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Você ainda vai teletransportar algo?

Sim, um dos superpoderes mais cobiçados da humanidade não está não longe de virar realidade

Por Janaína Leite - Atualizado em 5 jan 2017, 15h08 - Publicado em 28 fev 2005, 22h00

Vai. Se bobear, em poucas décadas. Mas nem pense em A Mosca ou Jornada nas Estrelas. Você vai é teletransportar informações do seu computador quântico, por meio de uma internet quântica. Nada de chips: a informação vai fluir entre partículas subatômicas que teletransportam seus bits. Tudo com velocidade e poder de processamento milhões de vezes maiores que hoje. As primeiras experiências nesse campo foram feitas em 1993.

Cinco anos depois, informações (bits) entre partículas foram transmitidas de forma controlada e surgiu um primeiro modelo de computador quântico. Mas será possível teletransportar alguma coisa mais pesada do que uma simples informação? A resposta é sim. O segredo é enviar todas as propriedades de cada um dos átomos de um objeto para um “bolo” de matéria no lugar de destino. “O que fazemos no teletransporte é transferir toda a informação que um sistema carrega direto para outro. Assim, o segundo sistema se transforma no primeiro”, disse à Sapiens o físico Anton Zeilinger, da Universidade de Viena, Áustria, um dos grandes pioneiros na área.

Hoje a tecnologia funciona assim: os cientistas criam uma espécie de conexão entre duas partículas. Essa conexão, que vai servir de estrada para o teletransporte das propriedades dela, é feita com base em um fenômeno ainda misterioso: o entrelaçamento. É uma situação especial em que duas partículas se comportam como se fossem a mesma. Se uma se movimenta aqui, a outra se mexe acolá, no mesmo instante, não importa a distância.

Feito o entrelaçamento, os cientistas mudam as características de uma das partículas com um laser fino o bastante para escrever todo o texto desta página numa cabeça de alfinete. Então, as mudanças feitas em uma vão parar na outra e é isso que é considerado teletransporte. Em 1998, a equipe de Zeilinger foi uma das três primeiras no mundo a fazer isso. Os portadores da informação eram fótons, partículas de luz sem massa.

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Em 2004, a equipe conseguiu, pela primeira vez, fazer o mesmo entre partículas com massa – no caso, átomos de cálcio. Ainda assim, Zeilinger não arrisca nas previsões. “O teletransporte de grandes objetos ainda é ficção. A possibilidade de fazer isso com seres vivos, então, é uma questão indefinida”, diz.

Os pesquisadores otimistas acham que logo será possível teletransportar grupos de átomos. Os extremamente otimistas dizem que faremos a mesma coisa com um vírus inteirinho. Quer mais? Daí para cima, ninguém tem coragem de arriscar um palpite.

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