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Inteligência artificial pode tornar ressonâncias magnéticas mais rápidas

Cientistas criaram um sistema que acelera em quatro vezes a obtenção de imagens nesse tipo de exame - que é temido por quem sofre de claustrofobia.

Por Carolina Fioratti - 19 ago 2020, 16h46

O exame de ressonância magnética não é conhecido por ser confortável. Ele pode exigir que o paciente fique cerca de uma hora imóvel, dentro de uma espécie de tubo, esperando pela obtenção das imagens. Para crianças e pessoas claustrofóbicas, a situação é ainda pior. Pensando nisso, a equipe de pesquisa de Inteligência Artificial do Facebook (FAIR) se juntou aos radiologistas do Centro Médico NYU Langone, hospital universitário ligado à Universidade de Nova York, para desenvolver um sistema capaz de agilizar o processo de obtenção de imagens. O estudo foi publicado no American Journal of Roentgenology na última terça-feira (18). 

Os cientistas criaram o FastMRI (sigla em inglês para “imagem por ressonância magnética rápida”), um sistema treinado para gerar o exame com apenas 25% dos dados disponíveis e, consequentemente, finalizar o processo mais rápido. Ele funciona a partir do aprendizado de máquina, ou seja, foi apresentado a uma série de ressonâncias magnéticas de resoluções variadas para entender qual é a aparência típica dessas imagens. E então aprender a completar exames mais rápidos, realizados com menos imagens. Veja o exemplo abaixo: 

Nas imagens, temos o joelho de um jovem que sofreu lesão aguda. Nos quadros acima, estão os dados gerados pelo exame de ressonância magnética tradicional (direita) para formar a imagem final (esquerda). Abaixo, estão os dados e imagem gerados a partir do FastMRI. Facebook’s AI research (FAIR) / NYU Langone Health/Divulgação

Para testar o método, os pesquisadores obtiveram imagens dos joelhos de 108 voluntários, que foram submetidos a ambos os exames, padrão e rápido. Então, seis radiologistas foram convidados a analisar as imagens sem saber qual técnica havia sido empregada em cada uma delas. Os profissionais não recebiam os dois exames de um mesmo paciente no mesmo dia, mas sim com uma diferença de um mês entre eles, para que não houvesse influência no diagnóstico. 

Ao final, houve discrepância de apenas 4% entre os diagnósticos dos seis radiologistas, valor considerado insignificante pelos pesquisadores. No geral, os profissionais observaram as mesmas patologias independentemente da imagem que estavam avaliando. Todos os seis consideraram superior a qualidade das imagens geradas por FastMRI – e cinco não souberam identificar quais eram os exames baseados em inteligência artificial.

A notícia pode causar preocupação entre profissionais da saúde, já que qualquer erro mínimo de interpretação do exame pode colocar a vida do paciente em risco. Mas os pesquisadores dizem que a IA reconhece completamente a área do corpo a ser examinada e traz todas as informações necessárias. Além disso, há um sistema de verificação que, durante a geração da imagem, avalia se os dados que estão sendo obtidos são fisicamente possíveis e similares aos que uma máquina de ressonância magnética tradicional registraria. 

Transformar um exame de horas em minutos não é um simples luxo para os pacientes. Essa mudança pode fazer com que mais pessoas sejam atendidas em um intervalo de tempo menor, diminuindo as filas do setor de saúde. Além disso, tomografias e raios-x, que são exames menos detalhados, poderiam ser substituídos em alguns casos pela ressonância, possibilitando mais precisão para o diagnóstico dos pacientes. 

Agora, os pesquisadores estão testando o FastMRI em outras partes do corpo, como cérebro e abdômen. Também estão aplicando a técnica em outras instituições para que, no futuro, tentem conquistar a aprovação regulatória das autoridades de saúde. Os cientistas acreditam que a ferramenta poderá ser implantada nas máquinas de ressonância magnética em, aproximadamente, dois anos. 

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