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Como um especialista identifica uma assinatura falsa?

Para flagrar uma assinatura falsa, peritos não analisam apenas a letra. Também olham a pressão sobre o papel, a velocidade das marcas e muito mais. Confira

Por Giselle Hirata
24 nov 2016, 14h04 • Atualizado em 11 mar 2024, 12h06
  • elementos-da-grafia-bucles-ovais-hastes
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    Além de comparar o documento falso com o autêntico, o perito grafotécnico faz análises detalhadas da escrita, como a força aplicada no papel e os padrões de movimentos que dão origem às formas. O estudo, que ganhou força no início do século 20, se baseia no princípio de que o cérebro é o responsável pelo gesto gráfico – ou seja, é ele que gera a imagem das letras e coordena o movimento dos músculos e do punho na hora de escrever.

    Sendo assim, como não há duas pessoas com cérebros iguais, é impossível fazer uma falsificação perfeita. Para descobri-la, o perito conta com vários instrumentos específicos, como lupas com grau de aumento, estereoscópios (um tipo de microscópio binocular), luz ultravioleta, raio infravermelho e negatoscópio (mesa com iluminação interna).

    Na própria assinatura, são analisadas três conjuntos de evidências: as características genéricas, as características genéticas e os elementos da grafia. Além disso,  marcas, manchas, borrões e colagens no documento podem fornecer pistas.

     

    proporcionalidade-comportamento-grafica

    CARACTERÍSTICAS GENÉRICAS
    São os aspectos típicos da próprio processo de escrever

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    Comportamento gráfico (1)

    comportamento-grafico

    É a direção e a distância da escrita em relação à pauta ou à base de apoio. Pode ser classificado como alinhado, ascendente, descendente, sinuoso e arqueado.

     

    Proporcionalidade gráfica (2)

    São as relações dimensionais entre as diversas partes da escrita. Por exemplo, no caso do “d”, analisa-se a proporção entre o tamanho da “haste” e o da “bolinha”.

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    Espaçamento gráfico (3)

    Há três tipos. O interliteral é a distância entre as letras ou símbolos. O intervocabular, entre as palavras. E o intergramático, entre as gramas (traços) que formam uma letra.

     

    Valores angulares e curvilíneos (4)

    Indica a predominância de gramas curvos na escrita. São classificados em arcada, guirlanda e anguloso.

     

    Inclinação axial (5) 

    É a inclinação dos eixos gramáticos das letras em relação à pauta. A dextrógira tende ir para a direita, a sinistrógira inclina para a esquerda e a vertical forma um ângulo de 90º.

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    calibre

    Calibre (ao lado)

    É o tamanho das letras. Pode ser classificado como pequeno (a altura das letras é igual ou menor que 3 mm), médio (entre 3 e 4 mm) e grande (acima de 4 mm).

     

    + Quem decidiu a ordem das letras no alfabeto?

    + Como surgiu a caneta?

     

    CARACTERÍSTICAS GENÉTICAS
    São as propriedades típicas de cada pessoa

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    Pressão e progressão

    Duas forças determinam a escrita. A vertical é a pressão da caneta contra o papel. E a horizontal (ou lateral) é o movimento da caneta sobre o papel, criando uma progressão.

     

    Momento gráfico

    É a trajetória do punho, que se transforma em gramas ou traços. Quando a caneta toca o papel e a letra é escrita, trata-se de um movimento positivo. Quando se afasta do papel (e o movimento não é grafado), chama-se de negativo.

     

    Ataque e remate (7)

    São o ponto em que o escritor começa e termina a escrita respectivamente, colocando e tirando a caneta do papel. Analisa-se, por exemplo, se há maior concentração de tinta no começo ou no fim, aumento de pressão ou uniformidade.

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    valores-angulares-e-curvilineos

    ELEMENTOS DA GRAFIA
    São os detalhes de cada letra, que cada pessoa desenha de um jeito

     

    Traços complementares

    O corte do “t”, o pingo do “i” e o cedilha do “ç” também podem dar indícios se a assinatura é original ou falsa.

     

    elementos-da-grafia-bucles-ovais-hastes

    + O que é grafologia?

    + Como é escrito um roteiro?

     

    OS TIPOS DE FALSIFICAÇÃO
    Cada uma costuma deixar uma pista específica do crime

     

    Sem imitação: Quando o falsificador “inventa” na hora o traçado, sem qualquer referência da assinatura original. É comum em cheques para terceiros.

    De memória: O falsário tenta reproduzir, de cabeça, uma assinatura que já viu. Geralmente, foca nas letras maiúsculas, que, por serem maiores, chamam mais atenção.

    Imitação servil: Quando a pessoa tem a assinatura original e tenta copiar, sem muito treino. Costuma apresentar retoques, tremores e interrupções.

    Decalque: Além da assinatura original, o criminoso usa alguma técnica, comotransparência ou carbono. Pode ter interrupções ou irregularidades rítmicas.

    Exercitada: É a do falsificador expert, capaz de reproduzir quase todas as características do desenho original. Só peritos conseguem encontrar as falhas.

     

    CONSULTORIA Orlando Garcia, perito grafotécnico e professor de grafotécnica, e Paulo de Salvo, perito grafotécnico e documental da Conpej-SP

     

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