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Um furo no pneu do trem voador

É difícil acreditar no acidente que, bruscamente, interrompeu a arrancada do trem voador japonês, Maglev, rumo as rotas comerciais.

É difícil acreditar no acidente que, bruscamente, interrompeu a arrancada do trem voador japonês, Maglev, rumo às rotas comerciais. Bem às vésperas de deixar as pitas experimentais, um desses sofisticados veículos incendiou-se até ser reduzido a cinzas, o que pode atrasar o projeto (SUPERINTERESSANTE n°11, ano 5). Por ironia, a falha nada teve a ver com as inovações tecnológicas – o trem flutua e se mova a 10 centímetros de altura sob ação de bobinas imantadas supercondutoras, cujos fios, quando resfriados a menos de 270 graus Celsius, deixam passar correntes sem resistências e sem perda por calor.

No entanto, a flutuação é dinâmica: a máquina só alça vôo depois de superar os 100 quilômetros horários rodando sobre pneus de borracha. Foi quando um destes estourou, no último mês de outubro, que a composição acabou destruída. Os únicos passageiros a bordo – três pesquisadores da empresa Railway Technical Research Institute, RTRI, construtora do Maglev – saíram ilesos. É certo que o fogo reavivou preocupações renitentes, como a dificuldade de blindar os vagões contra intensas forças magnéticas geradas pelas bobinas; acredita-se, por exemplo, que possam danificar marca-passos eventualmente usados por passageiros, mas a RTRI assegura que o cronograma prossegue como previsto. O trem logo abandonará a pista de teste, de 7 quilômetros de comprimento ( onde ocorreu o acidente), e passará a uma pista maior , de 43 quilômetros. Esta última já é parte da rota comercial Tóquio – Osaka, na qual, se tudo ocorrer bem daqui para a frente, o Maglev fará a viagem inaugural.