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Laxante, selênio e alguns gases

Um pó com muito carboidrato e alguma proteína promete substituir duas refeições do seu dia. Qual o truque dos shakes para controlar sua fome? Encher você de ar

Paulo Gama

O alimento – Maltodextrina

Saco vazio não para em pé, certo? Até fica, se estiver inflado – é com base nessa ideia que os shakes são feitos. Para substituir as refeições, eles têm muito carboidrato, ou maltodextrina, no caso. Produzido a partir do amido de milho, esse ingrediente é digerido devagarinho pelo organismo, o que garante energia ao corpo no período em que você deveria estar se alimentando. Por isso a maltodextrina é a rainha dos suplementos consumidos por maratonistas e marombeiros.

Os gases – Albumina

Outra velha conhecida dos puxadores de ferro, a albumina é a proteína da clara de ovo (aqui, extraída da clara desidratada). Se por um lado fornece uma variedade de aminoácidos à mistura, por outro é responsável pelo mais desagradável dos efeitos colaterais: o excesso de gases, produzidos durante o processo de digestão. A dose de proteína da mistura ainda é reforçada por leite em pó e soro de leite, mas, mesmo assim, passa longe de valer por um bifinho: corresponde a só 10% de um bife de alcatra.

O marketing – Vitaminas e minerais

Em um prato de comida, nutrientes vêm incluídos. Mas no shake é preciso adicioná-los, pra ninguém falar que a refeição é pobre em vitaminas e minerais. Aqui a dose tem 23 ingredientes, como ferro e selênio. Este último aparece também em painéis solares, porque ajuda a converter a luz em energia.

A mágica – Goma guar

Fibra solúvel extraída do guar, uma planta originária da Índia. Já no copo ela começa a desempenhar a sua função: dar mais consistência ao shake. Mas a goma só atinge seu máximo de viscosidade duas horas depois de hidratada. A essa altura ela já estará no seu estômago, promovendo a mágica sensação de barriga cheia.

O laxante – Farinha de aveia

Esse punhado de nutrientes desidratados sem fibras ingeridos na forma líquida podem deixar o intestino preguiçoso, já que ele praticamente não vai ser requisitado. É aí que entra a farinha de aveia: suas fibras não solúveis ajudam a aumentar o volume do bolo fecal e a manter, digamos, sua regularidade intestinal.

O tempero – Corantes e aroma artificiais

Junte todos esses ingredientes e imagine o gosto da mistura: até um prato de chicória seria mais atraente. Mas tudo pode ser facilitado por sabores como morango, baunilha ou chocolate, graças a uma dose generosa de aromatizantes e corantes. O sabor doce também é artificial, mas pelo menos não engorda.

Fontes Agência Nacional de Vigilância Sanitária; Comitê de Aditivos Alimentares da OMS e da ONU (JECFA); Daniella Tolari, nutricionista responsável pelo produto; Maricê Nogueira de Oliveira, bioquímica da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP; e Samantha Andrade, nutricionista da Faculdade de Saúde Pública da USP.