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Internet: www.tudoaqui.com

Um projeto militar originou o meio de comunicação mais livre do mundo - a Internet.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h34 - Publicado em 31 out 1999, 22h00

Maria Fernanda Vomero

Quer comprar um livro? Vá para casa. Apreciar quadros do Museu do Louvre, em Paris? Vá para casa. Fazer uma reserva no vôo de amanhã, conversar com um amigo no Japão? Vá para casa. Você pode fazer tudo isso em minutos, usando um computador conectado à Internet. A rede mundial de computadores já faz parte do cotidiano de 150 milhões de indivíduos nos cinco continentes – 8 milhões só no Brasil.

Em 1967, quando o embrião da rede surgiu, nos Estados Unidos, ninguém estava pensando em mandar e-mails para os amigos. Era época da corrida pela produção de armas atômicas e os militares americanos, tentando sair na frente dos inimigos soviéticos, bolaram uma rede de computadores que interligasse diferentes centros de pesquisa e bases militares. Por medida de segurança, essa rede não deveria ter sede e a informação poderia ir de um ponto a outro utilizando diversas vias possíveis. Se uma via fosse interrompida, qualquer outra poderia ser usada. Surgia, assim, a Arpanet (a rede da Agência de Pesquisas e Projetos Avançados, na sigla em inglês). “Foi aí que se começou a ligar computadores a distância”, conta a especialista em redes digitais Graça Bressan, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

A Arpanet, porém, só conectava quatro instituições americanas. Para que mais computadores pudessem trocar dados através dela, era necessário que todos eles falassem a mesma língua. O problema foi resolvido em 1974, quando o pesquisador Vinton Cerf, da Universidade Stanford (leia a entrevista ao lado), criou o protocolo TCP/IP (Protocolo de Controle de Transmissão/Protocolo Internet), o idioma universal da rede. Nascia a Internet.

Entrevista: Vinton Cerf

A rede vai para o espaço

C.A

O pai da Internet, Vinton Cerf, quer estender a rede mundial de computadores a Marte, nas próximas missões americanas àquele planeta. Leia abaixo a entrevista que Cerf concedeu, por e-mail – outra invenção dele – à SUPER:

SUPER: Quando o sr. concebeu o protocolo TCP/IP, em 1972, imaginava que a Internet fosse tomar a dimensão ela tem hoje?

Vinton Cerf: Não. Mas acho que todos os pesquisadores envolvidos com o projeto sabiam que estávamos trabalhando com idéias muito poderosas. Isso já está provado. Naquela época, a nossa grande meta era resolver os problemas técnicos resultantes da concepção dos protocolos. Hoje o desafio é outro: sustentar o crescimento da rede mantendo a alta qualidade do serviço.

SUPER: Há 11 anos a Internet está em crescimento contínuo. Quais são os limites para a expansão da rede?

Cerf: O principal limite é a população da Terra. Nós não vamos precisar de mais do que um certo número de computadores por pessoa no planeta, mas esse número pode, um dia, chegar a 100 bilhões. Estamos bem longe de atingir essa cifra. Por isso, o crescimento deve continuar por um bocado de tempo, embora de forma mais lenta.

SUPER: O que significa o domínio .mars (.marte) que o sr. quer criar?

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Cerf: É uma rede de internets que eu batizei de InterPlanet. Esperamos que os primeiros links interplanetários estejam estabelecidos em 2008 entre a Terra e Marte. Isso deverá funcionar por meio de um sistema de comunicação e posicionamento via satélite na órbita de Marte. Os primeiros usuários seriam veículos robotizados que usariam satélites para se ligar com a Terra.

Sem congestionamento

A informação toma atalhos diferentes até o destino.

Um programa chamado roteador direciona os pacotes que constituem uma mensagem para as vias que estão mais livres. Se você acessa do Brasil 1 a página da universidade inglesa de Oxford, a informação do seu pedido vai primeiro até os Estados Unidos 2, onde estão os nós (pontos onde várias linhas se encontram) que conectam o Brasil aos outros continentes. Se houver uma linha desocupada que ligue o nó diretamente à Inglaterra, a mensagem vai para lá. Senão, o roteador direciona as suas informações para um outro país que possua uma conexão mais rápida, 3 como a Espanha ou a França.

A volta ao mundo em 80 bits

Como a informação viaja pela rede.

NA PONTA DA LINHA

A Internet usa a linha telefônica para enviar informações digitais. Só que o seu computador e o seu telefone não falam a mesma língua. Este último transmite ondas sonoras, enquanto o computador usa o código binário. Para que os bits de informação possam ser enviados pelo telefone, é necessário um aparelho que os converta em ondas sonoras e vice-versa. É essa a função do modem, sigla em inglês para Modulador/Demodulador.

A CHAVE PARA O MUNDO

Os provedores de acesso (ISP) são empresas que oferecem o serviço de acesso à Internet. Eles estão ligados a um backbone (espinha dorsal, em inglês), formado por linhas de comunicação de alta velocidade que reúnem vários provedores.

PACOTINHOS DE INFORMAÇÃO

O princípio da comunicação em rede é a divisão dos dados – texto, imagem ou som – em pacotes. Cada informação é quebrada em vários pedaços, que trafegam por vias diferentes e são colocados na ordem correta ao chegar ao destino.

CORRESPONDÊNCIA EXPRESSA

O serviço mais popular da Internet é o e-mail, ou correio eletrônico. O endereço de um usuário é sempre nome@instituição.domínio.país, onde @ vem do inglês at, que quer dizer “em”. Por exemplo, super. atleitor@abril.com.br. Esse endereço corresponde a um espaço reservado no disco rígido do computador, servindo como caixa postal.

CLUBE PRIVÊ

A intranet é uma rede particular que pode ser acessada por meio de senhas. É adotada por empresas, para tornar a comunicação interna mais barata e ágil. Para limitar o acesso, as intranets têm firewalls, máquinas que barram ou filtram informações vindas de fora.

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