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Aquecimento global lá longe

Como a Terra, a maior lua de Netuno também está esquentando. Só que as causas são um pouco diferentes.

Por 31 jul 1998, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h36
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Thereza Venturoli

Problemas com o excesso de calor na atmosfera não é privilégio do nosso planeta. Até os mundos nos confins do Sistema Solar estão sujeitos a esse tipo de instabilidade climática. Como Tritão, o maior satélite de Netuno. Mesmo a uma distância do Sol trinta vezes maior que a da Terra, o corpo gelado, de tamanho semelhante ao da Lua, está 2 graus Celsius mais quente do que estava em 1989, quando a sonda Voyager 2 passou por lá. Essa onda de calor não dá para bronzear ninguém. A temperatura subiu de 236 graus Celsius negativos para 234 graus, também negativos. Dois graus a mais num frio desses pode até parecer pouco. Mas, segundo os especialistas, representa uma elevação de 5% em apenas nove anos – o que, na Terra, teria efeitos catastróficos. O súbito calor tritoniano foi percebido pelo telescópio espacial Hubble, que detectou um aumento na densidade da atmosfera do satélite. Só que o que está deixando a atmosfera mais espessa lá não são gases industriais ou qualquer atividade de ETs. É o Sol. O hemisfério sul de Tritão está chegando ao auge do verão. Nessa época, o satélite se inclina em 50 graus e recebe a luz solar diretamente sobre a calota polar. É como se, no verão do hemisfério sul terrestre, o Sol batesse diretamente sobre a pontinha da Patagônia, no final da América do Sul. Assim, o gelo tritoniano, composto principalmente de nitrogênio, derrete. Quando passa da forma sólida para a gasosa, sobe para a atmosfera, que fica, assim, mais espessa. Com o cobertor reforçado, o satélite inteiro sofre de abafamento.

É verão no hemisfério sul

O calor faz o gelo polar de Tritão derreter lança mais gás na atmosfera.

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O pólo sul de Tritão é coberto de nitrogênio congelado. À medida que o hemisfério sul se volta para o Sol, o gelo derrete e libera nitrogênio na forma de gás para a atmosfera. É isso que deixa o cenário com um leve tom rosado. Assim, a tênue atmosfera tritoniana fica um pouco mais densa e retém mais calor solar perto da superfície.

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