Chegou o 6.6: Super por apenas 9,90

Lobotomia desenfreada

Por 26 Maio 2012, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h33
Lobotomia desenfreada Priorizar nos meus resultados Google

Eduardo Szklarz

Erro – Danificar conexões do cérebro em larga escala para “ajustar” o comportamento de doentes mentais à sociedade.

Quem – Walter Freeman e outros lobotomistas americanos e europeus.

Quando – Entre 1936 e 1978.

Consequências – 70 mil pessoas lobotomizadas. Pelo menos 3,5 mil delas morreram (o número pode ser 4 vezes maior) e dezenas de milhares viraram “zumbis”.

Continua após a publicidade

A busca pela cura dos transtornos mentais motivou cirurgias pavorosas ao longo da história. Mas nenhuma foi tão extrema quanto a lobotomia, desenvolvida nos anos 30 pelo psiquiatra americano Walter Freeman. A operação começava com um choque elétrico para deixar a pessoa inconsciente. Com a ajuda de um martelo, o médico introduzia um quebra-gelo no globo ocular até atingir o interior do crânio. Em seguida, girava o instrumento, cortando as ligações entre o lobo frontal e as demais regiões do cérebro.

Depois da intervenção cirúrgica, pacientes que muitas vezes apresentavam comportamento agressivo ficavam calminhos, prontos para retornar à sociedade. A técnica virou moda: cerca de 70 mil lobotomias foram feitas até 1978 nos EUA e na Europa. Mas o outro lado da história era de arrepiar. Pelo menos 3,5 mil pessoas morreram em decorrência da cirurgia. E dezenas de milhares viraram verdadeiros zumbis.

Loteria macabra

Segundo o neurologista americano Lewis P. Rowland, autor de um artigo sobre o tema na revista Neurology Today, Freeman era um inconsequente que não tinha formação cirúrgica e operava sem saber exatamente o que estava fazendo. “Mais de 10% dos pacientes tinham convulsões”, escreve Rowland. “Numa das incursões de Freeman a um hospital público, 3 de 25 pacientes operados morreram – taxa de 12%.”

Continua após a publicidade

Quem era contra o procedimento dizia que, quando não matava o paciente, alterava sua personalidade. Já quem o defendia argumentava que a intenção era justamente essa. “A lobotomia fez sucesso porque, à época, vigorava a ideia de que o indivíduo tinha de se adaptar aos objetivos da sociedade”, diz Marietta Meier, especialista em história da psiquiatria da Universidade de Zurique, na Suíça. “Mudanças de personalidade, efeitos colaterais graves e mortes eram vistos como reflexos aceitáveis da busca por esses objetivos.”

Estado vegetativo

Continua após a publicidade

Nos anos 50, a popularidade da lobotomia começou a despencar com as evidências de que os pacientes estavam pagando um preço alto demais. Gente como Rosemary Kennedy, irmã do presidente americano John Kennedy. Depois de submetida a uma cirurgia feita por Freeman, passou a viver em estado vegetativo. Mesmo assim, a cirurgia continuou sendo feita até os anos 70.

LOBOTOMISTA SERIAL

Walter Freeman saía operando quem aparecesse pela frente.

Continua após a publicidade

• As cirurgias eram feitas sem assepsia, em 5 minutos e em qualquer lugar – até quartos de hotel.

• A bordo de sua van, o “lobotomóvel”, ele realizou 3 mil lobotomias nos EUA. Chegou a fazer 20 num único dia.

• Mas Freeman não inventou a lobotomia do nada. Seu precursor foi o português Egas Moniz – que, em 1936, já tinha desenvolvido uma técnica bem parecida e batizada leucotomia pré-frontal.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 63% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).