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Mais fôlego para seus pulmões

O sistema respiratório trabalha para que não falte oxigênio.

O sistema respiratório possui uma vasta rede de ramificações e 400 milhões de alvéolos. Todas as partes trabalham para que não lhe falte oxigênio. Porém esse abastecimento pode entrar em colapso se você se descuidar da saúde pulmonar.

Milhões de brasileiros sofrem de problemas respiratórios que afetam, de forma transitória ou crônica, sua qualidade de vida. Doenças como asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), pneumonia e câncer ocupam a segunda posição entre as razões mais importantes para procurar um médico. Durante os meses de outono e inverno, elas provavelmente são – juntamente com moléstias cardiovasculares – o primeiro motivo, segundo o médico Rafael Stelmach, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia. No Brasil, os problemas pulmonares são a quarta principal causa de mortes. No estado de São Paulo, as doenças respiratórias provocam 12% dos óbitos. Para saber cuidar dessa parte vital de nosso corpo, é importante antes de tudo entender seu funcionamento. Além de possibilitar a fala, a principal tarefa do sistema respiratório é abastecer de oxigênio os tecidos e eliminar o gás carbônico produzido por eles. Esse aparato começa pelo nariz e pela boca, continua por outras vias e segue até os pulmões.

Situado na parte inferior do cérebro, o centro respiratório controla de forma inconsciente o ritmo pulmonar, que geralmente é automático e determinado pelas necessidades fisiológicas do momento. Em repouso, a freqüência respiratória de um adulto saudável é de aproximadamente 12 respirações por minuto, inalando em média 500 mililitros de ar a cada respiração. Em um exercício intenso, uma pessoa pode chegar a 50 respirações por minuto e levar a seus pulmões 4,6 litros de ar. Em outro extremo, a vida fica por um suspiro quando os pulmões se movem de duas a quatro vezes por minuto e recebem apenas 1,5 litro de ar por minuto.

No entanto, nem sempre nossos cuidados são suficientes para manter o sistema respiratório saudável. Isso porque há pessoas que nascem com alguma lesão pulmonar, como é o caso dos pacientes com fibrose cística, cujas vias aéreas ficam cheias de secreção bronquiais espessas devido a alguma alteração genética. Além disso, nossos pulmões e brônquios estão sujeitos ao ar aspirado em locais por onde circulam vírus, bactérias, fungos, fumaças, gases, poluentes atmosféricos, poeiras e partículas que provocam alergia.

Cinco mil mortes por dia

Essas são algumas das razões que fazem a incidência e a gravidade de determinadas doenças respiratórias aumentarem de forma preocupante. De acordo com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, a tuberculose é a infecção curável que mais mata em todo o mundo, deixando a cada dia 20 mil novas pessoas doentes e causando 5 mil mortes. Somente no Brasil, a média é de aproximadamente 100 mil casos novos e 6 mil óbitos por ano – o que nos mantém entre os 22 países que concentram 80% dos mais de 8 milhões de novos casos de tuberculose registrados no planeta anualmente.

Não menos preocupante, há outras doenças pulmonares que evoluem de forma silenciosa e traiçoeira, manifestando-se quando o mal está feito. Há outros casos em que os sintomas confundem e acabam passando despercebidos pelo paciente e pelo próprio médico. Em parte, isso explica porque entre 15 e 20% dos casos de câncer pulmonar são detectados apenas depois de cinco anos. E porque metade dos asmáticos ignora sua doença. “Estudos em várias capitais brasileiras mostram que de 20 a 25% de crianças e adolescentes apresentam sinais sugestivos de asma. Entretanto, admite-se que somente de 12 a 15% têm um diagnóstico médico de asma”, diz Stelmach.

O câncer de pulmão é especialmente terrível. Nos países desenvolvidos, é a primeira causa de morte por câncer entre os homens e, em alguns, é a primeira também entre as mulheres, superando o câncer de mama. Nos Estados Unidos, estima-se que sejam diagnosticados 150 mil casos a cada ano. No Brasil, o número de mortes por câncer de pulmão chega a 15 mil e são diagnosticados quase 25 mil novos casos a cada ano.

A principal causa do aumento da incidência desse tumor é o cigarro. Os agentes cancerígenos presentes no cigarro – benzopireno, benzeno, nitrosamina – são considerados pelos oncologistas como os responsáveis por 90% dos casos de câncer de pulmão no homem e 80% na mulher. O restante dos casos é atribuído principalmente a substâncias tóxicas inaladas em alguns ambientes de trabalho e ao fumo passivo. “Estudos disponíveis estimam que a chance de um fumante passivo, como a mulher de um fumante, desenvolver um câncer de pulmão é duas vezes maior que a de um indivíduo não fumante”, diz Miriam Federico, professora de oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Existem indícios de que há uma certa suscetibilidade genética individual para desenvolver a doença. Como a ciência ainda não descobriu meios de identificar as pessoas com maior risco de padecer de câncer, a medida aconselhável a todos é abandonar o cigarro.

Algo parecido acontece com a DPOC. As primeiras manifestações dessa enfermidade vão ocorrer em pessoas entre 45 e 50 anos que abusaram do cigarro durante toda a vida. No entanto, muitas pessoas que sofrem de DPOC não associam os ataques matutinos de tosse, a maior produção de catarro e a fadiga a um problema de saúde, mas a sintomas típicos da velhice. Estão perigosamente errados. “Tosse e catarro não são normais, mesmo em fumantes. Se a tosse persiste por mais de três semanas ou vai e volta, é sinal de que algum grau de DPOC já se instalou”, diz Stelmach. “A cessação do tabagismo diminui os sintomas, porém a gravidade da lesão causada depende da sensibilidade da pessoa ao tabaco. É uma predisposição individual genética. De 15 a 20% dos fumantes desenvolverão DPOC, que é uma doença crônica, incurável e pode ser grave.”

Os fumantes com mais de 40 anos que apresentem esses sintomas devem procurar um médico o quanto antes para permitir a detecção de alterações no organismo ainda na fase inicial. Além disso, largar o cigarro é imprescindível para inibir a progressão da doença. Eliminando o tabagismo, o que muitas vezes não acontece – somente um em cada dez doentes segue à risca os conselhos médicos –, a administração precoce de certos remédios, como os broncodilatadores, os beta-2-adrenérgicos, os anticolinérgicos, os mucolíticos e os antibióticos, entre outros, pode melhorar a capacidade respiratória do paciente com DPOC. Às vezes, quando a obstrução impede a caminhada ou outra atividade física, é necessário recorrer a tratamento com oxigênio. Em estágios avançados da doença, não resta outra opção senão a cirurgia de redução do volume pulmonar ou o transplante.

Asma traiçoeira

A asma é outra doença traiçoeira – estima-se que seus sintomas passem despercebidos para 75% dos doentes. A tosse noturna ou enquanto se fazem exercícios, os assobios no peito, o catarro e a dificuldade respiratória que acompanham a asma se confundem com os sintomas de um resfriado ou outra infecção banal. As pessoas expostas a essas crises asmáticas dificilmente poderão se beneficiar de tratamentos. A asma se converteu na doença crônica mais comum que, entre crianças e adolescentes, tem origem alérgica em 80% dos casos. Aproximadamente um quarto dos bebês com menos de 3 anos apresenta sintomas asmáticos em algum momento. No entanto, cerca de 60% dessas crianças deixam de sofrer por isso antes de completar 7 anos.

Como explicar a elevada incidência? Não se sabe ao certo. O aumento do número de mulheres fumantes – que transformam seus filhos em fumantes passivos –, o abandono precoce da amamentação materna, certas substâncias presentes no ambiente – como as partículas que saem dos motores a diesel e o ar-condicionado – são alguns dos possíveis culpados. Alguns especialistas acreditam que o aumento dos casos dessa doença respiratória tenha relação com o desenvolvimento deficiente do sistema imunológico dos bebês devido a medidas de higiene que limitam o contato deles com os agentes infecciosos.

De acordo com essa teoria higienista, as citoquinas do tipo 1 (TH1), proteínas que são produzidas pela exposição, durante a infância, a diferentes agentes patológicos, ajudaram a proteger gerações anteriores da asma alérgica, uma doença mediada pelas citoquinas do tipo 2 (TH2). Os defensores dessa tese afirmam que as TH1 mantêm as TH2 sob controle. No entanto, um estudo publicado na revista americana Nature Immunology, assinado por cientistas da Universidade de Stanford, coloca em dúvida essa teoria. A polêmica está instalada, enquanto a asma continua seguindo seu caminho.

Adaptação Bruno Della Latta

Está se sentindo sem ar?

O tabagismo, a vida sedentária e outros maus hábitos comprometem progressivamente sua capacidade respiratória. Veja como uma lesão pulmonar pode evoluir ao longo de sua vida.

Primeira Fase

Um esforço moderado, como carregar sacolas de supermercado, causa uma sensação ligeira de asfixia. Você sente falta de ar e aumento da freqüência respiratória e do ritmo cardíaco.

Segunda Fase

Você evita algumas atividades para não ter a sensação ruim de dificuldade respiratória. Esse comportamento sedentário faz com que os músculos fiquem debilitados e, portanto, necessitem de mais oxigênio que o normal para realizar qualquer atividade simples.

Terceira Fase

Agora, as dificuldades respiratórias se manifestam no dia-a-dia, como em um passeio ou ao realizar as tarefas domésticas. Qualquer esforço físico ou exercício moderado causa pavor.

Quarta Fase

A debilidade corporal, aliada à deterioração do pulmão, faz com que você se sinta sufocado e respire de maneira pesada e rápida quando realiza tarefas tão simples como se vestir ou tomar banho. Para evitar esse estágio, nunca abandone os exercícios físicos.

Como você respira

É por meio da respiração que seu organismo obtém o oxigênio e elimina o gás carbônico. Conheça os órgãos e as estruturas do sistema responsável por essa troca gasosa.

O sistema respiratório humano é composto por uma série de dutos que permitem ao ar passar do ambiente externo aos pulmões, e vice-versa. Quando você inspira o ar, ele entra no aparelho respiratório pelo nariz (onde há pêlos que servem como filtros) ou pela boca. O ar desce e chega à faringe, órgão onde é produzida a voz. Em seguida, vêm as cordas vocais, situadas no interior da laringe. São elas que regulam o ar, quando a gente fala grosso ou fino. Daí o ar passa para a traquéia, que se bifurca em outras vias respiratórias menores, os brônquios, que são responsáveis por conduzir o ar até os pulmões. Dentro desse par de estruturas elásticas, os brônquios se ramificam em canais mais finos, chamados bronquíolos. No extremo dessas ramificações mais finas estão os alvéolos. É nesse nível que ocorre a troca gasosa: o oxigênio passa para o sangue e o gás carbônico sai do sangue e vai para os alvéolos.

Dúvidas freqüentes do fumante

O que você devesaber se está pensando emlargar o cigarro

É difícil abandonar o hábito?

Somente 10% dos fumantes fazem um esforço sério para deixar de fumar. Desses, 8% realmente conseguem sozinhos e 35% com o apoio psicológico e de remédios.

Em vez de parar, seria melhor fumar menos?

Não é uma boa idéia. Apenas 2% dos fumantes conseguem reduzir de forma drástica e permanente o número de cigarros. E a maior parte deles costuma fumar pouco.

Eu poderia continuar a fumar se consumir cigarros com baixa nicotina?

Embora os cigarros light tenham menos concentração dessa substância, ainda sim não são saudáveis. Além disso, você pode passar a consumir cigarro com maior intensidade, o que também não resolve.

Para que abandonar o cigarro se o dano já está feito?

O fantasma das complicações de saúde fica mais distante conforme aumenta o tempo de abstinência. O risco de sofrer uma doença associada ao tabaco se reduz quase por completo entre o quinto e o décimo ano de abandono.

Já não fumo, mas tusso mais que antes. Por quê?

Os ataques de tosse repentinos são um sinal de que seus pulmões começam a recuperar seu trabalho de limpeza das vias respiratórias.

Vou engordar se parar de fumar?

Não são todos os ex-fumantes que aumentam de peso. Mas alguns chegam a engordar de 1 a 3 kg no primeiro ano. Isso porque acabam comendo mais e devido a mudanças no metabolismo.

Até quando vou ter vontade?

A necessidade de fumar diminui a partir da segunda ou terceira semana de abstinência. Depois, as vontades aparecem de maneira cada vez mais esporádica.

Depois de parar, poderei fumar de vez em quando?

De forma alguma. Começará com um e voltará a fumar como antes.

Teste

Quer largar o cigarro?

Especialistas afirmam que todo fumante pode se livrar do cigarro desde que tenha força de vontade. O Teste de Rochmond avalia seu grau de motivação.

Escolha uma alternativa em cada pergunta e some os pontos.

Você gostaria de deixar de fumar, se isso fosse fácil?

Sim ( ) 1

Não ( ) 0

Qual seu grau de interesse em largar o cigarro?

Nenhum( ) 0

Um pouco( ) 1

Mais ou menos( ) 2

Muito( ) 3

Tentará deixar de fumar nas próximas semanas?

Definitivamente não( ) 0

É pouco provável( ) 1

É muito provável( ) 2

Definitivamente( ) 3

Qual a probabilidade de, nos próximos meses, deixar de ser um fumante?

Nenhuma( ) 0

Pequena( ) 1

Alta( ) 2

Muito alta( ) 2

RESULTADO

Entre 0 e 6 pontos

Seu grau de motivação é baixo. Seu vício é forte e você não está levando a sério a possibilidade de deixar de fumar. Reflita sobre seu comportamento.

Entre 7 e 9 pontos

Você está razoavelmente motivado a parar de fumar. Já é um grande passo para tentar abandonar o vício.

Mais de 10 pontos

Você está bastante motivado a parar de fumar. Aproveite essa disposição para se submeter a uma terapia.

Todas as terapias

Hoje o tabagismo é tratado de forma multidisciplinar, com a combinação de medicamentos e terapia.

FARMACOLÓGICAS

1. Substitutos da nicotina

Aliviam ou evitam os sintomas da abstinência. Recomendável a pessoas que fumam de dez a 15 cigarros por dia. Alguns formatos:

Chicletes

Complexo de nicotina e polacrilex que se absorve pela mucosa oral.

Adesivos

Sua membrana permite a difusão da nicotina pela pele.

Comprimidos

Deve-se chupar, nunca mastigar.

2. Bupropion

Primeiro medicamento sem nicotina usado no combate ao tabagismo. Interfere nos mecanismos neurológicos que produzem prazer e nos que estimulam o desejo e a abstinência. Trata-se de um antidepressivo que necessita de prescrição médica. Pode provocar efeitos colaterais, como insônia, e não pode ser usado por menores de 18 anos ou grávidas.

PSICOSCIAL

Existem diferentes psicoterapias destinadas a modificar os padrões e impulsos de fumar. Tenta-se controlar a ansiedade, a motivação, a modificação cognitiva e a manutenção da abstinência.

ALTERNATIVAS

A medicina natural oferece métodos de tratamento. A acupuntura e a homeopatia são dois exemplos. No entanto, ainda não foi comprovada a eficácia de nenhuma dessas técnicas.