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Teoria da Conspiração: Os Protocolos dos Sábios de Sião

Desde o fim do século 19, esse suposto documento tem servido para acusar judeus de formarem uma conspiração para dominar o mundo

Por Diogo Antônio Rodriguez
Atualizado em 28 mar 2023, 15h05 - Publicado em 1 set 2016, 16h49

Os Protocolos dos Sábios de Sião_ME 1

ILUSTRAS Artur Fujita

1) 1897: PLANEJANDO O DOMÍNIO

O 1º Congresso Sionista Mundial rolou em Basel (Suíça), com judeus do mundo todo discutindo a criação de um Estado próprio. O encontro foi convocado pelo jornalista e ativista Theodor Herzl, um dos pioneiros em defender a existência de um país para os judeus. Segundo o texto dos Protocolos, o objetivo da reunião seria mais ambicioso: dominar o mundo.

2) 1905: UMA VEZ PERSEGUIDOS…

Sergei Nilus, místico e conselheiro do czar russo Nicolau II, publicou O Grande no Pequeno, citando um documento secreto: Os Protocolos dos Sábios de Sião. Segundo Nilus, a polícia secreta russa (Okhrana) obteve o material na França, comprovando a intenção dos judeus de derrubar o czarismo na Rússia. Foi o início da perseguição de Nicolau aos judeus no país.

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3) 1926: FUNDAMENTO DO MAL

Preso durante três anos por tentativa de golpe de estado, Adolf Hitler escreveu Mein Kampf, manifesto político e ideológico que serviu de base para a instalação do 3º Reich e do nazismo na Alemanha. No livro, Hitler usou trechos dos Protocolos para justificar a caça aos judeus que se deu anos depois e culminou no Holocausto.

+ Por que os nazistas queriam exterminar os judeus?

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4) 1933: DISTRIBUIÇÃO ALEMÃ

Já era prática comum dos nazistas editar e distribuir cópias dos Protocolos pela Alemanha, mesmo antes de tomarem o poder. Em 1919, já havia uma edição do texto em solo germânico. Ao assumirem o governo, passaram a usar o texto sistematicamente para incitar o ódio aos judeus e justificar sua perseguição a eles.

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Os Protocolos dos Sábios de Sião_ME 2

5) 2005: ATÉ NAS TORRES GÊMEAS

O Ministério da Informação da Síria autorizou a publicação de uma versão que culpa os judeus pelos atentados de 11 de setembro de 2001, nos EUA. No mundo árabe, aliás, a publicação sempre foi popular. Divulgado em 1988, o manifesto do Hamas, grupo político e militar que governa a Palestina, cita vários trechos dos ProtocolosSíria, Turquia, Índia e Egito são alguns dos países em que apareceram (e ainda aparecem) edições “atualizadas” do texto.

6) 1937: PROTOCOLOS BRASILEIROS

Por aqui também houve uma edição do texto. O responsável pela versão nacional foi Gustavo Barroso, membro do movimento integralista, versão brasuca do fascismo. Desde a Independência, setores conservadores nacionais cogitavam conspirações judaicas em eventos políticos importantes do Brasil. Barroso era um reconhecido antissemita e admirador do nazismo.

7) 2005: TROCA DA PESADA

Uma edição mexicana dos Protocolos sugere que o Holocausto, em que 6 milhões de judeus morreram sob o nazismo, teria sido moeda de troca para que os judeus conseguissem, anos depois, criar o Estado de Israel. Não há explicações de como e com quem essa negociação teria sido feita.

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EXPLICANDO A VERDADE

Além de ser falso, o texto dos Protocolos é plágio

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– O “autor” foi Mathieu Golovinski. Em 1898, o czar Nicolau o chamou para pôr a culpa dos males econômicos e sociais da Rússia nos judeus. Para isso, adaptou trechos de O Diálogo no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu e do romance Biarritz.

– O texto já foi identificado como ficção. Em 1921, o repórter britânico Philip Graves, do The Times, desmentiu o livro em uma matéria. Na Suíça, em 1935, um julgamento contra os nazistas apontou a farsa dos Protocolos.

– Henry Ford, fundador da Ford, admitiu que O Judeu Internacional (sua versão dos Protocolos, publicada em capítulos no jornal Dearborn Independent, em 1920) era uma mentira.

– Como o mito continua forte, o Holocaust Museum, em Nova York, fez em 2006 uma exposição para denunciar a farsa dos textos criados por Golovinski.

FONTES Livro O Complô – A História Secreta dos Protocolos dos Sábios de Sião, de Will Eisner; sites Holocaust Museum, Britannica, Opera Mundi, adl.com, The New York Times e BBC News
CONSULTORIA Abraham H. Foxman, diretor da Anti-Defamation League (Liga Antidifamação dos EUA)

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