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Dossiê mpox: 16 perguntas e respostas para entender a doença

Tire suas dúvidas sobre mpox: sintomas, transmissão, vacina e cenário no Brasil em 2026

Por Bela Lobato
24 fev 2026, 08h00 • Atualizado em 24 fev 2026, 13h21
  • 1) Quando surgiu a mpox?

    A mpox é causada pelo vírus MPXV, identificado pela primeira vez em macacos de laboratório na década de 1950. O primeiro caso humano conhecido ocorreu em 1970, na zona rural da República Democrática do Congo, marcando o início do monitoramento da doença em pessoas.

    Desde então, a mpox tornou-se endêmica em partes da África Central e Ocidental, com registros esporádicos ao longo das décadas. Depois da erradicação da varíola humana em 1980 e o fim da vacinação em massa, a doença passou a emergir gradualmente nessas regiões.

    Em 2022, houve uma expansão inédita da doença fora da África, com cerca de 87 mil casos e 140 mortes no mundo. Desde então, a doença segue ativa, com aumento de casos em 2024 e circulação de novas variantes potencialmente mais transmissíveis.

    2) Quando começou o surto atual de mpox?

    O surto global mais recente começou em maio de 2022, quando casos surgiram de forma súbita e se espalharam rapidamente por 144 países. A transmissão ocorreu principalmente de pessoa para pessoa, inclusive por redes de contato íntimo.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), desde janeiro de 2022, 179 mil casos e 483 mortes foram confirmadas por exames laboratoriais em todo mundo. Nesse período, também houve aumento de casos e óbitos na República Democrática do Congo, com a circulação de uma nova linhagem chamada clado Ib.

    A OMS declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional duas vezes: em maio de 2022 e em agosto de 2024. A segunda emergência foi encerrada em 5 de setembro de 2025. 

    Em 2026, até 31 de janeiro, foram confirmados 1.334 casos e três mortes por mpox em 50 países. É possível que o número real seja maior, já que nem todos os casos são devidamente testados e registrados.

    3) Como está a mpox no Brasil em 2026?

    Até o dia 20 de fevereiro de 2026, ao menos 62 casos de mpox foram diagnosticados no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais obtidos pela Veja Saúde.

    De acordo com as autoridades sanitárias, a maioria dos quadros registrados no país tem sido leve ou moderada. Até o momento, não há registro de mortes associadas à doença em 2026. 

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    4) Quais os sintomas de mpox?

    Os sintomas iniciais mais comuns incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e nas costas, linfonodos inchados, calafrios e exaustão. O período de incubação costuma variar de 3 a 21 dias, fase em que a pessoa não apresenta sinais da doença.

    Após alguns dias do início da febre, surgem lesões na pele que podem aparecer no rosto, mãos, pés, boca e região genital. Essas lesões evoluem de manchas para bolhas com líquido, formam crostas e depois cicatrizam. Em casos mais graves, as lesões podem causar desfiguração e, se atingirem os olhos, levar à cegueira. 

    5) É possível ter mpox sem sintomas?

    Ainda não há resposta definitiva para essa pergunta. Estudos seguem em andamento para determinar se pessoas infectadas podem transmitir o vírus sem apresentar sinais clínicos.

    6) Qual a mortalidade da mpox?

    A mortalidade da mpox varia conforme o período, a região e as condições de saúde dos pacientes. Uma revisão com mais de 47 mil casos estimou uma taxa global de mortalidade de 3,1%.

    Antes de 2016, a letalidade estimada era de 11,4%, caindo para 2,4% entre 2016 e 2025 e para 1,5% no período pós-covid. A mortalidade também difere geograficamente: cerca de 6,3% na África e 0,1% na Europa.

    O risco é muito maior em pessoas com coinfecção por HIV, entre as quais a mortalidade estimada chegou a 83,8% no conjunto de estudos analisados.

    7) Como se transmite mpox?

    A transmissão ocorre principalmente por contato próximo com uma pessoa infectada, especialmente com as lesões de pele, fluidos corporais ou objetos contaminados, como roupas de cama e toalhas. Não é uma doença exclusivamente sexual, embora possa se espalhar em contatos íntimos.

    A pessoa com mpox pode transmitir o vírus desde o início dos sintomas até a cicatrização completa das lesões e formação de nova pele.

    Casos também foram registrados em ambiente doméstico, entre profissionais de saúde e por transmissão de mãe para feto, podendo resultar em aborto. No início da mpox, a transmissão pelo contato com animais era mais comum, mas, em 2024, não houve registros de transmissão assim.

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    Metade do seu corpo não é humano

    8) Como se proteger da mpox?

    A principal medida preventiva é evitar contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença. Isso inclui não tocar nas lesões nem compartilhar objetos de uso pessoal.

    Quando o contato é necessário – como no caso de cuidadores ou profissionais de saúde – recomenda-se o uso de luvas, máscara, avental e proteção ocular. Pessoas infectadas devem manter isolamento imediato e não compartilhar toalhas, roupas, lençóis, escovas de dente ou talheres até o fim do período de transmissão.

    9) Existe vacina para mpox?

    Sim. Vacinas originalmente desenvolvidas contra a varíola humana também protegem contra a mpox. Entre elas estão Dryvax, ACAM2000 e a vacina mais recente MVA-BN (também conhecida como Imvanex, Imvamune ou Jynneos).

    Acontece que, desde a erradicação da varíola, essas vacinas não são amplamente disponíveis para a população geral. Em alguns países, seu uso ocorre de forma limitada, conforme diretrizes nacionais.

    Estudos indicam que pessoas previamente vacinadas contra a varíola podem ter alguma proteção e, em certos casos, podem precisar apenas de uma dose de reforço.

    9) A vacina para mpox está disponível no SUS?

    Sim. O Sistema Único de Saúde oferece vacina contra mpox tanto para prevenção quanto para uso pós-exposição, quando há contato de médio ou alto risco com pessoa infectada.

    No entanto, o imunizante não está disponível para o público em geral. A aplicação segue critérios técnicos definidos pelas autoridades de saúde (veja abaixo).

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    10) Quem pode tomar a vacina de mpox no Brasil?

    Na vacinação pré-exposição, o público prioritário inclui pessoas vivendo com HIV/aids – homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais com 18 anos ou mais e contagem de CD4 abaixo de 200 células nos últimos seis meses.

    Também estão incluídos profissionais de laboratório que trabalham diretamente com Orthopoxvírus em instalações de biossegurança nível 2, entre 18 e 49 anos.

    Na vacinação pós-exposição, podem receber a dose pessoas que tiveram contato direto com fluidos ou secreções de casos suspeitos, prováveis ou confirmados, desde que a exposição seja classificada como de médio ou alto risco.

    11) Como saber se tenho mpox?

    Em caso de suspeita, procure imediatamente atendimento médico. O diagnóstico é laboratorial, feito por teste molecular ou sequenciamento genético. As amostras são coletadas preferencialmente da secreção das lesões ou, quando já secas, das crostas.

    O exame é indicado para todos os pacientes com suspeita clínica. A doença pode ser confundida com outras que causam erupções na pele, como varicela (catapora), herpes, sífilis, alergias e outras. No Brasil, a notificação é obrigatória e deve ser feita em até 24 horas pelos serviços de saúde por meio do sistema e-SUS Sinan.

    12) Existe remédio para mpox?

    Até o momento, não há medicamento aprovado especificamente para tratar a mpox.

    O manejo dos casos baseia-se principalmente no alívio sintomas, prevenção de complicações e sequelas. A maioria das pessoas apresenta quadros leves ou moderados e se recupera sem necessidade de tratamentos específicos.

    13) O que fazer se eu tiver mpox?

    A maioria das pessoas se recupera em duas a quatro semanas. Quem apresentar sintomas deve procurar orientação de um profissional de saúde, permanecer em casa  – preferencialmente em quarto bem ventilado – e higienizar as mãos com frequência.

    Também é recomendado usar máscara e cobrir as lesões ao estar perto de outras pessoas, manter a pele seca, desinfetar superfícies compartilhadas e utilizar medicamentos comuns para dor, como paracetamol ou dipirona, se necessário.

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    É importante não estourar as bolhas nem coçar as feridas. O isolamento deve ser mantido até a cicatrização completa das lesões. Após a recuperação, o uso de preservativo por 12 semanas pode reduzir o risco de transmissão em contatos íntimos.

    14) Por que a mpox não se chama mais varíola dos macacos?

    O nome original foi adotado em 1970, antes das diretrizes modernas da OMS para nomenclatura de doenças. Em 2015, a organização passou a recomendar nomes que evitem impactos negativos sobre países, grupos sociais ou animais.

    Durante o surto de 2022, foram relatados episódios de linguagem racista e estigmatizante associados ao termo antigo, o que levou países e especialistas a pedir a mudança. Após consultas públicas e técnicas, a OMS adotou oficialmente o nome mpox para reduzir estigmas e alinhar a nomenclatura às boas práticas internacionais.

    15) Qual a diferença entre a mpox e a varíola comum?

    A varíola humana é causada pelo vírus Variola e foi declarada erradicada pela OMS em 1980. Já a mpox é causada pelo vírus MPXV e continua em circulação, principalmente em regiões da África.

    A varíola humana apresentava taxa de mortalidade muito mais alta, em torno de 30%. Na mpox, a letalidade média é de 3,1%, embora os sintomas variem entre grupos. 

    Embora as doenças tenham sintomas semelhantes, são causadas por vírus diferentes e têm impactos epidemiológicos distintos.

    16) Como profissionais da saúde podem se orientar sobre mpox?

    A Fiocruz oferece o curso online Mpox: Vigilância, Informação e Educação, com duração de 48h e emissão de certificados.O Ministério da Saúde mantem uma página dedicada à doença, reunindo protocolos, notas técnicas e orientações de vigilância atualizadas e confiáveis. Já a OMS oferece diversos cursos online sobre mpox, embora nem todos estejam disponíveis em português. Vale conferir aqui.

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