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Como os reviews ruins fizeram o criador de Five Nights at Freddy’s inventar a série

Às vezes o gatilho para criar sua obra-prima é ter alguém detonando seu trabalho

Por Victor Bianchin
23 jan 2026, 16h15 •
  • Five Nights at Freddy’s é uma franquia curiosa: com 11 jogos principais (e outros tantos spin-offs), três livros, dois filmes, linhas de brinquedos e muitos memes na internet, ela passou de uma história nichada de terror para uma marca hollywoodiana de alcance global. Um império multimídia que saiu das mãos e da cabeça de um desenvolvedor solitário — e só por causa de reviews ruins.

    Scott Cawthon era um criador indie que tentava emplacar com seus jogos de temática cristã. No começo da década de 2010, ele lançou vários títulos do tipo, como Noah’s Ark, que eram não apenas uma expressão artística, mas também uma forma de manifestar sua própria fé. Os títulos sempre traziam algum sucesso em termos de recepção, mas pouco retorno financeiro. Com uma esposa e dois filhos para criar, ele começou a trabalhar em jogos free-to-play de celular para complementar a renda.

    A situação deixou Cawthon deprimido e em uma crise de fé. “Todos os meus projetos cristãos foram fracassos financeiros”, disse ele a um blog cristão em 2014. “Cheguei a um ponto de profunda desilusão e frustração com Deus. Concluí que não poderia ter fracassado tão miseravelmente a menos que o próprio Deus estivesse me impedindo. Ou Deus não existia, ou Deus me odiava. Eu não sabia o que era pior”, declarou.

    “Um momento crucial aconteceu quando meu seguro de vida foi cancelado. A seguradora descobriu que eu havia mencionado pensamentos suicidas ao meu médico. Foi nesse momento que percebi que não só minha vida não tinha valor, como agora nem mesmo minha morte teria. Voltei a me apresentar diante de Deus, e foi a primeira vez que realmente me apresentei diante dele sem nada. Eu não tinha nada a oferecer a ele. Disse-lhe para me usar de alguma forma”, relata o criador.

    Do fracasso ao sucesso

    O ponto de virada estava próximo. Em 2013, Cawthon lançou o jogo Chipper & Sons Lumber Co., um gerenciador de recursos estilo Farmville, na Steam Greenlight, um serviço antigo da Steam onde desenvolvedores indie submetiam seus jogos para a comunidade votar, decidindo quais seriam aprovados para venda.

    O título não caiu bem entre os gamers: foi ridicularizado tanto por populares como jornalistas. O crítico Jim Sterling foi especialmente duro: disse que os personagens pareciam “animatronics assustadores”, entre outros comentários maldosos. “Você pode notar os olhares mortos, assustadores, sem alma nos personagens do fundo, é a marca registrada do que for que essa m*** seja. Eles querem morrer, eles sabem que deviam morrer”, diz ele no review.

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    Se você entende inglês, o review de Sterling ainda está no ar e é tão insultante que chega a ser engraçado:

    Os comentários maldosos despertaram alguma coisa em Cawthon. “Fiquei com o coração partido e pronto para desistir de criar jogos. Então, uma noite, algo simplesmente mudou dentro de mim, e pensei: ‘Acho que consigo fazer algo muito mais assustador do que isso!’”. E assim nasceu Five Nights at Freddy’s (FNAF).

    No jogo, você controla o vigia de uma rede de restaurantes que, de seu escritório, precisa observar as câmeras de segurança e monitorar os bonecos animatrônicos que ganham vida à noite, ativando portas e luzes para bloquear seus movimentos. Realizar essas atividades gasta energia elétrica, um recurso finito, portanto é preciso usar com parcimônia. Você deve sobreviver por cinco noites, com os robôs ficando mais agressivos a cada uma. Se o jogador falha, um dos bonecos pula na câmera, causando um jump-scare.

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    O título se tornou febre entre os streamers, pois sua duração curta era perfeita para sessões de gameplay. Um de seus maiores atrativos eram as teorias malucas que os jogadores criavam para entender a história principal que levava aos eventos do jogos. Essa história, apenas levemente pincelada no primeiro título, foi sendo melhor desenvolvida com os novos jogos, mas sua vaguidão proposital serviu de combustível para muito falatório online naqueles primeiros anos. Uma comunidade apaixonada se formou.

    Um criador recluso

    Apesar do sucesso que FNAF teve e ainda tem, Cawthon não costuma aparecer muito. Já avesso a entrevistas, ele diminuiu ainda mais sua presença online após os fãs descobrirem, em 2020, que era um republicano ferrenho e havia doado dinheiro para a campanha de Donald Trump. Os fãs de FNAF, muitos deles integrantes de minorias, se sentiram traídos.

    Cawthon se defendeu em uma carta aberta no Reddit. “Sim, eu apoiei o Presidente Trump porque acreditava que ele era o homem mais indicado para impulsionar uma economia forte e enfrentar os inimigos dos EUA no exterior, que são muitos. Temo que toda essa explicação seja em vão, pois as pessoas não querem mais dialogar; querem desculpas intermináveis ​​e submissão. Quem espera isso de mim não receberá nada disso”, escreveu o criador.

    “Se eu for cancelado, paciência. Não faço mais isso por dinheiro; faço porque gosto. Se as pessoas acham que estou fazendo mais mal do que bem agora, talvez seja melhor que eu seja cancelado e me aposente. Eu aceitaria isso”, disse ele. Apesar do tom, ele permaneceu ativo no Reddit e no Twitter e se manteve envolvido com os novos títulos de FNAF, em especial os dois filmes para cinema.

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    Em 2024, ele deu uma entrevista onde disse que tinha medo que os fãs reagissem mal ao primeiro longa. “Se os críticos tivessem amado e os fãs estivessem bravos, isso seria um fracasso pra mim. Estou perfeitamente feliz com os críticos odiando e os fãs reagindo positivamente”, declarou.

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