🔥 Mês do Cliente: Revista Impressa + Digital Premium por R$ 12,99/mês!

Lítio pode ser peça-chave no tratamento do Alzheimer, sugere estudo de Harvard

Cientistas descobriram que os cérebros com demência têm pouco desse metal – e que suplementos revertem a perda de memória em camundongos.

Por Bruno Carbinatto 14 ago 2025, 19h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h25
Lítio pode ser peça-chave no tratamento do Alzheimer, sugere estudo de Harvard Priorizar nos meus resultados Google

Mais lembrado por seu papel nas baterias, o lítio também é um velho conhecido da medicina: é usado no tratamento de depressão e transtorno bipolar, por exemplo. Agora, um novo estudo de cientistas da Universidade Harvard sugere que esse metal também pode ser uma peça-chave promissora na prevenção e no tratamento do Alzheimer.

Um estudo publicado na revista Nature mostra que pessoas com a doença apresentam menores concentrações de lítio nos tecidos cerebrais. Além disso, a suplementação do elemento reverteu os sintomas do declínio cognitivo entre camundongos, indicando assim uma nova linha de pesquisa que pode levar a novos tratamentos.

O lítio é o terceiro elemento da tabela periódica e é encontrado na natureza em doses baixas. O metal entra no nosso corpo pela dieta e pela água potável e, por razões que ainda não entendemos muito bem, funciona como um estabilizador de humor. Por isso, medicamentos à base de lítio são usados há décadas na psiquiatria para tratar depressão e outros transtornos.

Pesquisas feitas nos últimos anos já mostravam que o lítio poderia ter efeitos neuroprotetores e combater Alzheimer e outros tipos de declínio cognitivo, mas a questão permanece em aberto. 

Continua após a publicidade

Em 2024, por exemplo, um artigo que contou com cientistas brasileiros descobriu que, em regiões onde a água naturalmente contém maiores concentrações do metal, os níveis de demência também são menores. Outros estudos mostraram que pessoas com transtorno bipolar que consomem remédios à base de lítio apresentam um envelhecimento mental mais lento. Mas foram poucos os ensaios clínicos que testaram esses medicamentos contra o Alzheimer, e eles apresentaram resultados mistos. 

Agora, o novo estudo dos pesquisadores de Harvard traz a evidência mais forte até então sobre a relação entre o lítio e o Alzheimer. Por anos, os cientistas analisaram os tecidos cerebrais de pessoas idosas que morreram, incluindo indivíduos saudáveis, com Alzheimer e com declínio cognitivo leve, que costuma preceder um quadro mais grave de demência.

Continua após a publicidade

A equipe concluiu que o único elemento químico que variava entre os cérebros saudáveis e aqueles com declínio era o lítio, que aparecia em menor quantidade nos órgãos adoecidos. Não se sabe exatamente qual a função do metal nos nossos neurônios, mas é possível que ele tenha um papel importante.

Curiosamente, nos cérebros com Alzheimer, o pouco lítio que estava presente aparecia próximo das placas amiloides, os acúmulos de proteína característicos em órgãos com a doença. Apesar de décadas de estudo na área, ainda não sabemos exatamente o que causa o Alzheimer, mas a placa amiloide é uma das protagonistas da doença.

Continua após a publicidade

Uma hipótese levantada pelos cientistas do novo artigo é que as placas amiloides “suguem” o lítio do cérebro para si, e a falta do metal no restante do tecido cerebral cause, de alguma forma, o declínio cognitivo da demência. 

Continua após a publicidade

Para testar a relação entre o lítio e o Alzheimer, os cientistas induziram as placas amiloides e os sintomas da doença em camundongos por edição genética. Depois, suplementaram a dieta dos bichos com uma substância chamada orotato de lítio. A suplementação impediu a formação de novas placas no cérebro dos roedores, mostraram os resultados. E não só: o declínio cognitivo dos camundongos – medido com testes que usaram, por exemplo, labirintos –, foi revertido após o tratamento.

Além disso, em camundongos cuja dieta era propositalmente pobre em lítio, os sintomas de Alzheimer e as placas amiloides apareceram mais cedo, e com mais força, do que em camundongos com uma dieta padrão.

Continua após a publicidade

Um detalhe importante: os resultados positivos só foram observados quando o suplemento usado era o orotato de lítio. Carbonato de lítio – a forma mais comum em medicamentos para bipolaridade e depressão – não teve um efeito considerável, possivelmente porque era “sequestrado” pelas placas amiloides. Isso pode explicar, inclusive, porque estudos anteriores que exploraram a relação entre lítio e Alzheimer foram inconclusivos: a maioria usou essa versão do elemento. 

O novo estudo sugere que a investigação do lítio pode abrir um caminho para novos tratamentos contra a demência, doença que afeta quase 60 milhões de pessoas no mundo (o Alzheimer é a forma mais comum). Mas vale lembrar: o estudo foi feito em camundongos, que são muito diferentes dos humanos. Este é o primeiro passo de uma linha de pesquisa promissora, mas ainda incipiente. 

Nada de suplementar lítio por conta própria, então: os medicamentos à base do metal usados na psiquiatria, por exemplo, podem ter efeitos colaterais graves.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com uma árvore estilizada em verde-claro ao ladoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo O mês é do cliente. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).