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Steve Jobs

Ele inventou o conceito de computador pessoal no século 20. E reinventou no século 21

Quando os primeiros computadores começaram a ser construídos, nos anos 1940 e 50, estava claro que seriam bem úteis em aplicações militares e científicas. Mas, mesmo que seu tamanho pudesse ser reduzido (costumava ocupar salas inteiras), ninguém imaginava que pudessem se tornar um item indispensável no ambiente doméstico.

Essa revolução caberia à geração geek do Vale do Silício, na Califórnia, que teve em Steve Jobs seu máximo expoente. A história da fundação da Apple, na garagem do pai dele, em 1976, se tornou lendária. Em parceria com Steve Wozniak, ele criou a empresa que se tornaria sinônimo de inovação no campo da informática hoje.

“Entre ambos, eles criaram, e lançaram com sucesso, o primeiro computador pessoal pronto para uso”, diz John Middleton, pesquisador da Universidade de Bristol.

Até então, para ter um computador, normalmente você tinha de comprar as peças separadas e montá-lo. Era algo útil apenas para técnicos e engenheiros. Mas Jobs percebeu que essas máquinas podiam se tornar parte integrante da vida das pessoas.

Para tanto, ele desenvolveu um sistema operacional intuitivo, operado por mouse e cheio de ícones, que tornava o manuseio do computador muito mais amigável. O modelo, inspirado por uma criação da empresa Xerox, mais tarde seria copiado pela Microsoft (no mundo corporativo da informática, quase nada se cria, e tudo se copia).

Nos anos 1980, se deu a grande guerra de padrões nos computadores. De um lado, a Apple, com seus Macintosh, que implementavam o revolucionário sistema operacional amigável. De outro, a poderosa IBM, tentando impor sua própria arquitetura. Em meio ao conflito, Jobs começou a antagonizar com John Sculley, o CEO da Apple, em 1983. Resultado: acabou demitido da empresa que havia fundado.

NA ESTEIRA DA INOVAÇÃO

Enquanto ele esteve ausente, a Apple começou a definhar e perder a guerra contra a IBM. Quase falida, ela trouxe Jobs de volta, como CEO interino, em 1997. Mostrando que não havia perdido o jeito, ele lançou o iMac, que começou a levantar a empresa. Mas foi na primeira década do século 21 que a companhia corporificou definitivamente o espírito da inovação.

Com sua percepção intuitiva sobre o que é “legal” num dispositivo tecnológico, Jobs lançou sucesso atrás de sucesso. Suas idiossincrasias e teimosia, com a atitude “eu sei o que funciona”, gestaram o iPod e o iPhone, que se tornaram sonhos de consumo instantâneos. Já o iPad revolucionou a noção de computador portátil.

A saúde frágil, contudo, impediria que ele continuasse a impulsionar o mundo da tecnologia. Em 2003, Jobs foi diagnosticado com câncer de pâncreas, que o levaria à morte em 2011.