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Quantas dimensões existem?

Quatro, dez, onze? O atual estágio das pesquisas ainda não permite arriscar uma resposta definitiva.

Por 31 ago 2003, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h38
  • Reinaldo José Lopes

    Por enquanto, a resposta segura continua sendo a proposta pelo bom e velho Einstein: quatro (as três do espaço que vemos e sentimos mais o tempo). Mas há um grupo influente de físicos teóricos que acredita que uma série de discrepâncias observadas no nosso mundo quadridimensional, como a intensidade relativamente baixa da gravidade quando comparada às outras forças do universo (eletromagnetismo e forças nucleares forte e fraca), se explicaria por seis ou sete dimensões adicionais, “enroladas” de um jeito muito apertado dentro das quatro dimensões que já conhecemos.

    Esse é um dos pontos centrais da teoria das supercordas, que tenta unificar as demais teorias físicas propondo que tudo o que existe (partículas de matéria e energia) é apenas a manifestação das vibrações de cordas incrivelmente pequenas, umas enroladas nas outras, num novelo de 10 ou 11 dimensões. “A única razão que conheço para se acreditar em mais dimensões é que elas parecem essenciais para o funcionamento da teoria das cordas”, diz o físico Lee Smolin. “A idéia é que as forças que nós observamos poderiam se dever à curvatura dessas dimensões, assim como a gravidade se deve à curvatura das quatro dimensões que observamos”, explica Smolin.

    Uma idéia para testar a existência dessas dimensões seria observar a ação da gravidade entre dois corpos a uma distância muito pequena um do outro. Nesse espaço, seria possível sentir uma forma de gravidade muito mais potente, atuando dentro das “dimensões” enroladas que nós não conseguimos perceber no nosso mundo comparativamente gigantesco do dia-a-dia. Acontece que, para muitas das variantes da teoria das cordas (pois é, existem várias), tal ação só poderia ser sentida no nível do comprimento de Planck – uma distância tão pequena que corresponde a um milímetro dividido por 10 seguido de 32 zeros. Como não existem (nem deverão existir por muito tempo) instrumentos capazes de observar algo tão próximo da fronteira do infinitamente pequeno, a teoria ainda não foi refutada – nem provada.

     

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