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Qual é a diferença entre mestrado, doutorado e pós-doutorado?

O novo Ministro da Educação foi acusado de mentir sobre sua formação acadêmica. Para não se perder na polêmica, entenda o que significa cada um dos títulos.

Por Carolina Fioratti - 29 jun 2020, 18h20

Na última quinta-feira (25), o Ministério da Educação recebeu seu novo representante: Carlos Alberto Decotelli. Não demorou muito para que o nome do ministro fosse associado a polêmicas nas redes sociais. 

Decotelli está sendo acusado de falsificar informações de seu Currículo Lattes, uma plataforma online onde pesquisadores inserem sua formação e trabalhos já realizados. Na página, constava que o economista era doutor pela Universidade Nacional de Rosário, na Argentina. Mas o próprio reitor da instituição, Franco Bartolacci, explicou que Decotelli teve sua tese reprovada – ou seja, não recebeu o título. 

E não para por aí. Trechos de seu mestrado, realizado em 2008 na Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro, parecem ser frutos de plágio. Um levantamento feito pelo UOL mostra que na pesquisa de Decotelli há, pelo menos, quatro passagens idênticas a trabalhos de outros autores sem as devidas referências ou citações.

Para finalizar, nesta segunda-feira (29), a Universidade de Wuppertal, na Alemanha, alegou que o Ministro da Educação também não tem título de pós-doutorado pela instituição, como estava registrado em seu Lattes. No currículo, constava que Decotelli havia estudado no país entre 2015 e 2017, mas a assessoria da universidade explicou que o economista fez apenas um curso de três meses em 2016. 

Para que você não caia em ciladas e não confunda os títulos, a Super fez uma lista explicando as diferenças entre as várias fases do mundo acadêmico: 

Graduação 

Aqui é o começo de tudo. Ao sair do ensino médio, o jovem pode prestar vestibular e entrar em uma faculdade. Ele escolhe seu curso de interesse, estuda de quatro a cinco anos (geralmente), apresenta seu trabalho de conclusão de curso (TCC) e sai com uma formação profissional de nível superior. Aqui na Super, por exemplo, temos graduandos e graduados nos cursos de jornalismo e design. 

Vale lembrar que, ainda nessa fase, o estudante pode optar por fazer uma iniciação científica (IC). Ela nada mais é do que uma pesquisa acadêmica que tem como objetivo abrir as portas do mundo científico para os novos universitários. Ela pode ser realizada por alunos de qualquer área do conhecimento e, muitas vezes, serve como um guia para aquilo que será desenvolvido no TCC do aluno.

Especialização e MBA

Esses dois tipos de curso entram na classificação de pós-graduação como lato sensu (expressão que significa “em sentido amplo”). Eles costumam ter menor duração e não precisam de autorização prévia do Ministério da Educação (MEC) para funcionar, ou seja, as faculdades não têm obrigação de comunicar o governo para criar novos cursos de especialização e MBA’s. Ambos os cursos exigem diploma de graduação.

Na especialização, por exemplo, não é necessário seguir na área em que se formou, o que é ótimo para aqueles que querem seguir novos rumos. Um professor pode se especializar em políticas públicas e escolher aplicar seu conhecimento pedagógico no campo de gestão ao invés das salas de aula. 

A especialização tem duração de dois anos (360 horas) e, ao fim, o aluno apresenta uma monografia, que é um estudo aprofundado sobre certo tópico. Caso tudo corra bem, recebe o título de especialista. 

Já o MBA (sigla em inglês para “mestre em negócios”) é como uma especialização, só que mais voltada para a área administrativa. Geralmente, as pessoas que procuram o MBA já estão inseridas no mercado, mas querem desenvolver habilidades estratégicas e de gestão de negócios.  

No Brasil, o MBA também costuma durar dois anos e, ao final, os estudantes devem apresentar uma monografia ou projeto relacionado ao conteúdo do curso. Geralmente, os trabalhos são mais práticos e devem propor soluções. Quem completa o MBA recebe o título de pós-graduado em nível lato sensu.

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Mestrado 

Os próximos tópicos que vamos abordar – mestrado, doutorado e pós-doutorado – entram na classificação de stricto sensu (expressão que significa “em sentido específico”). Nessa categoria, o curso deve ser recomendado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e reconhecido pelo Ministério da Educação.

O mestrado configura o aprofundamento da pesquisa. A essa altura, o estudante tem a chance de se expandir na área acadêmica, não ficando apenas na pesquisa, mas também ocupando o lugar de docente, tornando-se professor nas universidades.

O mestrado costuma durar dois anos. O trabalho final é uma dissertação que, ao contrário da monografia, deve contar com uma pesquisa empírica (coleta de dados) e trazer contribuições para a área do conhecimento estudada. Quem termina o mestrado recebe a titulação de mestre.

Doutorado

O doutorado é um curso mais extenso, que pode durar de quatro a cinco anos. O objetivo é fazer com que o estudante traga contribuições novas para determinado tema. Na maior parte dos casos, é preciso ter realizado mestrado para começar o doutorado, mas há algumas instituições que podem aceitar de imediato o projeto de pesquisa do estudante, pulando uma etapa. 

Para o doutorado, é interessante ter também o domínio de línguas estrangeiras, principalmente o inglês, pois este pode ser um pré-requisito para seguir com a pesquisa. Para receber o título de doutor, o indivíduo deve defender uma tese. Isso significa que o pesquisador deve expor o que ele concluiu após seus estudos a uma banca examinadora, formada por nomes relevantes do universo acadêmico que também dominam aquele tema. 

O doutorado no Brasil é equivalente ao PhD nos Estados Unidos e Europa. Salvo algumas diferenças, o processo é basicamente o mesmo: o pesquisador começa o PhD após o mestrado, estuda por quatro ou cinco anos e também deve apresentar uma tese ao final do período.

Pós-Doutorado 

No pós-doutorado, o pesquisador não precisa mais defender teses ou escrever dissertações. Na verdade, ele se volta totalmente para a pesquisa e aprofundamento, não recebendo um novo título ao final do período. Nesse momento, o pesquisador se torna o orientador daqueles que estão agora buscando por um mestrado e doutorado.

Por outro lado, o cientista deve mostrar relatórios sobre seus estudos para a instituição que o financia como forma de provar seu trabalho e justificar o investimento. Esses relatórios também podem ser publicados como artigos acadêmicos. Geralmente, o pós-doutorado dura dois anos. 

Livre-Docência

Para aqueles que pretendem continuar se especializando após o pós-doutorado ou que já possuem cinco anos de doutorado, é possível tentar o título de livre-docência. 

Esse é o grau mais alto que um cientista pode alcançar, e é obtido através de concurso público. O candidato deve realizar uma prova escrita e defender uma tese sobre determinado tema frente a uma banca examinadora. Sendo aprovado, se torna livre-docente. 

Universidades como a USP, Unicamp e Unesp exigem o título para seus professores titulares.

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