🔥 Mês do Cliente: Revista Impressa + Digital Premium por R$ 12,99/mês!

Um salto de maturidade para a democracia

Ao responder com firmeza aos ataques golpistas, o país mostrou ter instituições democráticas fortes, num mundo onde elas ainda são vulneráveis.

Por Alexandre Versignassi Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 jan 2023, 14h01 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h50
Um salto de maturidade para a democracia Priorizar nos meus resultados Google

Nunca foi trivial manter uma democracia de pé. A Revolução Francesa terminou em 1799 numa ditadura militar, meros 10 anos depois de o parlamento ter promulgado a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, documento fundador do conceito moderno de Estado. Pouco depois, em 1814, a monarquia dos Bourbon estava restabelecida, com Luís 18 no trono. 

A França só teria seu primeiro presidente eleito três décadas depois, em 1848. Foi Luís Napoleão, sobrinho do ditador militar lá de 1799. Mas a república durou pouco. Impedido pela Constituição de se reeleger, o sujeito proclamou-se imperador. Ou seja: o primeiro presidente da França também foi seu último monarca, governando com mão de ferro até 1870.

Na Inglaterra, mãe do Iluminismo, as conquistas também vieram a passos de jabuti. Apenas 5% da população adulta podia votar até 1832 – o direito era restrito a proprietários de terras e imóveis. Ao longo do século 19, foram estendendo para quem pagava aluguéis acima de um certo valor. Mas o voto censitário só acabaria mesmo em 1918. Ainda assim, só os homens podiam votar. As mulheres britânicas só conquistariam esse direito em 1928.

No Brasil, o voto universal veio em 1932. Mas não rolava escolher presidente. Getúlio Vargas tinha tomado o poder em 1930, após perder uma eleição presidencial. Em 1934 moveu seus paus para vencer uma eleição indireta, com a promessa de largar o osso quatro anos mais tarde. Não foi o caso. Em 1937 ele deu outro golpe de Estado e manteve-se como ditador até 1945. Depois de meras quatro eleições presidenciais outro golpe, o de 1964. Começava a ditadura militar. E as diretas só voltariam em 1989 – já com Lula como candidato, o que dá uma ideia do quão jovem é a nossa democracia.    

Continua após a publicidade

Jovem, mas que acaba de dar um salto de maturidade. A reação rápida do Executivo, do Legislativo e, principalmente, do Judiciário à vandalização dos prédios dos três poderes basicamente pôs fim à tentativa de golpe que Jair Bolsonaro vinha insuflando desde o início de seu mandato. 

O Brasil mostrou que tem uma democracia forte, num mundo onde ela ainda é vulnerável. 35,3% dos países vivem sob regimes autoritários, de acordo com o Democracy Index, da Economist Intelligence Unit. Outros 20,4% estão sob sistemas “híbridos” – democráticos no papel, mas que lidam frequentemente com suspensão de eleições, perseguição política e censura.

Continua após a publicidade

Tudo se torna mais grave quando lembramos do seguinte: a inspiração para o golpismo bolsonarista veio de Donald Trump – um aspirante a autocrata gerado no útero da democracia mais sólida da Terra. Ou seja, se nem os EUA estão livres desse tipo de ameaça, imagine nós.

Sigamos firmes e atentos. Porque a força das instituições democráticas sempre será equivalente à do povo que as mantém.

Continua após a publicidade
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com uma árvore estilizada em verde-claro ao ladoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo O mês é do cliente. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).