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Usinas de força no Universo jovem

Os astros mais brilhantes que existem, chamados quasares, podem ajudar a entender como nasceram as galáxias.

Por 31 Maio 1997, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h38

João Steiner

Desde a sua decoberta em 1962, os quasares sempre chamaram muita atenção dos pesquisadores. Uma das principais razões para isso é o fato de eles serem os objetos mais luminosos do Universo. Chegam a brilhar mil vezes mais do que uma galáxia, que contém 100 bilhões de sóis. Sabe-se que esses monstros cósmicos se situam no núcleo das galáxias, mas o motivo disso ainda não está claro. De que maneira, exatamente, os quasares estão associados com as galáxias? Seriam eles a causa do nascimento delas ou, ao contrário, uma conseqüência da sua evolução?

O próprio descobridor desses monstros cósmicos, o holandês Marteen Schmidt, já tinha uma pista sobre esse enigma. Em 1968 ele constatou que o número de quasares muito distantes era maior do que o número de quasares relativamente próximos. Para entender o que isso significa, veja, antes que, quanto mais longe está um astro, mais tempo sua luz demora para chegar aqui. Assim, observando os quasares muito afastados estamos vendo imagens antiqüíssimas, do tempo em que o Universo tinha apenas 3 bilhões de anos, ou um quinto de sua idade atual. Nessa época, a quantidade desses corpos era mil vezes maior do que a de hoje.

Mas em 1982, o americano Patrick Osmer, então diretor do Observatório Interamericano de Cerro Tololo, no Chile, surpreendeu a todos ao mostrar que a história era mais complexa. É que em tempos ainda mais recuados, o número de quasares diminuía. Ou seja, um resumo a partir do nascimento do Universo, mostra que a população de monstros cósmicos era baixa, depois cresceu bastante e em seguida voltou a se reduzir. Durante muito tempo esse resultado permaneceu intrigante e mal compreendido.

Agora surge uma nova luz sobre a questão. Vários pesquisadores retomaram a investigação com técnicas distintas e estão confirmando com dados mais precisos a idéia de que a quantidade de quasares varia fortemente com o tempo. Está confirmado que, bem no início, os quasares eram raros. Nesse meio tempo também aprendemos mais sobre as galáxias, ficando claro que nos primeiros bilhões de anos da existência do Cosmo elas não existiam. E ao que tudo indica, se formaram justamente no período em que os quasares começaram a brilhar. Para muitos, não é só coincidência. As duas coisas estão ligadas. É possível supor que nos primeiros estágios da formação de uma galáxia, ela brilha com intensidade excepcional. Na verdade de um modo muito semelhante a um quasar. Essa palavra, então, seria apenas um outro nome para galáxia nascendo. Para os defensores dessa teoria é muito natural que, ao procurarmos observar o nascimento das galáxias, enxerguemos quasares.

João Steiner é vice-diretor do Instituto Astronômico e Geofísico da USP e vice-presidente do Projeto Gemini

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