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15 livros de magia negra para entrar em contato com o além

Os grimórios ensinam a invocar demônios, adivinhar o futuro e até contactar os mortos. Famosos na Idade Média, alguns feitiços são usados até hoje

A palavra grimório vem do francês antigo “grammaire”, que significa “gramática”. Faz sentido: para construir frases, é necessário seguir uma série de regras gramaticais para juntar palavras; e para fazer magia negra é preciso juntar vários elementos seguindo os manuais.

Quase todas as civilizações que usaram alfabetos escreveram livros com orações capazes de invocar demônios, receitas para amaldiçoar ou envenenar pessoas, criar amuletos ou entrar em contato com os mortos. A obra mais antiga (datada de 5 a.C.) foi encontrada intacta na Mesopotâmia, atual Iraque, e reunia tábuas de barro riscadas em escrita cuneiforme. Antes disso, babilônios, hebreus, egípcios, gregos e romanos já conheciam truques de magia e faziam anotações em textos.

Os grimórios, como conhecemos no Ocidente, são uma criação da Idade Média. Eles misturam conhecimentos de diferentes religiões, mas sempre com conceitos cristãos – um deus raivoso da Suméria, por exemplo, pode ser interpretado como um demônio. Nos séculos 18 e 19, a obsessão dos europeus com a magia voltou com força e muitos desses livros foram traduzidos (a maioria dos originais estava em latim ou grego) e até reescritos. Todos eles continham ensinamentos perigosos, capazes de dar muito poder – tanto que poderia até sair de controle.

Conheça algumas dessas obras.

1) Manual do Papa Leão

 (Divulgação/Reprodução)

Origem – Roma
Data – Século 9
Autor – Leão 3º

O autor, um papa (sim, o líder da Igreja Católica), teria chegado ao poder recorrendo à magia negra das mais pesadas, incluindo a prática de necromancia, ritual que invoca os mortos (leia mais na página 32). Perseguido pelos próprios bispos do Vaticano que desconfiavam de seu segredo, teria escondido na França um livro poderoso. O guardião da obra, o rei Carlos Magno, teria usado o grimório para ampliar seu poder. O texto, uma espécie de diário do pontífice, ensina a manipular as forças do mal para alcançar o poder.

2) Ghayat Al-Hakim

 (Divulgação/Reprodução)

Origem – Oriente Médio
Data – Século 11
Autor – Maslama ibn Ahmad al-Majriti

Em geral, os grimórios são livros curtos e descritivos. Este é uma exceção: contém mais de 400 páginas de ensinamentos tomados da tradição de magia dos árabes. Republicado em espanhol no século 13, ele ensina a conquistar o amor de uma pessoa específica, a curar a pessoa de picadas de cobras e escorpiões e a produzir amuletos mágicos feitos de sangue ou urina. O mago descrito neste livro recorre muito mais à astrologia do que aos demônios.

3) O Livro de Honório

 (Divulgação/Reprodução)

Origem – França
Data – Século 13
Autor – Desconhecido

Um dos mais influentes grimórios da Idade Média seria resultado de uma conferência de mágicos. Em 93 capítulos, o texto ensina a ficar invisível, a encontrar tesouros, a localizar ladrões, a conjurar e controlar demônios, a conversar com Deus e a salvar a própria alma do purgatório. O trabalho é creditado a São Honório, um personagem das origens do cristianismo e de existência não comprovada. Como inspirou o nome de vários papas, é provável que teria sido um mártir.

4) A Chave de Salomão

 (Divulgação/Reprodução)

Origem – Itália
Data – Século 14
Autor – Desconhecido

Este talvez seja o grimório mais famoso de todos. Elaborado durante a Renascença italiana, reúne textos curtos de magia, supostamente escritos por Salomão, que circulavam desde o começo da era cristã. O livro era tão popular na época em que foi lançado que faz parte da primeira lista de obras proibidas, o Index da Igreja Católica. A Chave de Salomão descreve as vestes especiais (parecidas com batinas de padres), os instrumentos místicos (anéis e espadas) e as orações (sempre em latim) que deveriam ser usadas para invocar e aprisionar demônios, que se tornariam trabalhadores escravos atuando a favor de quem os invocou.

5) O Livro de Abramelin

 (Divulgação/Reprodução)

Origem – França
Data – Século 15
Autor – Abraão de Würzburg

O Autor – descreve a sua busca pelo esoterismo e seu encontro com Abramelin, um mago que vivia no Egito. Ele teria ensinado Abraão a voar, a viajar pelos mares, a criar exércitos do nada e a ressuscitar os mortos. Para atingir esse nível de poder, ele teria de passar por um longo processo de purificação, que incluía comer o mínimo possível, ficar sem sexo e reduzir o sono a três horas por dia. No fim da etapa, o aprendiz poderia aprisionar demônios e obrigá-los a cumprir tarefas. Republicado no século 19, o livro influenciou a wicca e os magos contemporâneos.

6) De Pythonicis Mulieribus

 (Divulgação/Reprodução)

Origem – Itália
Data – Século 15
Autor – Ulrich Molitor

No livro, um professor de direito escreveu um longo artigo em defesa das bruxas, alegando que elas eram apenas mulheres vítimas do diabo. Para reforçar sua argumentação, ele explicou, com grande riqueza de detalhes, diferentes maneiras de entrar em contato com demônios.

7) Manual de Mágica Demoníaca de Munique

 (Divulgação/Reprodução)

Origem – Alemanha
Data – Século 15
Autor – Desconhecido

Escrito por um ilusionista, o grimório ensina a conjurar forças do mal para manipular a mente das pessoas e induzi-las a cometer atos ilícitos, como praticar crimes. Um dos feitiços, inclusive, ajuda a enganar exércitos inimigos, fazendo-os enxergar mais soldados adversários do que realmente existiam.

8) De Praestigiis Daemonum et Incantationibus ac Venificiis

 (Divulgação/Reprodução)

Origem – Suíça
Data – Século 16
Autor – Johann Weyer

Também conhecido como Os Truques dos Demônios, um dos mais populares livros de demonologia de todos os tempos, é obra de um pesquisador holandês também conhecido como Wierus. Ele ensina a reconhecer os demônios, com o objetivo de escapar de seus truques. Wierus argumenta que os seres infernais se organizam com uma hierarquia rígida e se dividem entre príncipes, ministros e embaixadores. O pesquisador lista espantosos 745.926 demônios, divididos em 1.111 legiões que respondem a 72 príncipes. Um anexo da obra, que circulou com o nome Pseudomonarchia Daemonum, descreve centenas desses monstros e explica o poder de cada um deles. Não ensina a conjurá-los, mas explica como se defender da influência maléfica sobre as pessoas – especialmente dos sete pecados capitais.

9) De la Démonomanie des Sorciers

 (Divulgação/Reprodução)

Origem – França
Data – Século 16
Autor – Jean Bodin

O autor, um jurista respeitado, descreve um sabbath negro – as assembleias de feiticeiros que fazem homenagem aos demônios. O relato, cheio de detalhes, explica até mesmo como invocar os íncubos e os súcubos, os seres demoníacos capazes de fazer sexo com seres humanos. Também ensina a invocar um ser das trevas e convencê-lo a possuir o corpo de pessoas vivas.

10) O Grande Grimório

 (Divulgação/Reprodução)

Origem – Itália
Data – Século 16
Autor – Antonio Venitiana del Rabina

O Vaticano possui o livro, mas não permite nenhum tipo de acesso a ele. Só esse mistério já justifica o interesse na obra, também conhecida pelos nomes O Dragão Vermelho e O Evangelho de Satã. Não existem muitos detalhes sobre o autor, que teria sido um mago em Veneza. Ele afirmava ter tido acesso direto a textos escritos pelo rei Salomão. Um deles, publicado neste trabalho de duas partes, ensinaria a firmar um pacto com Satanás em pessoa – seria a conexão mais maléfica e poderosa que um ser humano poderia almejar. O livro, que seria totalmente resistente ao fogo, listaria uma série de orações em latim e hebraico, capazes de invocar o chefe dos demônios e convencê-lo a conversar.

11) Livro de São Cipriano

 (Divulgação/Reprodução)

Origem – Portugal
Data – Século 17
Autor – Desconhecido

São Cipriano de Antioquia, do século 3, teria escrito este livro de receitas mágicas: orações, feitiços de cura e para atrair um amor. Na verdade, a coletânea de orientações surgiu na Península Ibérica e influencia ainda hoje as religiões populares da América do Sul – especialmente a umbanda.

12) A Chave Menor de Salomão

 (Divulgação/Reprodução)

Origem – Holanda
Data – Século 17
Autor – Desconhecido

Inspirado em uma grande variedade de fontes, especialmente A Chave de Salomão, foi publicado como se fosse escrito pelo rei Salomão em pessoa. Ele ensina a prender demônios, faz uma lista dos 72 que ele conseguiu vencer e alerta para os perigos de lidar com os seres do inferno – o monarca diz que teria sido induzido a abandonar Deus e a adorar demônios. O primeiro dos cinco capítulos da obra, e também o mais famoso, se chama Ars Goetia (leia mais na pág. 18).

13) A Franga Preta

 (Divulgação/Reprodução)

Origem – França
Data – Século 18
Autor – Anônimo

Muitos grimórios foram escritos nessa época, mas se apresentavam como se fossem manuscritos antigos redescobertos. Este texto é de autoria de um militar anônimo que diz ter participado das campanhas de Napoleão e tido contato com antigas artes de criação de anéis e talismãs mágicos.

14) Sexto e Sétimo Livros de Moisés

 (Divulgação/Reprodução)

Origem – Alemanha
Data – Século 18
Autor – Desconhecido

Uma tradição muito antiga aponta que livros religiosos tradicionais, especialmente a Bíblia e o Alcorão, guardam poderes mágicos para quem souber interpretá-los. Moisés, capaz de lançar as dez pragas sobre o Egito e de abrir o Mar Vermelho, é considerado por muitos intérpretes um mago de grande poder. Esses dois livros ensinariam os bastidores das histórias relatadas nos primeiros cinco textos do Antigo Testamento: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. A tradição judaica considera que esses textos foram escritos por Moisés. O sexto e o sétimo livros ensinariam a provocar pragas: fazer as águas dos rios ficarem vermelhas, piolhos e gafanhotos atacarem tudo, o Sol desaparecer do céu – e, a pior de todas, provocar a morte de todos os primogênitos.

15) Oera Linda

 (Divulgação/Reprodução)

Origem – Holanda
Data – Século 19
Autor – Cornelis Over de Linden

Cornelis diz que recebeu o manuscrito de seu avô, um texto que retrataria conhecimentos de mais de 3 mil anos – inclusive supostos documentos do continente mitológico de Atlântida. Tudo indica que foi ele mesmo o autor. O livro ficou famoso porque ensina rituais que os nazistas místicos e ocultistas praticaram.