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DVD: o disco que toca filme

O DVD, abreviatura em inglês para Digital Versatile Disc, vai virar uma revolução em forma de disco laser

Ricardo Balbachevsky Setti

Por fora, não se nota nada: o DVD é exatamente igual ao CD que todo mundo conhece. Por dentro a diferença é enorme. Como empacota melhor tudo o que grava – sons, imagens e informações –, o novo disco vai armazenar o equivalente a mais ou menos 30 CDs. Enquanto num CD cabem no máximo 20 minutos de filme, o DVD registra nada menos que 4 horas, em quatro línguas diferentes. Ou seja, ele vai tomar o lugar dos videocassetes nas locadoras. E aí não tem limite: se faz a ponte com a tevê, o disco pode ligar todo tipo de aparelho eletrônico. Fotos e filmes, sons e dados de computador, desenhos ou tabelas – tudo vai poder passar de um aparelho para o outro sem problema. Até o telefone pode ganhar tecnologia nova e entrar na dança. Aparentemente, não vai demorar muito. De acordo com o vice-presidente mundial da Phillips, Ed Volkwein, a expectativa é vender três milhões de DVD players até meados do ano que vem. E segundo ele essas previsões ainda são conservadoras.

Em poucas palavras, a nova mídia tem dois trunfos decisivos. Primeiro, devora grande volume de dados. Segundo, trabalha em altíssima velocidade. Isso é importante para poder “falar” com a nova tevê digital: se os sinais do disco não forem traduzidos, ela não entende (veja por que nas páginas 26 e 27). E se a tradução não for rápida não se vê filme nenhum. O DVD resolve o problema.

A mudança deve acontecer gradualmente

Sem terrorismos. Ninguém vai precisar jogar fora o seu videocassete e todas as fitas de vídeo só para ficar atualizado com a nova tecnologia. Com o lançamento do DVD, espera-se que as tecnologias convivam juntas durante anos. A integração sempre será possível.

E por que somente agora? A demora tem a ver com a diferença entre a tecnologia digital e a analógica. Imagine que você vai gravar um som numa fita cassete, ou seja, pelo sistema analógico. A gravação é uma coisa concreta, pois as vibrações sonoras viram faixas magnéticas na fita. Quando você toca a fita, o magnetismo vira som novamente. No sistema digital, a gravação é uma coisa muito mais abstrata, como uma mensagem codificada com letras e números. O som vira algo assim: 011100A1 100B0 (você vai entender melhor nos quadros no alto dessas páginas). Para gravar e reproduzir as mensagens digitais, sempre é preciso um pequeno computador (ou pelo menos um chip) para codificar e decifrar as mensagens. Por isso, só agora, com computadores realmente rápidos e cada vez menores, vai ser possível misturar equipamentos analógicos e digitais.

Até que toda a tecnologia de transmissão de imagens seja digitalizada, as tevês digitais vão ter que receber tanto dados digitais quanto analógicos. Mesmo quem tem uma tevê analógica e quer comprar um DVD player poderá colocar um conversor no meio do caminho, algo do tamanho daquelas caixas pretas que as emissoras de tevê por assinatura já possuem. O conversor traduz os sinais digitais para analógicos. O mesmo deve acontecer com as filmadoras e com os telefones.

As transmissões de dados à distância ficam bem mais rápidas com a digitalização do processo. Ondas analógicas têm que ser transimitidas na sua forma original. Já com números podem-se criar equações que transformam uma seqüência enorme de dados em alguns poucos dígitos. Como os computadores nas duas pontas da transmissão entendem essa equação, pode-se transmitir cada vez mais dados em menos tempo.

Mais informação no mesmo tamanho

O DVD consegue ter as mesmas dimensões do CD e guardar quase 30 vezes mais informação.

• Os dois discos tem o mesmo tamanho (12 cm) e em ambos a informação é gravada em trilhas.

• A diferença está na quantidade de trilhas. Uma trilha do DVD é mil e quinhentas vezes menor que um milímetro, ou seja, a metade de uma trilha de um CD.

• O laser do DVD emite uma luz vermelha, visível ao olho humano, e o CD usa luz infravermelha, invisível ao olho humano.

• A espessura dos dois discos também é a mesma (1,2 mm).

• O DVD é feito como um “sanduíche”, com duas camadas de materiais diferentes. A camada interna usa o mesmo material do CD e a externa é feita com um filme semitransparente.

• Uma lente muda o foco do laser para que ele leia as trilhas da camada interna ou da camada externa dobrando a capacidade de armazenamento de cada lado.

O que já é e o que não é digital

O DVD veio para unir todas as mídias em torno de um único padrão. É que ele conversa com o computador, ou seja, é digital. Nem todos os aparelhos atuais fazem isso, porque são analógicos. Nas páginas 26 e 27, você vai entender a diferença. Aqui você vai ver a porcentagem de digitalização em que se encontram os aparelhos.

10% As tevês digitais já existem mas ainda não são populares porque a trasmissão dos programas é analógica. Quem tem uma tevê digital ainda precisa usar um aparelho conversor. O processo deve acelerar com as novas antenas “pizza” que recebem dados digitais dos satélites.

85% Tudo o que está gravado em um CD está em formato digital. As fitas-cassete ainda são analógicas mas já possuem a sua sucessora, a Digital Cassete Record (DCR). A digitalização dos rádios ainda está em projeto.

15% No Brasil apenas celulares são digitais. Nos Estados Unidos um novo padrão de telefone chamado ISDN é totalmente digital e proporciona linhas muito mais limpas e rápidas, o que o torna popular entre os usuários de computadores.

5% Em 1990 houve uma tentativa frustrada de introduzir um disco digital para vídeo. Eles não foram foram aceitos por serem ainda lentos e caros. Agora o DVD poderá armazenar até 4 horas de filme (veja infográfico acima).

0% Por enquanto todas as filmadoras gravam em fitas magnéticas analógicas compatíveis com os vídeocassetes atuais. Mas as primeiras câmeras digitais já estão no mercado e serão compatíveis com os DVD players (que substituirão os videocassetes).

25% Gravar todos os detalhes da imagem digitalmente na velocidade de um clique da máquina fotográfica ainda é um desafio. Mas os filmes digitais que gravam a imagem como um filme tradicional e outras informações digitalmente são um avanço no processo fotográfico.

A informação é gravada diretamente…

A gravação analógica exige menos velocidade e menos tecnologia, mas perder em qualidade.

A gravação analógica é uma cópia física daquilo que é gravado. Não é um simples símbolo. Para ter uma idéia, pense num som, que é uma vibração do ar. A vibração entra no microfone e cria correntes elétricas. Essas correntes é que representam o som. Na gravação, as próprias correntes têm que agir diretamente sobre algum material para reproduzir a vibração sonora. Elas fazem um estilete arranhar o disco e criam ranhuras mecânicas, que daí para a frente passam a representar o som. Tanto que, com o tempo, o desgaste vai acabando com a qualidade da gravação.

Como fica a sua vida digitalizada

Depois da mudança de todos os aparelhos, virá a integração de todos eles. As barreiras de velocidade e padrões que hoje separam os equipamentos não existirão mais. E isso mudará a forma como as pessoas usam os próprios equipamentos.

1 – Alguém viajando pelo mundo usando uma câmera digital poderá gravar imagens do lugar como se estivesse com uma câmera comum. Mas os dados estarão gravados em uma fita digital.

2 – A câmera pode ser ligada a um celular e os dados podem passar direto da câmera para o satélite, já que este também trabalha com dados digitais.

3 – No satélite a informação é transmitida rapidamente por já estar no formato digital. O mesmo acontece com uma trilha sonora de um aparelho de som que não precisa mais ser convertida de analógico para digital.

4 – O vídeo finalmente chega ao seu destino. Um computador do outro lado do mundo que vai receber os dados do satélite, juntar com uma música vindo de um DVD e produzir um documentário.

5 – O documentário pronto é gravado em um DVD para ser tocado em um DVD player que funciona como um videocassete. As tevês, por serem digitais, conseguem oferecer uma alta definição nas imagens.

…Ou traduzida por um computador

Na tecnologia digital um computador precisa traduzir rapidamente toda a informação antes de gravar ou reproduzir.

Na gravação digital, as ondas sonoras viram correntes elétricas em um microfone, mas essas correntes não representam o som diretamente. Analisadas por um computador, elas são transformadas em uma mensagem codificada. O código é uma seqüência de números (0 e 1). No disco, em seguida, não há ranhuras, mas algum tipo de marca, como pequenas áreas que refletem luz e áreas que não refletem (que correspondem aos uns e zeros). Como a representação é simbólica, e não concreta, não há perda de qualidade. O desgaste não destroi o código, e o computador sempre pode reproduzir o som.