Os caranguejos-violinistas da região de Ria Formosa, no sul de Portugal, estão sendo vítimas de um processo de extinção constrangedor. Por causa da pesca, estão perdendo o símbolo de sua masculinidade e as namoradas. O problema é que os portugueses adoram comer pata de caranguejo com cerveja. Para isso, capturam os crustáceos machos na foz dos rios, arrancam sua garra principal e os devolvem à água contando que, depois de algum tempo, os bichos recomporão a parte anatômica perdida. Acontece que a regeneração é muito lenta, pois a garra é enorme, chegando a representar 40% do peso do corpo. Como ela é o principal atrativo para a conquista das fêmeas, os animais machucados acabam ficando sem parceira e sem se reproduzir. Para piorar, ainda são cortejados por outros machos que os confundem com fêmeas – pois elas têm as duas garras do mesmo tamanho. Segundo o biólogo Rui Oliveira, do Instituto Superior de Psicologia, em Lisboa, 38% dos caranguejos-violinistas de Ria Formosa estão mutilados. “Isso tem um efeito direto na população dos animais, que diminui a cada ano”, afirmou Oliveira à revista inglesa New Scientist.