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O que foi a Nouvelle Vague?

Na tradução, o nome do movimento significa “nova onda”

Por Thaís Sant'ana Atualizado em 4 jul 2018, 20h24 - Publicado em 22 jun 2011, 17h54

Foi uma nova estética de cinema criada na França, em 1958, como reação contrária às superproduções hollywoodianas da época, encomendadas pelos grandes estúdios.A contraproposta eram filmes mais pessoais e baratos – o chamado “cinema de autor”. Seus principais representantes eram jovens críticos, reunidos ou inspirados pela revista Cahiers du cinéma (“cadernos de cinema”), criada pelo teórico André Bazin e considerada a bíblia da crítica à sétima arte. Depois de muito resenharem filmes alheios, eles arregaçaram as mangas e fizeram os seus. Em comum, tinham o desejo por autonomia criativa, mas cada um retratou suas próprias questões pessoais e cotidianas.

CINEMA DE AUTORES

Conheça os diretores que mais se consagraram

COMO ERA:

Produções baratas (várias delas, financiadas pelos próprios diretores)

Atores pouco conhecidos

Muitas filmagens nas ruas, em oposição aos estúdios

Tramas com idas e vindas no tempo, rompendo com a narrativa linear tradicional

Liberdade estética: cortes repentinos e a câmera em qualquer ângulo ou posição

Temas cotidianos e tabus

Personagens à margem da sociedade, como criminosos, adúlteros e rebeldes

Roteiro bem livre

O ÍCONE

FRANÇOIS TRUFFAUT (1932-1984)

Principais filmes

Os Incompreendidos (1959), Jules e Jim (1961), O Garoto Selvagem (1970) e O Homem que Amava as Mulheres (1977). Ao lado de Godard, foi o principal nome do movimento. Teve infância conturbada e, na adolescência, foi acolhido por Bazin, que se tornou seu protetor. Aos 25, já tinha visto 3 mil filmes. Logo em seu primeiro longa, Os Incompreendidos, venceu o Festival de Cannes. Em 1974, levou o Oscar de melhor filme estrangeiro por A Noite Americana.

O VETERANO

JEAN-LUC GODARD (1930)

Principais filmes

Uma Mulher É uma Mulher (1961), Alphaville (1965), Acossado (1960), e O Demônio das Onze Horas (1965).

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Foi o que mais produziu e inovou. Mas também é considerado umdos responsáveis pelo fim do movimento, após brigar, em 1968, com seu então grande amigo Truffaut. Hoje, é o maior mito vivo do cinema francês – e continua trabalhando. Sua última obra, Filme Socialismo, foi lançadoem 3 de dezembro do ano passado, no seu aniversário de 80 anos.

O SUBSTITUTO

ERIC ROHMER (1920–2010)

Principais filmes

O Signo do Leão (1962), A Colecionadora (1967), O Joelho de Claire (1970) e Pauline na Praia (1983).

Foi o primeiro dos jovens críticos a se tornar diretor editorial da Cahiers du Cinéma após a morte de André Bazin – que morreu jovem, aos 40 anos, em 1958. Seus filmes na Nouvelle Vague não foram grandes sucessos, mas, na década de 70,seu nome foi lembrado e até hoje é um dos membros mais apreciados.

O POLÊMICO

JACQUES RIVETTE (1928)

Principais filmes

A Religiosa (1966), Céline e Julie Vão de Barco (1974) e A Bela Intrigante (1991).

Repercutiu com seu segundo longa, A Religiosa, adaptação de umapeça de Diderot. A história de uma jovem freira perseguida por suas superioras chocou a França e foi censurada em vários países. Nofi nal das contas, ajudou a quebrar alguns tabus da época. Com o fim do movimento, Rivette, como tantos outros, migrou para a TV.

O PIONEIRO

CLAUDE CHABROL (1930-2010)

Principais filmes

Nas Garras do Vício (1958), A Mulher Infiel (1968), O Açougueiro (1970) e Um Assunto de Mulheres (1988).

Financiado por uma herança, foi o primeiro do grupo a rodar um filme, em 1958. Seus primeiros trabalhos têm tom sóbrio e muito suspense.Na década de 60, sua produção fi cou um pouco parada, até voltar à ativa, com vários sucessos após as revoltas estudantis de maio de 1968, que marcaram a França. Em meados dos anos 70, foi para a TV.

…E COMO FICOU:

Cinema Novo: de onde você acha que veio o famoso lema de produção “uma câmera na mão, uma ideia na cabeça”?

Martin Scorsese, Francis Ford Copolla e George Lucas, entre outros: a geração dos anos 60 e 70 consolidou o cinema independente americano

Quentin Tarantino: sua produtora se chama A Band Apart, um filme de Godard. O diálogo entre alta e baixa cultura em Pulp Fiction vem de Acossado, também de Godard.

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