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Por que no Brasil a gente come “pão francês”?

Da imitação do que se fazia na França surgiu a tradição brasileira

Por Raquel Lima 28 nov 2010, 22h00 | Atualizado em 3 jul 2026, 08h17
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Não querendo estragar a viagem de ninguém, mas quem entrar em uma padaria de Paris e pedir “un pain français, s’il vous plaît” (“um pão francês, por favor”) vai encontrar dificuldades. Mesmo após muita gesticulação, deve sair apenas com um pedaço de baguete. Acontece que o pãozinho também conhecido como “pão de sal” e “cacetinho”, e que a maior parte do Brasil chama de “francês”, não existe na França.

Os encontros e desencontros de tradução começaram no início do século 19. Naquela época, o pão popular da França era curto, cilíndrico, com miolo duro e a casca dourada – um precursor da baguete, que só consolidou a forma comprida no século 20. Enquanto isso, no Brasil, o pão comum era um com miolo e casca escuros, uma versão tropical do pão italiano.

Acontece que, quando a elite do Brasil recém-independente viajava para Paris, voltava descrevendo o pãozinho para seus padeiros, que faziam o possível para reproduzir a receita pela descrição. Dessa gastronomia oral saiu o “pão francês brasileiro”, que difere de sua fonte de inspiração europeia, sobretudo por poder levar até açúcar e gordura na massa. Assim como o arroz à grega e o café carioca, a homenagem é alheia ao homenageado.

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