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Coruja-risonha: Qual é a graça?

Depois de viver sem ser incomodada durante cerca de 20 milhões de anos na Nova Zelândia,a coruja-risonha parou de rir em 1960

Por Redação Superinteressante Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 out 2004, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 19h05

Carla Aranha

A coruja-risonha viveu em paz na Nova Zelândia por um tempo estimado em 20 milhões de anos. Mas, a partir de 1840, quando os primeiros colonizadores europeus chegaram à ilha, o som estridente que a ave emitia, parecido ao de uma risada, começou a ser ouvido com menos freqüência. A situação ficou crítica no início do século 20, e, em 1914, uma equipe de ornitólogos deparou pela última vez com uma coruja-risonha – já morta – nas proximidades da cidade de Canterbury. Após anos de buscas infrutíferas, a espécie foi declarada extinta, em 1960.

Aparentemente, a coruja-risonha não conseguiu resistir ao novo estilo de vida trazido pelos colonizadores. Os navios levaram para a Nova Zelândia uma grande quantidade de ratos, que logo começaram a se reproduzir. Também começaram a chegar muitos gatos, então um animal desconhecido no país e, a exemplo do rato, um predador natural das corujas. Algumas espécies, como a risonha, eram as preferidas desses animais. Ela também era muito procurada pelos caçadores, por ser bastante rara.

A coruja-risonha gostava de ficar em cavernas ou entre fendas de rochas, de onde só saía para caçar. Ela comia besouros, passarinhos bem pequenos e lagartos. Quando via seu almoço, ficava bem quieta, observando a vítima, até o momento ideal para o bote. A coruja então começava a correr em grande velocidade, para pegar o bicho de surpresa. A espécie, que raramente voava, desenvolveu pernas fortes e assim garantiu sua sobrevivência durante milhões de anos. Muitas vezes, o macho é que saía para caçar, enquanto a fêmea ficava tomando conta do ninho. Essas corujas formavam casais por toda a vida – só a morte os separava.

Elas eram uma das aves de rapina mais bonitas da Oceania. Suas penas tinham uma cor única, que misturava amarelo e marrom-claro. A cabeça era branca ao redor dos olhos, o que os destacava. A íris era famosa por seu tom de laranja intenso. A cor das penas chamava a atenção dos colonizadores, e também dos gatos e ratos, que se transformaram em seus maiores predadores.

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Os machos foram sendo dizimados primeiro, já que as fêmeas sempre foram mais tímidas e arredias. “Elas se escondem ao ouvir o menor barulho. Preferem ficar dentro das cavernas, enquanto seus parceiros se mostram bem menos ariscos”, anotou em seu diário o ornitólogo britânico Thomas Henry Potts, que esteve na Nova Zelândia em 1853. Ele foi um dos poucos cientistas a ver de perto a coruja-risonha. Potts e outros ornitólogos enviaram alguns exemplares da ave para o Museu Britânico, em Londres, único lugar do mundo em que ela pode ser vista hoje – empalhada.

Coruja-Risonha

Nome científico: Sceloglaux albifacies

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Ano da extinção: 1960

Habitat: Nova Zelândia

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