Vai acabar! Assine o digital por apenas R$ 5,99/mês e aproveite o menor preço do ano. Corre!

Memórias traumáticas são apagadas em ratos

Estudo usa optogenética – técnica capaz de alterar a atividade de células usando a luz – para acabar com lembranças ruins nos animais

Por Bruno Vaiano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 ago 2017, 19h25 | Atualizado em 2 jul 2026, 17h34
Memórias traumáticas são apagadas em ratos Priorizar nos meus resultados Google

Pesquisadores descobriram como, do ponto de vista bioquímico, determinados sons e estímulos trazem à tona memórias de medo – e criaram um método para enfraquecer as ligações do cérebro responsáveis por essas reações.

Essa solução, que só pode ser aplicada em animais, é precisa suficiente para atuar apenas nos neurônios responsáveis pelo trauma – deixando sem modificações os que estão associados a reações de medo úteis e naturais para o ser humano, como evitar uma caverna escura, não mexer com um animal selvagem ou, para sair dos exemplos pré-históricos, não atravessar a rua quando há um ônibus vindo.

O artigo científico é o avanço mais recente de uma longa sequência de pesquisas sobre o assunto – algumas das quais a SUPER noticiou.

Continua após a publicidade

Os pesquisadores usaram ratos de laboratório geneticamente modificados para monitorar os caminhos que ligam a área de processamento de sons do cérebro às amídalas –  um conjunto de neurônios responsável pelas reações emocionais mais instintivas, heranças da época das cavernas. A ideia é simples: se você cortar o “fio certo”, seus ouvidos param de avisar às amídalas que você ouviu um som traumático, e você para de sentir medo à toa.

É claro que, na prática, não dá para “cortar o fio”. Nosso cérebro, quando aprende algo novo – por exemplo, que determinado barulho está associado ao perigo de morrer – reforça as ligações que guardam e carregam essa mensagem. O que é possível fazer é usar truques neurocientíficos para devolver esses neurônios ao estado original, anterior ao trauma.

Continua após a publicidade

Funciona assim: primeiro os ratos são condicionados a sentir medo. Eles ouvem um som grave e um agudo. Quando o agudo toca, eles tomam um leve choque na pata. Assim, os animais passam a se assustar toda vez que ouvem um som naquela determinada frequência – mesmo quando ele não vem acompanhado de ameaça nenhuma. Se você pudesse acompanhar as transformações nas ligações cerebrais ao vivo, você veria que o “caminho de neurônios” associado a sons mais agudos passou a ter conexões mais fortes.

Agora que você tem animais devidamente traumatizados (sim, isso é cruel), é hora curá-los.

Continua após a publicidade

O jeito tradicional de fazer isso é expor os bichinhos ao som agudo um número tão grande de vezes que eles parem de associá-lo ao choque elétrico. Esse é o princípio de alguns tratamentos psicológicos adotados hoje: encarar o gatilho emocional até você perder o medo dele. Dá certo, mas a conexão delicada continua lá, dormente. Quase como varrer a poeira para baixo do tapete.

Melhor que um medo escondido, só um medo eliminado. É aí que entra algo chamado optogenética – o uso de luz para controlar células geneticamente modificadas em seres vivos. Com ela, é possível apagar permanentemente a memória ruim. Mesmo. De vez.

Continua após a publicidade

Só há um problema: não estamos nem próximos de superar as restrições éticas associadas à aplicação de optogenética no cérebro humano – controlar o que os neurônios de alguém fazem ou não é simplesmente arriscado demais, mesmo para a vanguarda da medicina. Por enquanto, a boa notícia fica na teoria.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo uma página de notícias e um ícone de árvore verde-clara ao ladoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo O mês é do cliente. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).