ao lado). E não tardaria até que EUA, Japão e Rússia também engrossassem a lista dos poderosos – embora não fossem impérios coloniais como seus pares da Europa Ocidental. Esse novo modelo de imperialismo, agora baseado no desenvolvimento da indústria, ajudaria a definir quais países escreveriam a história do mundo dali em diante.

1700

AMÉRICAS
• Cerca de 30 mil escravos africanos trabalham no garimpo de ouro em Minas Gerais.

ÁFRICA E O. MÉDIO
• Astrônomos islâmicos adotam instrumentos desenvolvidos por europeus, como o telescópio.
• O reino de Darfur se expande na África Oriental.

ÁSIA E OCEANIA
• A China atinge sua maior extensão territorial, com população de 300 milhões.

1750

AMÉRICAS
• Os EUA declaram independência.

EUROPA
• Está em curso a Revolução Francesa, que terminará com a queda da monarquia.

ÁSIA E OCEANIA
• O Sião (atual Tailândia) conquista a independência de Burma (atual Mianmar).

1800

AMÉRICAS
• Várias colônias espanholas na América tornam-se independentes.
• O Brasil declara sua independência de Portugal.

EUROPA
• Napoleão Bonaparte se declara imperador da França.
• Karl Marx publica o Manifesto Comunista e revoluções populares eclodem por toda a Europa.

1850

AMÉRICAS
• A escravidão é abolida nas ex-colônias espanholas.

1900

Clube dos cinco
Potências mundiais em 1900

INGLATERRA
Foi o berço da industrialização, impulsionada por invenções importantes como a fundição de ferro a carvão (Abraham Darby, 1709), a máquina de tear (Richard Arkwright, 1769) e o motor a vapor (James Watt, 1769).

ITÁLIA
Dois inventores viraram sinônimo de Revolução Industrial em território italiano: Alessandro Volta e Guglielmo Marconi. O primeiro criou a bateria elétrica, em 1800. O segundo inventou o rádio, na virada do século 19 para o século 20.

FRANÇA
Seu processo de industrialização patinou no início, mas acabou pegando no tranco. As descobertas do físico britânico Michael Faraday no campo do eletromagnetismo tornaram possível construir em Paris o primeiro gerador elétrico, no ano de 1832.

ALEMANHA
Sua revolução industrial só começou para valer em 1815, depois da unifi cação do país. A partir daí, no entanto, caminhou a passos largos, com invenções como motores a explosão (Gittlieb Daimler, 1885) e movidos a diesel (Rudolph Diesel, 1897).

EUA
Antes de pensar em Revolução Industrial, os americanos tiveram de resolver sua guerra civil, encerrada só em 1865. Daí em diante, o processo deslanchou, empurrado por invenções como a lâmpada (Thomas Edison, 1879) e a linha de montagem (Henry Ford, 1913).

Tráfico de gente
Um dos capítulos mais vergonhosos na história da humanidade

A escravidão acompanha a humanidade desde o seu passado mais remoto. Na 2a metade do século 18, contudo, fazer e vender escravos virou um negócio dos mais lucrativos. Àquela altura, colônias e ex-colônias europeias nas Américas dependiam da mão-de-obra escrava para tocar suas culturas de algodão, café, cana-de-açúcar e tabaco, ou seguir com a rentável mineração de ouro e pedras preciosas. Resultado: tráfico humano em proporções aterradoras. Estima-se que, de 1500 a 1870, de 10 milhões a 12 milhões de africanos tenham sido escravizados e enviados para trabalhos forçados no continente americano.

Tráfico de ideias
O Iluminismo queria criar um mundo melhor e mais humano\

Enquanto a escravidão rolava solta, um movimento liderado por pensadores notáveis seguia na direção oposta. O Iluminismo surgiu em meados do século 18, questionando a autoridade dos reis e desafiando o poder da Igreja. Seus expoentes (intelectuais como Rousseau, Montesquieu e Voltaire) acreditavam no homem como um ser autônomo, autossuficiente e universal. Seria sua obrigação atuar sobre a natureza e a sociedade, cooperando com o progresso do mundo por meio do livre exercício de capacidades humanas. Esses ideais inspiraram grupos abolicionistas em vários países. Até que a escravidão nas Américas fosse extirpada, no fim do século 19.