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A infância, a adolescência e a velhice das plantas

Como as fases da vida funcionam no mundo vegetal

Por Redação Mundo Estranho - Atualizado em 21 set 2018, 19h03 - Publicado em 18 abr 2011, 18h58

De fato, como qualquer outro ser vivo, elas passam pelos quatro estágios cruciais de desenvolvimento: nascimento, crescimento, reprodução e morte. “Mas com algumas peculiaridades adaptativas que aumentam sua expectativa de vida”, diz a bióloga Solange Mazzoni, da Universidade de São Paulo (USP). Primeiro, as árvores realizam o chamado crescimento modular: como cada parte da árvore funciona de maneira relativamente independente, um tecido danificado pode ser substituído por outro novo sem que a planta morra.

Segundo: ao contrário da maioria dos outros vegetais, as árvores também crescem em espessura. A parte viva fica concentrada na região externa – no cerne do tronco, uma estrutura rígida sustenta a planta. Além disso, sua composição química a protege de alguns dos inimigos mais freqüentes, como fungos e insetos. Não é de espantar que essas grandes plantas estejam há tanto tempo no planeta. As primeiras árvores apareceram há 390 milhões de anos.

Algumas espécies primitivas, como a Ginkgo biloba, surgida há 180 milhões de anos, cobrem a China e o Japão até hoje. Mas o período de vida de uma árvore varia muito. Um pessegueiro não passa dos 30 anos, enquanto uma sequóia gigante, espécie de conífera americana, supera os 3 000 anos de idade. Engana-se, porém, quem pensa que longevidade é sinônimo de vida tranqüila. Para ter uma idéia, 95% das sementes morrem antes de germinar.

Da pequena porcentagem que supera essa primeira etapa, apenas 5% sobrevive ao primeiro ano de vida. Há perigos durante toda a trajetória: falta de água ou de nutrientes no solo, variações inesperadas de temperatura, ventos fortes ou mesmo a poluição – que pode reduzir em até 40% a taxa de crescimento de um vegetal. O maior problema, entretanto, ainda é o desmatamento predatório. Só no Brasil, 0,5% das florestas têm sido eliminadas a cada ano.

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shilh/iStock
Da semente ao pó
Uma árvore pode durar milênios antes de morrer
1 – INFÂNCIA

Com poucos dias de vida, a árvore-bebê já tem o essencial para sobreviver: uma raiz, que suga do solo água e sais minerais; o xilema, conjunto de vasos que levam a solução às folhas, responsáveis por fabricar alimento para as outras partes da árvore; e o floema, tecido que distribui os nutrientes das folhas para o resto da planta2 – ADOLESCÊNCIA

A árvore jovem espicha tanto para cima quanto para baixo. Na ponta do caule e da raiz fica o meristema, tecido que promove o crescimento. Diferentemente do que ocorre com os outros vegetais, o caule da árvore também engrossa: o tecido chamado de câmbio cria novas células e engorda a planta

3 – IDADE ADULTA

A árvore torna-se madura quando está pronta para se reproduzir. Minerais e açúcares são usados para desenvolver flores – onde a fertilização dos óvulos gera sementes – e frutos, que protegem as sementes até que germinem. Uma árvore como a teca floresce em apenas três semanas; o carvalho demora mais de 40 anos

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4 – TERCEIRA IDADE

Na velhice vegetal, o crescimento diminui, os processos de regeneração são cada vez mais lentos e as raízes não conseguem mais retirar do solo água e sais minerais em quantidade suficiente. No tronco, os vasos que conduzem nutrientes param de funcionar. As folhas caem, os galhos perdem o viço, a casca se desprende e o tronco pode tombar. É o fim da vida

COPA FRONDOSA

As folhas proliferam na fase adulta, quando aumenta a produção de alimento. Uma macieira chega a ter 100 000 delas. Em geral, árvores tropicais têm folhas o ano inteiro. Já espécies de zonas temperadas, como o carvalho e o castanheiro, chamadas de caducas, perdem as folhas no inverno para combater a escassez de água. Assim, a planta transpira menos e retém mais líquido

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VIDA EM FLOR

Nas espécies chamadas gimnospermas, como pinheiros e ciprestes, as flores não têm pétalas: os órgãos reprodutores ficam descobertos. Já nas angiospermas – o ipê e a paineira, por exemplo – as flores coloridas atraem insetos, que levam o pólen até o óvulo da flor, fecundando-o. Há ainda espécies cujas pétalas mudam de cor para avisar que o óvulo já foi fertilizado

PRINCÍPIO DE TUDO

A semente possui uma casca protetora e uma reserva de nutrientes para alimentar o embrião até que a planta ganhe folhas. Para que a germinação ocorra, a semente absorve água e o embrião aumenta de tamanho até romper a casca

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BASE SUBTERRÂNEA

Na floresta, a maioria das raízes não se aprofunda no solo: ficam próximas da superfície, onde se concentram a água e os sais minerais. Elas são bem resistentes: em geral, a árvore continua viva mesmo cortando até 50% da raiz

CORPANZIL ERETO

O tronco tem duas seções: uma viva e outra morta. A primeira se concentra nas camadas externas, onde ficam os tecidos que transportam nutrientes e fazem a árvore engordar. A segunda (o cerne) fica no miolo e é esse tecido morto que constitui a madeira sólida – que alimenta o consumo anual de 2,3 bilhões de metros cúbicos pela indústria madeireira, equivalente à derrubada de mais de um bilhão de árvores

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ESTRATÉGIA FRUTÍFERA

Alimentos carnudos e suculentos, os frutos atraem animais que acabam levando as sementes para germinar longe da árvore-mãe. Essa é uma das principais técnicas de dispersão em florestas tropicais. Nas regiões frias, parte das árvores têm frutos pequenos, que são espalhados pelo vento

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