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Qual é o truque dos ventríloquos?

Para "projetar" a própria voz em um boneco articulado, o artista precisa de muita técnica vocal e um bom roteiro

Por Diego Meneghetti Atualizado em 14 fev 2020, 17h45 - Publicado em 27 Maio 2013, 13h33
Cecília Andrade/Mundo Estranho

PERGUNTA Matheus Costa, Brasília, DF

Para fazer um boneco “falar”, o ventríloquo precisa movimentá-lo em sincronia com a sua voz, emitida sem mexer os lábios. A neurociência explica como o espectador é enganado: quando o som e os movimentos da boca do boneco acontecem ao mesmo tempo, a tendência é associá-los inconscientemente – o mesmo ocorre quando assistimos TV e achamos que o som vem dos lábios de quem está na tela e não dos alto-falantes.

Acredita-se que a prática da ventriloquia tenha começado em torno de 300 a.C., na Grécia antiga, usada por oráculos para simular a voz dos deuses. Na Idade Média, a técnica foi associada à bruxaria e, no século 16, começou a aparecer em shows de mágica. Só no fim do século 19 ganhou o formato atual, com fantoches divertindo a audiência com histórias e piadas.

Alguns ventríloquos fazem a voz do boneco enquanto fingem beber água. O truque é feito com um copo especial, usado em números de mágica.

 

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Confira como é criada a ilusão sonora:

1) LÁBIOS IMÓVEIS

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Falar sem mexer a boca, com lábios entreabertos, requer fôlego e treino. Iniciantes começam a praticar falando vogais em frente ao espelho, sempre inspirando fundo e soltando o ar devagar.

2) TROCA DE LETRAS
Pronunciar letras como “p”, “b”, “m” e “f” sem mover os lábios é difícil. Nesses casos, a saída é falar “nãe” em vez de “mãe” e “tato” em vez de “pato”, por exemplo. No meio de outras palavras, ninguém percebe a diferença na pronúncia.

3) OBJETO VIVO
Pequenas ações do boneco, como balançar a cabeça, iludem a plateia, fazendo-a associar os sons com os movimentos. Além disso, na hora da “fala”, o ventríloquo olha fixo para ele, conduzindo o olhar do público.

4) IDENTIDADE VOCAL
Desenvolver uma voz para o boneco é fundamental para que a plateia acredite que é ele quem está falando. A entonação precisa combinar com o perfil do personagem e, ao mesmo tempo, ser bem diferente da voz do ventríloquo.

5) ROTEIRO É TUDO
O texto precisa ser decorado, com as palavras mais difíceis ensaiadas várias vezes. O processo ajuda o ventríloquo a esquecer que está falando consigo mesmo e dar naturalidade ao diálogo.

 

CONSULTORIA Yakko Sideratos, ator e ventríloquo

FONTES Livro Dumbstruck: A Cultural History of Ventriloquism, de Steven Connor, e site Science Daily

 

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