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Rússia: uma nação boa de briga

Três livros ajudam a entender este país que nunca deixou de meter medo

Por Victor Bianchin 30 set 2008, 22h00 | Atualizado em 12 abr 2023, 15h14
Rússia: uma nação boa de briga Priorizar nos meus resultados Google

Comunismo x capitalismo, 2a Guerra Mundial, ameaça nuclear. Esse tripé de eventos formou a base do século 20. E no centro de tudo isso está a Rússia, que instaurou o comunismo, bateu Hitler e quase começou uma guerra atômica. Essa rica e conturbada história pode ser revisitada em três livros, a seguir:

Maiakovski – O poeta da revolução

Aleksandr Mikhailov, Editora Record, 560 páginas, R$ 68

Apaixonado pelo socialismo, o poeta Vladimir Maiakovski se tornou a veia artística da Revolução Russa, de 1917. Descendente de família nobre, mas pobre, cresceu rodeado pelos levantes populares que antecederam a revolução, foi expulso de várias escolas e preso várias vezes (a primeira, aos 14 anos), escreveu os primeiros versos na cadeia, se tornou amante da mulher de seu editor e se matou em 1930, frustrado com a vida amorosa e com o governo que ajudara a levantar.

Trecho: “A vocês que vivem de orgia em orgia / que têm banheira quente e closet! / Será que sabem, vocês inúteis diletantes / Que só pensam em se embebedar / Que talvez agora uma bomba / Tenha arrancado as pernas do tenente Petrov?”

A loucura de Stalin

Constantine Pleshakov, Editora Difel, 350 páginas, R$ 43

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A 2ª Guerra Mundial explodiu na União Soviética em 22 de junho de 1941, quando tropas alemãs invadiram o leste e o sul da Rússia, contrariando o tratado de não-agressão assinado por Hitler e Stalin. Trazendo fatos que vieram à tona apenas recentemente, com a abertura de documentos da época, A Loucura de Stalin acompanha os 10 dias seguintes à invasão e mostra os vacilos do líder soviético, que demorou a reagir.

Trecho: “Todos pararam em sinal de atenção, querendo ouvir as notícias. Os locutores revezavam-se em elogios às formidáveis safras da lavoura e à colossal produção das fábricas. O povo, reunido na praça, não conseguiu escutar o resto da transmissão porque os roncos de outra esquadrilha alemã cruzavam o céu.”

Como começou a Guerra Fria

Amy Knight, Editora Record, 364 páginas, R$ 48

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Ansiosa por construir sua bomba atômica, a URSS utilizava as relações diplomáticas obtidas na 2a Guerra para encher países como EUA e Canadá de espiões. Em 1945, com medo de ser substituído e mandado de volta para a Rússia, Igor Gouzenko, um funcionário da embaixada soviética em Ottawa, saiu do trabalho levando escondidos papéis que expunham o plano. Entregues à polícia, os documentos do desertor azedaram de vez a relação dos americanos com o comunismo. E se tornou o marco zero da Guerra Fria.

Trecho: “As detenções criaram um rebuliço. A imprensa noticiou que o país não mencionado era a União Soviética. A paz do pós-guerra estava destruída: o até então amigo dos Aliados estava roubando segredos atômicos.”

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