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Como será usado o dinheiro do Fundo Florestas Tropicais para Sempre?

Entenda por que o TFFF, anunciado por Lula na COP30, é diferente de outras iniciativas de preservação.

Por Maria Clara Rossini
11 nov 2025, 18h00 • Atualizado em 12 nov 2025, 15h12
  • Antes mesmo da abertura oficial da COP30, nesta segunda-feira (10), o presidente Lula lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). Trata-se de um fundo de investimentos administrado pelo Banco Mundial que irá recompensar financeiramente as nações que mantiverem suas florestas em pé.

    O Fundo foi anunciado na quinta-feira (6), e já acumula US$ 5,5 bilhões em investimentos. O maior aporte veio da Noruega, que sinalizou um investimento de US$ 3 bilhões ao longo dos próximos 10 anos. O Brasil e a Indonésia anunciaram US$ 1 bilhão cada, enquanto a França indicou que irá investir US$ 577 milhões.

    A expectativa é que o fundo acumule US$ 125 bilhões nos próximos anos, sendo US$ 25 bilhões de governos e US$ 100 bilhões da iniciativa privada.

    Esse dinheiro vai diretamente para a proteção das florestas? A resposta é não. Mesmo assim, ele ajuda na conservação.

    Diferentemente de outras estratégias de conservação, o TFFF não se baseia em doações. O dinheiro arrecadado será aplicado em ações e títulos diversificados, gerando um fundo de baixo risco e com retorno compatível com o mercado. Em outras palavras, quem bota o dinheiro lá tem um retorno financeiro. Um fundo de investimento (quase) como qualquer outro.

    Pois bem. Na verdade, o fundo irá gerar mais dinheiro do que os investidores esperam receber. Em economia, a diferença entre o que o fundo gera e o que é pago ao investidor é chamado spread – ou lucro. É assim que os bancos ganham dinheiro quando administram carteiras de investimentos.

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    No caso do TFFF, o spread não será pago ao banco, mas aos países com florestas tropicais que mantiverem suas taxas de desmatamento abaixo de 0,5%. Mais de 70 países estão elegíveis a receber o lucro desse fundo. Alguns exemplos são o Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo.

    O spread do fundo é estimado em US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões por ano. Esse dinheiro será distribuído de acordo com os hectares preservados. Há 1 bilhão de hectares de florestas tropicais que devem ser protegidos. Basta fazer a conta: 4 bilhões de dólares dividido por 1 bilhão de hectares. Cada país recebe 4 dólares por hectare protegido. Um hectare, vale lembrar, equivale a 10 mil metros quadrados.

    O país deve provar seus números de desmatamento com base em dados de satélite. Em outras palavras, esse é uma iniciativa baseada em resultados, já que o dinheiro só é entregue aos países que performarem bem.

    20% do valor recebido pelos países deve ser destinado para comunidades indígenas locais. Além de beneficiar essas populações, essa também é uma forma de proteger a floresta. No Brasil, as reservas indígenas apresentam 83% menos desmatamento em comparação a áreas não protegidas, o que mostra a importância dos povos tradicionais para a preservação das florestas. 

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    Por mais que o restante do valor não vá diretamente para a conservação das florestas, eles são um incentivo para os países investirem em governança ambiental e monitoramento contra o desmatamento. Se o governo quiser receber o dinheiro no ano seguinte, vai ter que manter a floresta de pé.

    Além disso, o fundo gestor do TFFF não pode investir a grana em projetos que envolvam combustíveis fósseis. Os administradores devem dar preferência para ações e títulos de governos e empresas de países emergentes, ou para produtos considerados verdes.

    O fundo recebeu o apoio de 53 países, incluindo 34 países que possuem florestas tropicais. Mas o TFFF não vai se materializar de uma hora para a outra: para que o fundo seja viabilizado e atrativo para investidores do setor privado, ele deve arrecadar ao menos US$ 25 bilhões até 2030. Espera-se que ele esteja funcionando até 2035.

    Diferentemente do modelo baseado em doações, o TFFF promove um abastecimento de recursos contínuo e à longo prazo – que não depende da boa vontade de cada país em aplicar o dinheiro no lugar certo. 

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    “O modelo de doações é muito pequeno e instável. As doações dependem das prioridades do doador, trocas de governo e horizontes a curto prazo”, diz Paul Polman, ex-CEO da Unilever que hoje atua globalmente para acelerar ações de sustentabilidade. Ele está na COP30 a convite do Pavilhão de Ciência Planetária.

    Durante muito tempo, o desmatamento trouxe benefícios econômicos imediatos. O fundo é uma tentativa de inverter essa lógica, remunerando os países que se comprometerem a manter suas florestas em pé. 

    “Os serviços que as florestas fornecem [como chuvas, estoque de carbono, regulação do clima, biodiversidade, etc.] valem mais do que o que custaria para nós se continuarmos as derrubando”, diz Polman em entrevista à Super. “Pense que elas são como fábricas de chuva, ou reservatórios de biodiversidade. Cada vez mais elas são vistas como a infraestrutura do mundo. E nenhuma empresa quer destruir sua infraestrutura”. 

    Polman diz que as empresas já percebem o custo das mudanças climáticas: aumento dos preços, redes de abastecimento alimentar sendo interrompidas, custo dos materiais aumentando. Dessa forma, o TFFF se torna uma opção de investimento para as empresas que pensam não só nos lucros de amanhã, mas também na sustentabilidade do negócio à longo prazo.

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