Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

Puberdade: O despertar da primavera

O aumento na quantidade de hormônios sexuais na adolescência é uma das transformações mais radicais desencadeadas pelas glândulas.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h37 - Publicado em 31 ago 1998, 22h00

Xavier Bartaburu

Não é sem justiça que se costuma chamar a adolescência de “aborrescência”. Afinal, trata-se de uma das fases mais conturbadas do desenvolvimento humano, marcada por uma metamorfose física e emocional que está longe de ser apenas uma característica dos tempos modernos. “Os jovens de hoje rebelam-se contra a autoridade, não respeitam os mais velhos e tiranizam seus mestres”, disse o filósofo grego Sócrates há 2 500 anos. Para outro luminar do pensamento na Grécia Antiga, Aristóteles, os adolescentes “são passionais e se deixam levar facilmente pelos impulsos”.

O responsável por tudo isso é um só: o sistema endócrino. “A base da puberdade é hormonal”, define o endocrinologista Júlio Abucham, professor da Universidade Federal de São Paulo. A grande mudança que acontece quando os meninos viram homens e as meninas, mulheres, é o aumento na quantidade de hormônios sexuais. São eles que modelam o corpo de adulto e o deixam pronto para a reprodução. É um fenômeno bioquímico que também prepara o jovem para a ruptura com os pais, abrindo o caminho para uma vida independente.

 

Continua após a publicidade

Sim, existe uma diferença

A ciência ainda não descobriu o que desencadeia a puberdade. Sabe-se apenas que, um belo dia, o hipotálamo ordena à hipófise o aumento da produção de gonadotropinas. Esses hormônios, liberados principalmente durante o sono, atuam nas gônadas, que desencadeiam, por sua vez, a produção de hormônios sexuais. No homem,os testículos secretam, entre outros, a testosterona (acima, uma molécula ampliada milhares de vezes por um microscópio eletrônico). Nas mulheres, o papel é dos ovários, que fabricam o estrógeno, o principal hormônio feminino. Esses hormônios, no entanto, não são exclusivos de cada sexo. As gônadas e as supra-renais de ambos os sexos produzem estrógeno e testosterona. Tudo é uma questão de quantidade.

 

Continua após a publicidade

 

Continua após a publicidade

A metamorfose

Veja quais são as principais mudanças provocadas pela puberdade.

ELA

• Alargamento dos ossos da bacia

• Desenvolvimento das mamas

• Início dos ciclos menstruais

• Surgimento de pêlos no púbis e nas axilas

• Aumento do peso e da altura 

• Depósito de gordura nas nádegas, nos quadris e nas coxas

 

Continua após a publicidade

ELE

• Surgimento de pêlos no púbis, nas axilas e no peito

• Aumento dos testículos e do pênis

• Crescimento da barba

• Aumento da massa muscular

• Ombros mais largos

• Voz grossa

• Aumento do peso e da estatura

• Início da produção de espermatozóides

 

Continua após a publicidade

Quem sabe é super

Nos primeiros meses de vida, o bebê passa por uma fase chamada minipuberdade. No útero, o organismo estava acostumado aos hormônios sexuais da mãe. Com a queda busca dos níveis hormonais após o parto, sua hipófise é ativada, desencadeando a puberdade temporária.

 

Continua após a publicidade

Eunucos cantores

O filme Farinelli (foto), de Gérard Corbiau, conta a história de um cantor castrado, o italiano Carlo Broschi (1705-1782). Até o início do século XIX, só os homens podiam cantar nos espetáculos de ópera e nos coros das igrejas. As vozes femininas eram feitas por rapazes castrados quando ainda eram meninos e preparados para a profissão de cantor. Sem os testículos, há produção insuficiente de testosterona, o hormônio masculino responsável pela mudança de voz na adolescência. A testosterona provoca o alargamento da laringe e, portanto, o aumento das cordas vocais, deixando a voz mais grave. Na falta desse hormônio, o castrato adquiria uma voz de características femininas. Com uma vantagem – os homens, que têm o tórax mais desenvolvido, podem cantar mais alto que as mulheres.

 

Continua após a publicidade

Rebeldes sem causa

Assustados com a metamorfose de seu corpo, os adolescentes procuram modelos com quem se identificar. Décadas após sua morte, o ator norte-americano James Dean (1931-1955), astro do filme Rebelde sem Causa, continua sendo um símbolo da inquietação juvenil

Continua após a publicidade
Publicidade