Oferta Relâmpago: Super em Casa por 9,90

Cientistas criam menor QR code do mundo, capaz de guardar dados por milênios

Invisível à luz, o código microscópico foi gravado em material cerâmico extremamente resistente e já entrou para o Guinness World Records.

Por Luiza Lopes
13 mar 2026, 10h53 •
  • O menor QR code do mundo ocupa uma área de apenas 1,98 micrômetro quadrado (µm²) – uma medida microscópica que corresponde a cerca de 0,0000004% do tamanho daqueles que vemos em embalagens ou restaurantes.

    Teoricamente, ele poderia caber dentro de uma bactéria. A Escherichia coli – uma das mais estudadas da microbiologia e comum no intestino humano –, por exemplo, mede cerca de 1 a 2 µm de comprimento.

    A façanha foi realizada por pesquisadores da Universidade Técnica de Viena (TU Wien), na Áustria, em parceria com a empresa de armazenamento de dados Cerabyte, e acaba de entrar para o Guinness World Records como o menor código desse tipo já produzido.

    Cada “pixel” do código mede 49 nanômetros, o que é cerca de dez vezes menor que o comprimento de onda da luz visível. Isso torna impossível observar a estrutura com microscópios ópticos comuns.

    A única forma de vê-lo é com um microscópio eletrônico. Esse tipo de equipamento usa feixes de elétrons (partículas subatômicas), permitindo identificar detalhes minúsculos. 

    Segundo o professor Paul Mayrhofer, do Instituto de Ciência e Tecnologia de Materiais da universidade, a miniaturização em si nem é o ponto mais difícil. “Estruturas na escala micrométrica não são incomuns hoje em dia. O desafio é criar um código estável e repetidamente legível”, afirmou em comunicado

    Continua após a publicidade

    Isso porque, em escalas muito pequenas, os átomos podem se deslocar ou se difundir ao longo do material. Quando isso ocorre, a informação armazenada se perde.

    Como o código foi gravado?

    Para produzir o QR code, os cientistas utilizaram um feixe de íons focalizado, uma técnica comum em nanotecnologia. Ela dispara um fluxo extremamente fino de átomos ionizados (partículas carregadas eletricamente) contra a superfície do material.

    Ao atingir a camada cerâmica, esses íons removem pequenas quantidades de material, ponto por ponto. O processo funciona como uma espécie de gravador microscópico, capaz de esculpir padrões com precisão nanométrica.

    O código foi gravado em uma camada fina de nitreto de cromo, um material cerâmico usado para revestir ferramentas industriais de alto desempenho.

    Continua após a publicidade

    Os pesquisadores Erwin Peck e Balint Hajas, que participaram diretamente da fabricação, explicam que essa escolha de material foi essencial.

    Cerâmicas desse tipo são projetadas para resistir a condições extremas, como altas temperaturas e desgaste mecânico. Isso significa que os padrões gravados no material permanecem estáveis por muito tempo.

    Depois de produzido, o código passou por testes de leitura usando microscopia eletrônica. O experimento também foi realizado na presença de testemunhas, e o tamanho foi verificado de forma independente por pesquisadores da Universidade de Viena, antes da validação oficial do recorde.

    O novo QR code é quase três vezes menor que o recordista anterior e, ao ser escaneado, leva a uma página científica da universidade.

    Continua após a publicidade
    Fotografia do QRcode.
    O QR code ampliado. (Universidade Técnica de Viena/Divulgação)

    Mais dados, menos espaço

    Embora chame atenção pelo tamanho, o objetivo principal do experimento é, na verdade, testar a possibilidade de armazenar quantidades enormes de informação em áreas microscópicas.

    Os pesquisadores estimam que, usando essa tecnologia, mais de 2 terabytes de dados poderiam ser gravados em uma área equivalente a uma folha de papel A4. Isso é mais do que a capacidade de armazenamento de muitos laptops.

    A diferença é enorme quando comparada com QR codes convencionais. Se a mesma folha fosse preenchida com códigos padrão de cerca de 2 cm², ela armazenaria apenas 2,5 kilobytes, o equivalente a uma página de texto simples.

    Continua após a publicidade

    Outro ponto central da pesquisa é a durabilidade. Grande parte das tecnologias digitais atuais tem vida útil relativamente curta. Discos rígidos e SSDs costumam degradar após cerca de uma década. CDs e DVDs podem durar algumas décadas, mas também se deterioram com o tempo.

    Se os dados não forem constantemente copiados para novos dispositivos, acabam se perdendo.

    A cerâmica usada no experimento é muito mais resistente. Segundo os pesquisadores, ela suporta temperaturas extremas, radiação, corrosão química e estresse mecânico. Em princípio, as informações gravadas poderiam permanecer legíveis por séculos ou milênios.

    “A humanidade preservou informações por milênios quando esculpidas em pedra”, disse o líder do projeto, Alexander Kirnbauer, em entrevista à Physics World. “Mas grande parte das informações digitais de hoje corre o risco de se perder em algumas décadas.”

    Continua após a publicidade

    A proposta também pode ter implicações ambientais. Centros de dados modernos consomem enormes quantidades de energia. Eles precisam alimentar milhares de servidores e manter sistemas de refrigeração funcionando continuamente para evitar superaquecimento.

    Em 2024, essas instalações representaram cerca de 1,5% do consumo mundial de eletricidade, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA).

    Já os suportes cerâmicos funcionariam de forma passiva: não exigem eletricidade nem resfriamento para preservar os dados.

    Agora, a equipe trabalha em três frentes principais: testar novos materiais cerâmicos, acelerar o processo de gravação e desenvolver métodos de fabricação em escala industrial. Os cientistas também investigam se estruturas de dados mais complexas que QR codes podem ser gravadas nesses filmes finos de cerâmica.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
    Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 14,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).