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Pequenos choques elétricos no cérebro podem estimular a memória

Em testes feitos com pessoas epiléticas, os impulsos elétricos conseguiram aumentar a capacidade de memorização em 15%

Esta é uma semana otimista para os interessados em conter os avanços do mal de Alzheimer. Como contamos por aqui, uma equipe de cientistas da University College London desenvolveu um teste para detectar a doença sete anos antes dos primeiros sintomas darem as caras. Agora, é a vez dos americanos darem uma boa notícia: pesquisadores da Universidade da Pensilvânia descobriram que enviar impulsos elétricos para o cérebro melhora a capacidade de memorização em 15%. A perda de memória é um dos primeiros indícios deste tipo de demência.

O Alzheimer é uma doença progressiva sem cura que degenera o cérebro. Uma das suas possíveis causas é o acúmulo de proteínas anormais que danificam os neurônios e interrompem a comunicação entre eles. Existem diferentes tipos da enfermidade, que podem se manifestar através de problemas de linguagem, falta de motivação, desorientação espacial e perda de memória – sendo este último o diagnóstico clássico do início da doença.

Para desenvolver os impulsos elétricos “lembretes”, os pesquisadores americanos utilizaram uma técnica que monitora a atividade cerebral para identificar quando uma informação não está sendo armazenada. Assim que percebem o lapso, eles dão pequenos impulsos elétricos em uma determinada que região para ativar os neurônios e, assim, estimular a memória. A tecnologia de neuroestimulação já foi utilizada em casos anteriores para auxiliar na melhora do sono, na redução de convulsões em casos de epilepsia, no tratamento de ansiedade e Parkinson.

No experimento, os pesquisadores recrutaram 25 pacientes epiléticos que não haviam reagido aos medicamentos contra epilepsia. Esses voluntários passaram por uma cirurgia para implantar eletrodos que enviam impulsos elétricos para o lobo lateral. Essa parte do cérebro transporta impulsos nervosos entre os neurônios e desempenha um papel importante na consolidação de novas memórias.

A equipe da Pensilvânia pediu que os participantes memorizassem 12 palavras que apareciam por 1,6 segundo em uma tela. Enquanto isso, a atividade neural dos voluntários foi monitorada por um exame de eletroencefalograma. Depois, os pacientes fizeram uma série de testes matemáticos para distrair sua atenção e, em seguida, responderam perguntas sobre as palavras que haviam sido exibidas.

Com o auxílio de um programa de computador que monitorava ondas cerebrais, os cientistas conseguiram visualizar como o cérebro de cada um dos participantes respondia e reconhecer os sinais daqueles que estavam mais propensos a esquecer as palavras mostradas.

Quando o sistema mostrava indícios de que o aprendizado não teve sucesso, as pessoas recebiam um choque elétrico de baixa intensidade no lobo temporal. O método melhorou em 15% o desempenho dos participantes em lembrar das palavras.

Esta é a primeira vez que cientistas conseguem avanços tão consistentes na memória em testes com humanos. Os resultados do estudo foram publicados no periódico científico Nature Communications. A técnica foi recebida pela comunidade científica como uma oportunidade promissora que pode abrir novas portas para o tratamento de Alzheimer em estágio inicial e outras lesões cerebrais. Hoje, cerca de 35,6 milhões de pessoas tenham Alzheimer no mundo. A Organização Mundial da Saúde acredita que, devido ao envelhecimento da população, o número de pacientes com esse tipo de demência possa dobrar dentro de 12 anos e triplicar até 2050.