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De Paris para a Rio-92

Reunindo de monges tibetanos a defensores dos direitos da mulher, de indígenas a indianos, 862 organizações não-governamentais encontraram-se em Paris, em dezembro último, para preparar sua participação na Rio-92.

Reunindo de monges tibetanos a defensores dos direitos da mulher, de indígenas a indianos, 862 organizações não-governamentais encontraram-se em Paris, em dezembro último, para preparar sua participação na Rio-92 .durante quatro dias, a Cidade das Ciências e da Indústria, em La Villette, foi palco de sessões plenárias, ateliês, encontros informais pelos corredores e muita troca de figurinhas entre os participantes vindos de 150 países. Os problemas ecológicos, como efeito estufa ou destruição de florestas, foram na verdade pano de fundo para discussões em torno da disparidade econômica e da exploração do hemisfério sul pelo norte, tema levantado já no discurso de abertura do presidente francês François Mitterrand.

“Sabemos que hoje, muito tempo depois do período dito colonial, os países ricos continuam a sugar partes dos recursos do Sul, ainda que tentem compensar este seqüestro com doações”, disse Mitterrand, garantindo que o governo francês – que financiou totalmente o encontro com 4,5 milhões de dólares – não está entre os predadores. Além do desfile de denúncias, como a dos índios peruanos ou das mulheres marroquinas, serão apresentados na Rio-92 dois documentos aperfeiçoados durante o encontro. Neles, as ONGs rejeitam instituições internacionais, como o FMI e o Banco Mundial e propõem uma rede de solidariedade entre as organizações civis para acabar com o desequilíbrio entre o Norte e o Sul – passando, é claro, pelas questões de quem deve cuidar de florestas e quem deve parar de emitir gases poluentes na atmosfera.